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Tribunal do Quênia condena líder religioso a 200 anos de prisão por massacre de 191 pessoas

Por Redação

Foto ilustrativa: Reprodução / Gemini

Um tribunal do Quênia condenou, nesta sexta-feira (6), o líder religioso Paul Nthenge Mackenzie a 200 anos de prisão por envolvimento na morte de 190 crianças e um adulto. As vítimas foram submetidas a jejuns forçados sob a promessa de que encontrariam Jesus após a morte. A sentença foi proferida depois que Mackenzie foi considerado culpado pelos crimes no mês passado.

 

De acordo com informações apresentadas durante o julgamento, reveladas pelo jornal The New York Times e traduzidas pelo Estadão, Mackenzie determinava que os integrantes da seita deixassem de se alimentar. A ordem era cumprida com violência por auxiliares do grupo, que pressionavam os seguidores a manter o jejum até a morte.

 

Além do líder religioso, outras 28 pessoas foram condenadas por participação no massacre. As penas aplicadas aos demais envolvidos variaram de 10 a 160 anos de prisão. Entre os condenados estão pais que obrigaram os próprios filhos a participar dos jejuns. A maioria das crianças mortas tinha menos de 10 anos.

 

O Ministério Público havia solicitado a pena de morte para Mackenzie. A juíza Diana Kavedza-Mochache, no entanto, rejeitou o pedido. Ao justificar a decisão, a magistrada argumentou que, para pessoas que enxergam a morte como uma forma de libertação, a execução poderia ser interpretada como uma vitória ou uma espécie de martírio.

 

A juíza também ressaltou que o condenado não demonstrou arrependimento nem empatia pelas vítimas Mackenzie foi preso em 2023, após autoridades quenianas encontrarem e exumarem corpos de centenas de pessoas na Floresta de Shakahola, uma região remota do sudeste do país, próxima ao Oceano Índico. As mortes aconteceram ao longo dos dois anos que antecederam a prisão do líder religioso.

 

Ex-motorista de táxi e pregador televisivo, Mackenzie comandava uma seita que funcionou na região entre aproximadamente 2019 e 2023. O grupo era apresentado aos seguidores como um refúgio para pessoas que precisavam se preparar para a proximidade do apocalipse, conforme as pregações do líder.

 

Em entrevista concedida anteriormente ao The New York Times, um ex-integrante da seita relatou que Mackenzie defendia que os pais obrigassem os filhos a jejuar sob o sol e morrer primeiro. Segundo a orientação atribuída ao religioso, as crianças chegariam ao céu antes dos adultos.

 

O caso ficou conhecido como massacre de Shakahola e passou a integrar a lista de episódios de mortes em massa associados a grupos religiosos com discursos apocalípticos.