Senadores admitem que Agenda Brasil não é consenso e negam isolamento de Cunha
Por Rebeca Menezes/ Alexandre Galvão
Os senadores baianos estão satisfeitos com a elaboração da Agenda Brasil, série de propostas apresentadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), que visa a retomada do crescimento do país. A lista de 28 itens, divididos em quatro eixos – negócios e infraestrutura, equilíbrio fiscal, proteção social e de crescimento – foi desenvolvida após discussões entre os integrantes da Casa e visa propor soluções que permitam a saída da crise. “Achei ótimo. Todos estão envolvidos, discutiram. Essa é uma saída para o Brasil”, defendeu Otto Alencar (PSD). Mesmo assim, o senador admite que nem todas as medidas possuem consenso entre os parlamentares, e que as votações permitirão a análise do que é realmente válido. “Por ser uma agenda muito extensa, muita coisa vai ser aproveitada enquanto outras não vão passar. Eu sou contra a questão da cobrança por serviços do SUS, por exemplo. Não significa que vamos aprovar tudo. Eu sou governista, mas já votei contra a presidente Dilma”, avaliou Otto. O senador Walter Pinheiro (PT) concorda. Segundo ele, o plano é um desdobramento de 43 projetos que já tramitam no Congresso Nacional e que permitirão que o país saia da crise. “Pode ser que votemos todos os projetos? Pode. Pode ser que a gente vote um pouco menos? Também. É um trabalho de diversos senadores, e temos que defender aqueles itens que atendam às demandas da população”, defendeu. “A proposta que apresentamos é uma alternativa para o momento da crise. Não é para discutir Lava Jato, nem TCU, nem partido A ou B, nem salvar a pele de ninguém”, complementou. Para senadora Lídice da Mata (PSB), as propostas devem ser reduzidas. "Talvez eles sejam reduzidos a menos de uma dezena", especulou. A proposta do Senado, ainda de acordo com a socialista, é "ajudar o país a sair mais rápido da crise". "Quem sofre com a crise não é só o povo, são os empresários, todo mundo no país", enumerou. Com pontos polêmicos como a cobrança por serviços do SUS – já retirado da pauta por Calheiros após rediscussão do ponto com o governo –, o texto teve recepções distintas pelo público e por outros parlamentares. Enquanto o anúncio ganhou espaço como uma nova tentativa de sair da crise econômica, a crise política se manteve, principalmente com a reação de um de seus principais protagonistas: o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB).

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
