Comunidade da Praia de São Tomé de Paripe sofre com efeitos da contaminação; laudo do Inema ainda não foi disponibilizado
Por Liz Barretto
Um mês depois da interdição da empresa Terminal Itapuã, localizada na região da Praia de São Tomé de Paripe, o resultado final da análise realizada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) ainda não foi disponibilizado. Os moradores convivem com efeitos da contaminação no local, que continua acontecendo sem grandes intervenções do poder público. O tema será debatido em audiência pública do Ministério Público Federal (MPF).
De acordo com moradores, além de um líquido azul, são observadas substâncias verdes e amarelas na faixa de areia. Sem a definição do que de fato está causando a contaminação, marisqueiros e pescadores relatam a morte de diversas espécies e prejuízo no comércio local.
Na tentativa de garantir a subsistência a comunidade, líderes comunitários e representantes solicitaram auxílio para autoridades locais, mas até o momento não obtiveram nenhuma resposta. Como medida de assistência, as secretarias municipais de Promoção Social, Combate à Pobreza, Esportes e Lazer (Sempre) e Especial do Mar (Semar) entregaram cestas básicas e realizaram cadastros das famílias ao Cadastro Único.
Para Jocival do Nascimento, morador da região, a ausência das atividades pesqueiras e do turismo na praia tem prejudicado a economia local, o que reforça a necessidade de auxílio financeiro. “Eu só busco que meu bairro seja respeitado, a praia é o ganha-pão de muita gente e até o momento, não tivemos nenhuma proposta de valor”, afirmou.
Em imagens enviadas ao Bahia Notícias, é possível observar a permanência de líquidos de origem desconhecida na praia do subúrbio de Salvador. Nesta segunda-feira (13), um líquido verde surgiu em alguns pontos da faixa de areia próximos a locais de convivência, conta Jocival.
“A água começou a sair esverdeada mais próximo ainda da gente. Como vamos superar isso? É bem próximo do campo de futebol.. A situação está ficando cada vez mais crítica”, desabafou o morador de Paripe.
A reportagem entrou em contato com o Ministério Público Federal para saber mais detalhes sobre a audiência, mas não obteve resposta. O Inema também foi questionado sobre o resultado dos laudos, mas ainda não apresentou o relatório sobre análises laboratoriais
