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Notícia

Meta não batida: prazo de 45 dias vence e reforma do Valfredão segue sem data para entrega em Riachão do Jacuípe

Por Thiago Tolentino / Sara Santos

Foto: Leitor BN

No dia 19 de agosto, o Bahia Notícias revelou com exclusividade que o prefeito de Riachão do Jacuípe, Carlinhos Matos (União), trabalhava com a meta de concluir as obras do Estádio Eliel Martins, o Valfredão, em até 45 dias. A contagem regressiva, no entanto, estourou no último sábado (3) sem que os portões fossem reabertos para o futebol, mantendo o impasse que já arrasta o Jacuipense para mais de dois anos longe da sua torcida.

 

Procurada pela reportagem para esclarecer o descumprimento do cronograma, fontes ligadas à Prefeitura de Riachão informaram que a empresa contratada está na fase de finalização das intervenções e que a gestão municipal assumiu a responsabilidade pelos "retoques finais." Segundo a administração, uma etapa desse acabamento teria sido concluída no último domingo (4) e novas informações oficiais sobre a entrega devem ser divulgadas ao longo desta semana.

 

REALIDADE DAS OBRAS
Apesar do tom otimista do poder público, a apuração do Bahia Notícias aponta um cenário diferente e mais complexo nos bastidores do estádio. A reportagem constatou que o equipamento ainda apresenta diversos setores inacabados que, aparentemente, sequer começaram a passar por intervenções. No local, há acúmulo de entulho de obra espalhado, além de paredes com sinais evidentes de infiltração e sem acabamento.

 


Foto: Leitor BN

 

Além disso, o BN teve acesso a imagens exclusivas que retratam a situação atual do Valfredão. Os registros mostram que a parte externa está predominantemente coberta por uma pintura branca incompleta, com paredes ainda na alvenaria exposta e tijolos à mostra, uma realidade distante de uma estrutura pronta para inauguração.

 


Foto: Leitor BN

 

Se em agosto a gestão comemorava o plantio do novo gramado e reformas superficiais, as novas imagens mostram que, embora as arquibancadas tenham recebido pintura, o gramado segue sem os retoques finais e apresenta trechos visivelmente secos e desgastados.

 

Para além dos problemas estruturais e estéticos, pesam os entraves regulamentares. O estádio segue pendente de etapas cruciais para a liberação operacional e obtenção dos laudos exigidos pela legislação nacional e pelo Manual de Competições da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Para que o Valfredão volte a receber partidas oficiais do Jacuipense, a praça esportiva precisa cumprir:

  • Laudos Técnicos Obrigatórios: Emissão e aprovação de laudos com validade legal (Engenharia/Estrutural, Segurança, Prevenção contra Incêndio e Condições Sanitárias);
  • Capacidade Mínima de Público: Adequação das arquibancadas e acessos conforme as exigências específicas de cada competição;
  • Infraestrutura e Gramado: Atestado de qualidade do piso de jogo, drenagem e instalações de vestiários/arbitragem;
  • Tecnologia e Operação de Jogos: Estrutura para transmissão, iluminação adequada para partidas noturnas e bilheteria funcional.

 

DOIS ANOS DE EXÍLIO
O atraso contínuo prolonga um exílio amargo para o Leão do Sisal. O Jacuipense não atua em seu estádio desde o dia 25 de janeiro de 2024, quando venceu o Atlético de Alagoinhas por 3 a 2, pela terceira rodada do Campeonato Baiano daquele ano.

 

Desde que precisou migrar seus mandos de campo para praças como Pituaçu, em Salvador, e a Arena Cajueiro, em Feira de Santana, o clube vem acumulando desgastes técnicos e financeiros. A diretoria e os próprios atletas já manifestaram publicamente o peso da rotina longe de casa. Jogar na capital ou em municípios vizinhos eleva drasticamente os custos operacionais do clube com:

  • Aluguel de praças esportivas e taxas de iluminação;
  • Logística de deslocamento e hospedagem de delegação;
  • Segurança privada, ambulâncias e efetivo policial;
  • Perda substancial de arrecadação com bilheteria e programas de sócio-torcedor.

 

O desabafo do goleiro Marcelo, feito no meio deste ano após a eliminação da equipe na Série D, sintetizou o sentimento do elenco: atuar sem a torcida no Sisal cobrou um preço alto no desempenho dentro de campo.

 

"Muitas vezes o torcedor não entende, só quer cobrar. Mas o que a gente vem fazendo nesses últimos dois anos é algo que tenho certeza que nenhum time do Brasil faz. A gente joga dois anos longe da nossa casa. Uma reforma com dois anos para ficar pronta é um absurdo. Chegamos na quinta fase da Copa do Brasil batendo de frente com os grandes. Esse ano não perdemos para Bahia e Vitória. Mas jogar longe do nosso torcedor faz total diferença. É um apelo. Não sei a quem cobrar, mas o Jacuipense precisa que essa obra seja concluída", cobrou o defensor na época.

 

NOVO ANO À VISTA
A reforma do Valfredão é financiada por emenda parlamentar do deputado federal Paulo Azi (União), reeleito para o cargo na eleição de 2026, cujos recursos foram liberados em julho de 2025. Ao longo do processo, a obra foi desacelerada por entraves logísticos alegados pela Construtora Santa Izabel, períodos de crise hídrica na região e notificações formais da própria prefeitura cobrando o cumprimento do contrato.

 

Com a vaga já garantida no Campeonato Baiano de 2027 e na Série D do Campeonato Brasileiro do mesmo ano, o planejamento esportivo do Jacuipense para a próxima temporada depende umbilicalmente da liberação do estádio. Se a obra não for homologada e vistoriada a tempo pelos órgãos de segurança e pela Federação Bahiana de Futebol (FBF), o clube corre o risco de iniciar mais um ano mandando seus jogos longe do seu torcedor.

 

A Série A do Campeonato Baiano 2027 é o próximo torneio no horizonte do Leão do Sisal. Com prazo para informar os mandos de campo para FBF até o próximo sábado (10), o Jacuipense vive esse momento de incerteza no planejamento do clube. 

 

O Bahia Notícias segue acompanhando o desdobramento das obras e aguarda o posicionamento oficial prometido pela Prefeitura de Riachão do Jacuípe para esta semana.

 

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Fotos: Leitor BN