Salvador terá 20 novos semáforos sonoros para auxiliar a travessia de pedestres com deficiência visual
Por Luis Vasconcelos
Atravessar uma rua movimentada em Salvador pode ser um desafio de paciência e, muitas vezes, de sorte para quem possui deficiência visual. Pensando nisso, a Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador) está desenvolvendo um projeto para ampliar o número de semáforos sonoros na capital baiana. A previsão da autarquia é que os novos dispositivos sejam instalados em 20 cruzamentos estratégicos da cidade até o final de 2026.
O objetivo da medida é garantir autonomia e segurança na travessia. O sistema opera por meio de sinais acústicos integrados ao ciclo semafórico:
- Sinal verde para pedestres: O equipamento emite um som intermitente ou contínuo para indicar que a passagem está liberada;
- Sinal vermelho para pedestres: O som é interrompido ou alterado para um bip de alerta, indicando que o tráfego de veículos foi retomado.
Segundo Everaldo Neris, presidente da Associação de Cegos da Bahia (ACB), a iniciativa é fruto de uma provocação direta feita pela instituição. Para definir os pontos prioritários, a ACB realizou uma enquete com seus cerca de 300 associados e usuários frequentes, focando em locais de "fluxo vivo" da comunidade. Os critérios para avaliação dos locais foram:
- Entorno de instituições de apoio: Proximidade de centros de reabilitação e atendimento a pessoas com baixa visão;
- Polos de educação e esporte: Áreas próximas a colégios e grandes arenas, como a Casa de Apostas Arena Fonte Nova;
- Centros comerciais e terminais: Locais como a Lapa e o Campo da Pólvora, onde a independência de locomoção é vital para o exercício da cidadania.
Os pontos sugeridos pela ACB para análise técnica da Transalvador contempla gargalos históricos de acessibilidade em Salvador:
- Em frente à Arena Fonte Nova, em ambos os sentidos;
- Um ponto anterior à entrada da Lapa, no Vale do Tororó;
- Rua General Labatut, nas proximidades do Colégio Assunção;
- Rua da Piedade, nas imediações do Center Lapa;
- Bairro do Canela, nas proximidades do Hospital das Clínicas;
- Avenida Joana Angélica, em frente ao Colégio Central;
- Campo da Pólvora, nas imediações da estação de metrô;
- Entrada do Vale das Pedrinhas, nas proximidades da estação do BRT;
- Praça da Piedade, no sentido Castro Alves;
- Saída da Estação Pirajá, na área de acesso ao pátio/estoque de ônibus;
- Barbalho, em frente ao Colégio Getúlio Vargas;
- Praia da Preguiça, em frente ao Restaurante Amado.
Até então, o cenário de Salvador era considerado precário, com dispositivos operacionais concentrados quase exclusivamente no bairro do Barbalho. A nova etapa do projeto promete tecnologia atualizada e integrada ao Centro de Controle Operacional (CCO) da Transalvador.
Para os associados da ACB, a instalação desses equipamentos representa mais do que tecnologia, representa liberdade. "Com essa instalação, as pessoas cegas não vão mais ficar para trás", destacou Everaldo. Poder atravessar a rua confiando no som que guia seus passos, sem depender da sensibilidade ou do auxílio de terceiros, é o verdadeiro significado de acessibilidade urbana.
