Lula 3 ressuscita slogan do governo Temer e comemora 100 dias com reunião ministerial
Por Redação
"Brasil voltou", o slogan que regeu os atos do governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) foi o mesmo escolhido pelo terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para comemorar os 100 dias de gestão, marca alcançada nesta segunda-feira (10).
Com o intuito de celebrar a data e fazer um balanço das ações ao longo do período, o chefe do Executivo realizou um evento, em Brasília, junto com os responsáveis pelos 37 ministérios, aliados, demais membros do governo, parlamentares e profissionais de imprensa.
As falas iniciais, do ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), e do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), deram conta, não só dos programas tocados, como de um empenho de toda equipe.
Logo após os dois breves discursos, foi a vez de Lula falar. Ele começou saudando ministras, ministros, sua companheira, assessores e demais pessoas presentes.
"Não tenho hábito de falar dos 100 dias de governo, acho que nunca falei nos outros mandatos que tive, mas acho importante lembrar que das últimas vezes recebi o mandato de um companheiro democrata", disse, comparando as transições do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 2003, com a de Jair Bolsonaro (PL).
Agradecendo a "compreensão" e "dedicação" dos integrantes do seu mandato, o petista relembrou os ataques golpistas do 8 de janeiro e ato em que Palácio do Planato, o Congresso Nacional e a Suprema Corte se uniram para defender o Estado Democrático de Direito. Para ele, o gesto irá marcar o seu mandato. "Não foi um gesto qualquer", evidenciou.
Sem citar o nome do antecessor, Lula criticou os esforços do governo Bolsonaro na injeção de dinheiro público a fim de se reeleger e considerou os participantes dos ataques contra a democracia como "reacionários" e "fascistas". Ele comparou ainda o período entre 2018 e 2022 com a violência antidemocrática da Ditadura Militar e o atual momento com a redemocratização do país.
"Estamos criando uma fase nova na história do país. Sei que muitas vezes a imprensa exigente, como sempre, nos cobra. Acho que nós, desta vez, mais maduros que somos, mais expetrientes, sobretudo pela quantidade de ex-governadores, ex-prefeitos, ex-secretários que estão fazendo parte do governo, a gente tem muito mais capacidade", garantiu.
O presidente ressaltou o seu otimismo. Negando que seja "exagerado", o mandatário do Planalto opinou que essa é uma cacacterística necessária para cargos eletivos.
Sem deixar de lado as medidas econômicas, o gestor citou exigências de instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e criticou: "É importante que essa gente fale para que possamos fazer diferente do que eles querem que a gente faça".
Amparados em dados sobre investimentos, ele disse que, até março deste ano, R$ 3,3 bilhões foram empenhados pelo governo federal. No mesmo período do ano passado, apontou Lula, foram empenhados R$ 892 milhões. Foram destacados o empenho de recursos em recursos hídricos, na área de ciência e tecnologia, na saúde, em hidrovias e habitação.
"Essa é apenas uma pequena demonstração de como vamos fazer a diferença neste país", justificou o ex-metalúrgico, acrescentando que há perspectivas animadoras, do ponto de vista das exportações pelo agronegócio, da resolutividade de processos previdenciários e de outras áreas de atuação do poder público.
Segundo Lula, a escolha da frase pela equipe de comunicólogos do governo, o mote da celebração define as dificuldades do processo ao longo dos quase quatro meses. Ao explicar o mote, ele enfatizou pilares que evocam uma relação da gestão federal com o povo brasileiro, com o trabalho e com o cuidado da população. Sua fala buscou contrastar suas ações com as do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sobretudo com a ideia de "reconstrução".
Foram destacadas iniciativas como o retorno do Mais Médicos, as campanhas de imunização, os mutirões de cirurgias, ações de combate da violênca contra a mulher, a refundação de ministérios como o dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial, as cotas no serviço público, a reativação de conselhos participativos, o novo arcabouço fiscal e a reforma tributária.
Lula fez questão de elogiar Fernando Haddad (PT) e lembrar as críticas enfrentadas pelo ex-prefeito de São Paulo no comando do Ministério da Fazenda. "A compreensão da sociedade vale mais do que uma crítica feita", disse o presidente se dirigindo ao paulista.
Até maio haverá, garantiu, um novo programa de investimentos, numa tentativa de remontar o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), considerando as obras prioritárias elencadas pelos governos estaduais e outras identificadas pela sua equipe. Executadas por mecanismos distintos - algumas por meio de concessões - elas irão se dividir em seis eixos: Transporte, Infraestrutura Social, Inclusão Digital e Conectividade, Infraestrutura Urbana, Água Para Todos e Transição Energética.
O presidente da República comentou ainda sobre assuntos diversos e garantiu o financiamento de pesquisas para novos combustíveis renováveis pela Petrobras, a execução de um Plano Safra para o agronegócio, atividades para o desmatamento zero na Amazônia, assim como a proteção de grupos minoritários.
