Vila Moisés: Peritos não encontram indícios de execução e acreditam em confronto
A reconstituição da operação policial que deixou 12 mortos e seis feridos na Vila Moisés, no Cabula, em fevereiro deste ano, concluiu nesta quinta-feira (28) que há indícios de que as mortes foram resultado de um confronto, segundo informações do jornal Correio. O resultado final sairá em 30 dias. A conclusão contraria a investigação independente do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que aponta que houve “execução sumária”, o que levou à denúncia de nove policiais militares pelos crimes de homicídio triplamente qualificado e tentativa de homicídio. A denúncia do MP, que foi encaminhada ao juiz Vilebaldo Freitas, titular do 1º Juízo da 2ª Vara de Salvador, foi baseada nos laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), nas informações do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Corregedoria da PM, e no depoimento dos acusados e de testemunhas. A reconstituição foi realizada pelo DPT a partir das 19h desta quarta (27). “A gente não vê, até agora, nenhum indício [de execução]. Tanto os sobreviventes como os policiais relatam o confronto”, disse, em entrevista ao Correio, o perito criminal Isaac Queirós, que comandou os trabalhos com o perito José Carlos Montenegro. Queirós descarta que as informações dos sobreviventes tenham sido influenciadas pela presença dos acusados. “Não, porque os depoimentos foram realizados separadamente e coincidem com as provas objetivas, que são os laudos, como o de balística e análise do local”, disse. O perito também se posicionou sobre as conclusões do MP. “Os laudos sugerem muitas interpretações, porque você nãos sabe a posição do corpo exata na hora dos disparos”. Ainda de acordo com Queirós, apenas a reconstituição pode determinar a posição de cada pessoa durante o ocorrido. “É uma interpretação de laudo e conjuntura”, apontou o técnico, que citou exemplos como a ausência, no laudo, de tiros de curta distância, chamada “zona de esfumaçamento” ou de zonas de tatuagens, quando a pólvora queima a pele.

Foto: Evandro Veiga/Correio
