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Notícia

Bet representava mais de 50% da receita comercial do Jacuipense; entenda os bastidores

Por Thiago Tolentino / Sara Santos

Foto: Lucas Pena / Jacuipense

O Jacuipense trabalha na busca por novos parceiros comerciais para a temporada de 2027 após o encerramento do vínculo com a Esportiva Bet. Segundo apuração do Bahia Notícias com uma fonte ligada ao clube, o antigo contrato com a casa de apostas correspondia a mais de 50% de toda a receita obtida pelo Leão do Sisal com patrocínios.

 

Sem vínculo atualmente com a empresa, o Jacuipense passou a prospectar patrocinadores de outros segmentos para tentar recompor a receita perdida. A movimentação ocorre em meio às mudanças provocadas pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada pelo Governo Federal no dia 25 de setembro e que proíbe ações de comunicação, publicidade, propaganda, marketing e patrocínio relacionadas às apostas de quota fixa.

 

Além dos contratos fechados diretamente pelos clubes, a presença das casas de apostas também alcança as receitas comerciais das competições. De acordo com esta apuração, parte das cotas de participação recebidas pelas equipes decorre de contratos de patrocínio firmados com empresas do setor. O clube, porém, não soube precisar o valor ou o percentual dessa parcela.

 

O Leão do Sisal não possui operações bancárias vinculadas ao antigo patrocínio da Esportiva Bet. Segundo a fonte, nenhum dos contratos comerciais do clube está associado a operações financeiras.

 

PRESENÇA EM OUTROS CLUBES BAIANOS
O cenário enfrentado pelo Jacuipense integra uma presença mais ampla das casas de apostas no futebol da Bahia. Um levantamento feito pelo Bahia Notícias identificou vínculos recentes de empresas do setor com Bahia, Atlético de Alagoinhas, Doce Mel, Feira FC, Galícia, Jequié, SSA FC e Vitória, além do próprio Leão do Sisal.   

 

O Bahia, por exemplo, teve acordo com a Esportiva Bet anunciado em abril deste ano, inicialmente com duração de três meses. Antes, o clube havia encerrado em janeiro o vínculo de patrocínio master com a Viva Sorte Bet. O Vitória também teve recentemente a 7K Bet como patrocinadora master, relação que já foi encerrada.

 

Os efeitos da MP também chegaram aos contratos de naming rights no estado. A Arena Fonte Nova informou que cumprirá as determinações da nova medida. Desde 2024, o estádio utilizava comercialmente o nome Casa de Apostas Arena Fonte Nova, após acordo de quatro anos firmado com a empresa. A legislação obriga a retirada da exposição da marca, enquanto os desdobramentos financeiros do contrato permanecem condicionados à relação entre as partes. 

 

Em Feira de Santana, o Feira FC confirmou ao Bahia Notícias a suspensão dos naming rights do Estádio Professor Jodilton Souza. A praça esportiva havia passado a utilizar o nome Superbet Arena após acordo fechado neste ano. Além dos naming rights, a Superbet ocupava o principal espaço da camisa da equipe como patrocinadora master. O clube informou que avalia os efeitos jurídicos e contratuais da MP. Bahia 

 

No Jacuipense, o desafio para a próxima temporada será substituir uma fonte que tinha peso majoritário dentro da carteira comercial do clube. Com o fim do vínculo com a Esportiva Bet, a diretoria revelou que está buscando ampliar a participação de empresas de outros setores nos patrocínios para 2027.

 

A busca por novos patrocinadores ocorre enquanto o Jacuipense já inicia o planejamento esportivo para 2027. O clube terá calendário com Campeonato Baiano, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série D do Campeonato Brasileiro. 

 

A montagem do elenco também começou. Em setembro, o Leão do Sisal renovou os contratos de Ruan Nascimento, Vicente Reis, Jhones, Daniel Costa, Hugo Moura, Guilherme Rend, Mizael e Flavinho.

 

Antes disso, o clube já havia assegurado a permanência do técnico Rodrigo Ribeiro, de 41 anos, para a próxima temporada. Em 2026, ele comandou o Jacuipense na campanha de 3º lugar do Campeonato Baiano, resultado que garantiu vagas na Série D e na Copa do Brasil de 2027.