Estudantes de Medicina são expulsos de universidade após ataques a bolsistas e mensagens nazistas no Paraná
Por Redação
Estudantes do curso de Medicina da UniCesumar, em Maringá, no Paraná,, foram expulsos da instituição após compartilharem mensagens ofensivas contra colegas beneficiários de programas sociais, como o Programa Universidade para Todos (ProUni). As publicações, feitas em grupos de WhatsApp após o resultado das eleições presidenciais de 2026, também continham referências ao nazismo e manifestações de preconceito socioeconômico.
A universidade confirmou ao G1 que concluiu, na sexta-feira (30), uma sindicância interna para apurar as denúncias. Além dos desligamentos, foram aplicadas advertências e suspensões, conforme a gravidade das condutas identificadas. A instituição, no entanto, não informou quantos estudantes foram punidos.
As mensagens começaram a circular no domingo (25), após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em uma das publicações, um estudante estabeleceu uma comparação depreciativa entre colegas que pagam mensalidades e aqueles que conquistaram vagas por meio de programas de acesso ao ensino superior.
"Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha", escreve um dos universitários.
Outras mensagens também demonstraram hostilidade contra estudantes de origem socioeconômica menos favorecida. Em uma delas, um aluno escreveu: "Nossos pais têm dinheiro e não precisam de ex-presidiário para bancar faculdade, não". Outra publicação ironizou os beneficiários do ProUni após o resultado eleitoral.
O conteúdo também incluiu imagens e expressões associadas ao nazismo e a ideologias supremacistas. Em uma das conversas, foi compartilhada uma fotografia de um pelotão militar acompanhada de uma referência à expressão "raw milk" (leite cru), utilizada em determinados grupos extremistas na internet.
Uma estudante chegou a questionar as manifestações preconceituosas e lembrou que todos os universitários terão a mesma formação profissional, independentemente da condição financeira ou da modalidade de ingresso na instituição. "Todo mundo aqui vai sair com CRM", afirmou.
O episódio não foi isolado no estado. Estudantes do Centro Universitário FAG, em Cascavel, também foram denunciados por compartilhar mensagens com conteúdo discriminatório. A instituição informou que três universitários foram suspensos e que aplicou advertências. Os processos administrativos ainda estão em andamento.
A Associação dos Estudantes de Medicina do Paraná (Aemed-PR) reuniu os relatos e encaminhou uma notícia-crime ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). Já o Ministério Público Federal (MPF) confirmou o recebimento de uma denúncia relacionada às mensagens e informou que apura o caso envolvendo os estudantes da UniCesumar.
Em manifestação, a Aemed-PR repudiou os episódios e afirmou que o preconceito contra beneficiários do Fies e do ProUni, assim como a defesa de ideologias extremistas, são incompatíveis com a formação acadêmica.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também se posicionou. Segundo o órgão, as manifestações discriminatórias contrariam os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, que estabelece o exercício das atividades sem discriminação de qualquer natureza.
UNIVERSIDADE SE POSICIONA
Em nota ao G1, a UniCesumar afirmou que as medidas disciplinares foram definidas após a conclusão da sindicância interna e que os estudantes envolvidos foram responsabilizados conforme as normas do regimento da instituição.
A universidade também declarou repudiar qualquer forma de discriminação ou preconceito e informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina permanece disponível para oferecer acolhimento, orientação e suporte aos universitários.
Entidades representativas dos estudantes de Medicina da UniCesumar também divulgaram uma nota de repúdio contra manifestações de cunho xenofóbico, elitista e nazista. Os grupos informaram que os envolvidos foram desligados das respectivas entidades.
O Centro Acadêmico Miguel Nicolelis anunciou ainda a oferta de suporte psicoterapêutico gratuito ou a custos reduzidos aos estudantes afetados pelos episódios.
