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Artigos

Georges Louis
Imprensa em Risco, Desde 2018
Foto: André Carvalho / Bahia Notícias

Imprensa em Risco, Desde 2018

O recente episódio de busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, ordenado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), escancara uma ferida aberta na democracia brasileira: o inquérito das fake news, uma ferramenta judicial que, desde sua abertura em 2019, tem sido criticada por sua inconstitucionalidade e ilegalidade. O caso, ocorrido na terça-feira (10), em São Luís (MA), envolve a apreensão de celulares e notebook do profissional após reportagens sobre o suposto uso irregular de veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Moraes invocou o inquérito para justificar a medida, alegando indícios de “perseguição” (artigo 147-A do Código Penal), mesmo sem relação direta com desinformação ou ameaças à Corte.

Multimídia

Após deixar Podemos, Raimundo da Pesca comenta convites e explica escolha pelo PSD

Após deixar Podemos, Raimundo da Pesca comenta convites e explica escolha pelo PSD
O deputado federal Raimundo Costa (PSD) comentou, nesta segunda-feira (9), sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD) após deixar o Podemos. Em declaração ao Projeto Prisma, podcast do Bahia Notícias, ele detalhou a motivação da mudança partidária.

Entrevistas

VÍDEO: Presidente da Comissão de Cultura da CMS avalia Plano Municipal de Cultura de Salvador e diz: “Temos bons termos”

VÍDEO: Presidente da Comissão de Cultura da CMS avalia Plano Municipal de Cultura de Salvador e diz: “Temos bons termos”
Foto: Divulgação
O vereador Sílvio Humberto, presidente da Comissão de Cultura da Câmara Municipal de Salvador, avaliou o Plano Municipal de Cultura da capital baiana e destacou o diálogo entre o Legislativo e a sociedade durante a construção da proposta.

racismo

Denúncia de racismo leva MP-BA a exigir mudanças em rede de supermercados na Bahia
Foto: Divulgação

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) expediu uma recomendação formal à empresa Mercantil Rodrigues Ltda, que integra o Grupo Cencosud, determinando a implementação de um conjunto de ações voltadas ao enfrentamento do racismo e à eliminação de práticas discriminatórias no ambiente comercial.

 

O documento, publicado nesta quarta-feira (11) e assinado pela promotora Lívia Maria Santana e Sant’Anna Vaz, da 1ª Promotoria de Justiça de Direitos Humanos, é resultado de um procedimento administrativo instaurado para apurar a suposta prática do crime de racismo por funcionários do estabelecimento contra um consumidor.

 

A recomendação estabelece prazos para que a empresa adote desde programas de capacitação em letramento racial até a revisão de protocolos internos de abordagem e vigilância. O MP-BA apontou a necessidade de se combater o chamado racismo institucional, definido pela legislação estadual como ações ou omissões sistêmicas, baseadas em preconceitos ou estereótipos, que resultam na discriminação e na falta de efetividade no atendimento qualificado à população negra.

 

DETERMINAÇÕES DO MP-BA
Entre as principais determinações, está a obrigação de a empresa implementar, no prazo de 180 dias, um programa presencial e contínuo de letramento racial, com foco no enfrentamento ao racismo estrutural e institucional e no atendimento não discriminatório.

 

A capacitação deverá atingir todos os colaboradores, com ênfase especial para os fiscais de prevenção patrimonial, lideranças e gerentes. O MP exigiu ainda que a empresa documente integralmente a realização desses treinamentos, encaminhando à Promotoria listas de presença, cronogramas, materiais didáticos e registros audiovisuais das atividades.

 

A promotoria também determinou a revisão e formalização, em até 120 dias, dos protocolos internos de abordagem, vigilância e prevenção de perdas. O objetivo é garantir que não haja seleção ou monitoramento de clientes com base em critérios raciais, fenotípicos ou socioeconômicos, assegurando que as abordagens sejam sempre objetivas, proporcionais e respeitosas. Essas diretrizes deverão ser amplamente divulgadas entre os funcionários e incorporadas à rotina operacional das unidades.

 

No mesmo prazo, a empresa deverá fortalecer e ampliar a divulgação dos canais internos de denúncia, garantindo acesso claro tanto a colaboradores quanto a consumidores, com informações sobre confidencialidade, procedimentos de apuração, prazos e proteção contra retaliações.

 

Também será necessária a criação de um fluxo interno para apuração imediata de denúncias de discriminação racial, com previsão de medidas corretivas e disciplinares proporcionais, sem prejuízo do encaminhamento dos casos aos órgãos externos competentes.

 

A recomendação prevê ainda a implementação de mecanismos de monitoramento contínuo das práticas de atendimento ao público, com coleta sistemática de dados e avaliação permanente de riscos de discriminação racial, em um prazo de 150 dias. A empresa deverá realizar auditorias internas periódicas, preferencialmente com participação de área técnica independente ou especializada, para avaliar a efetividade das políticas antirracistas e dos protocolos adotados.

 

No campo da comunicação, o MP-BA orientou que, em 120 dias, sejam promovidas ações internas e externas que reafirmem o compromisso institucional da empresa com a igualdade racial, a diversidade e o respeito aos direitos humanos, inclusive nos espaços físicos de atendimento ao público.

 

O material elaborado deverá ser submetido à prévia aprovação do Ministério Público. Além disso, em até 150 dias, a empresa deverá elaborar e divulgar, em local visível, um comunicado institucional contendo a política de repúdio a atos de racismo e discriminação, informando que tais condutas constituem crime nos termos da legislação vigente.

 

De acordo com o documento, a empresa terá um prazo de 30 dias, contados a partir do recebimento da recomendação, para manifestar formalmente seu aceite. Após a execução de todas as medidas, deverá encaminhar à Promotoria um relatório circunstanciado comprovando o cumprimento integral das determinações, acompanhado de toda a documentação pertinente.

Jovem denuncia crime de racismo em estabelecimento comercial de Guanambi
Foto: Reprodução / Ascom / PC-BA

Uma jovem de 27 anos relatou que foi alvo de ofensas de cunho racial proferidas por um cliente enquanto era atendida em estabelecimento na Avenida do Trabalho, no Bairro Beneval Boa Sorte, em Guanambi, no sudoeste baiano, ainda nesta segunda-feira (02). O ataque verbal causou forte constrangimento e abalo emocional à vítima e aos presentes.

 

Ainda de acordo com informações do portal Achei Sudoeste, parceiro do Bahia Notícias na região, a vítima procurou a polícia militar por meio do 17º Batalhão de Polícia Militar (BPM). No local, os agentes da Polícia Militar realizaram os seguintes procedimentos, coleta de dados das partes envolvidas e verificação de testemunhas oculares.

 

Os policiais também repararam na existência de imagens do sistema de videomonitoramento do estabelecimento. A vítima foi devidamente instruída sobre os seus direitos legais e a importância de formalizar a representação criminal na delegacia territorial.

 

A ocorrência foi oficialmente registrada e encaminhada à autoridade policial civil, que ficará responsável por conduzir as investigações e tomar as providências cabíveis conforme a legislação vigente, que equipara o racismo a crime imprescritível e inafiançável.

Presidente da Fifa defende expulsão para jogadores que tamparem a boca em discussões
Foto: Divulgação/Fifa

 

O presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), Gianni Infantino, afirmou que os jogadores que cobrirem a boca durante discussões poderão ser expulsos. A fala do chefe do futebol mundial vem como reação ao episódio envolvendo o jogador argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, acusado de proferir insultos racistas contra o brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid.

 

"Se um jogador cobre a boca e diz algo que tenha conotação racista, então ele tem que ser expulso, obviamente", disse Infantino em entrevista à Sky News no último domingo (1º).

 

Segundo Infantino, deve-se presumir que o atleta disse algo que não deveria. “Caso contrário, ele não precisaria cobrir a boca", argumentou. "Simplesmente não entendo: se você não tem nada a esconder, não cobre a boca ao dizer algo. É só isso, é simples assim".

 

O presidente afirmou ainda que tais medidas fazem parte da luta contra o racismo. “Essas são ações que podemos e devemos tomar para sermos sérios em nossa luta contra o racismo", finalizou.

 

A Uefa (União das Associações Europeias de Futebol) suspendeu provisoriamente Prestianni até a conclusão da investigação sobre o ocorrido no jogo de ida do playoff da Champions League entre Benfica e Real Madrid, realizado em 17 de fevereiro.

Benfica suspende cinco sócios-torcedores por caso de racismo contra Vini Jr.
Foto: Reprodução/SBT

O Benfica informou, nesta sexta-feira (27), que suspendeu cinco sócios-torcedores em razão de ofensas racistas registradas durante uma partida da Champions League. O episódio ocorreu no dia 17 de fevereiro, em Lisboa, no confronto contra o Real Madrid.

 

Em nota oficial, o clube afirmou ter identificado “comportamentos inadequados, de natureza racista”, sem mencionar o nome de Vinícius Júnior. O comunicado destaca que esse tipo de conduta não está alinhado aos valores defendidos pela instituição.

 

O Benfica também anunciou a abertura de um processo disciplinar interno para apuração do caso. Ao fim da investigação, os envolvidos poderão ser expulsos de forma definitiva do quadro social, punição prevista como a mais severa no estatuto do clube.

 

A denúncia ocorreu no jogo de ida dos playoffs para as oitavas de final da competição europeia, disputado no Estádio da Luz. Na ocasião, Vinícius Júnior marcou o gol da vitória do Real Madrid e comemorou com uma dança próxima à torcida adversária, o que gerou um princípio de confusão entre jogadores das duas equipes.

 

Antes da retomada da partida, o atacante brasileiro se dirigiu ao árbitro francês François Letexier e relatou ter sido chamado de “mono” (macaco em espanhol) por Prestianni, atacante do Benfica. Diante da denúncia, o árbitro acionou o protocolo antirracismo e interrompeu o jogo por cerca de dez minutos.

 

Posteriormente, a UEFA aplicou uma suspensão provisória de um jogo ao atleta argentino, por possível infração ao Artigo 14 do Regulamento Disciplinar, que trata de comportamentos discriminatórios. A medida teve caráter cautelar e não representou decisão definitiva sobre o caso.

 

O Benfica recorreu da suspensão e incluiu Prestianni na delegação que viajou a Madri para o jogo de volta. O recurso, no entanto, foi negado, e o jogador ficou fora da partida.

Juiz converte prisão em flagrante em preventiva de chileno acusado de racismo na Fonte Nova

A 3ª Vara das Garantias de Salvador converteu na manhã desta sexta-feira (27) a prisão em flagrante do cidadão chileno Francisco Javier Sepulveda Vargas, detido na noite da última quarta-feira (25) na Arena Fonte Nova sob a acusação de praticar gestos racistas durante a partida entre Esporte Clube Bahia e O’Higgins, pela Copa Libertadores da América.

 

O juiz entendeu que a prisão em flagrante do chileno foi nula, tendo sido relaxada, por não haver intérprete no momento da detenção, porém, o juiz Cidval Santos Sousa Filho decretou a prisão preventiva do estrangeiro, mantendo-o detido com base na gravidade e na repercussão social da conduta.

 

A decisão, proferida após a audiência de custódia, acolheu em parte o pedido da defesa, que apontava nulidades no procedimento policial. O magistrado constatou que o interrogatório do flagranteado foi realizado sem a presença de um tradutor ou intérprete.

 

Segundo os autos, Francisco Javier, de nacionalidade chilena, não teve garantido o direito à assistência de um profissional que pudesse assegurar sua plena compreensão das perguntas, dos direitos constitucionais a ele informados e das consequências de suas declarações, ferindo o disposto no artigo 5º da Constituição Federal e no Código de Processo Penal.

 

"A mera presunção de compreensão devido à semelhança entre os idiomas não pode substituir a garantia formal da assistência de um intérprete para assegurar a plenitude da defesa e a voluntariedade das declarações", fundamentou o juiz na decisão que relaxou o flagrante.

 

Entretanto, a análise da prisão preventiva, solicitada tanto pela autoridade policial quanto pelo Ministério Público, tomou um rumo distinto. O magistrado entendeu que, embora o flagrante estivesse maculado, os indícios de autoria e a prova da materialidade do delito são contundentes.

 

Imagens de câmeras de monitoramento da Arena Fonte Nova flagraram o torcedor na arquibancada destinada à torcida visitante realizando gestos que simulam um macaco, direcionados aos jogadores do time adversário. Em seu depoimento, o próprio acusado afirmou não se recordar do ato, mas admitiu ter feito "um gesto sem pensar nas consequências", sem intenção de ofender, versão que não afastou o entendimento do juiz sobre a tipicidade da conduta.

 

Ao justificar a decretação da prisão preventiva, o juiz Cidval Sousa Filho destacou a excepcionalidade e a gravidade concreta do caso, que transcende a ofensa individual.

 

A decisão enfatizou a reprovabilidade da conduta à luz do ordenamento jurídico brasileiro, que considera o racismo crime inafiançável e imprescritível, mas também fez uma extensa análise comparativa com a legislação do Chile, país de origem do acusado.

 

O magistrado citou a Ley Zamudio e a Lei nº 21.151/2019, que protege a população afrodescendente no Chile, para afastar qualquer hipótese de erro de proibição. "Um cidadão proveniente de país que adota essa postura normativa não pode, com mínima credibilidade, alegar que desconhecia que ofender uma pessoa em razão de sua raça ou cor poderia constituir conduta ilícita", argumentou.

 

A decisão também ponderou o contexto em que o crime foi praticado, classificando-o como uma agressão simbólica à identidade coletiva de Salvador, cidade com a maior população negra fora da África.

 

O magistrado apontou que transformar o futebol, um espaço de integração entre os povos, em palco de segregação racial, especialmente durante um torneio como a Libertadores, que possui protocolos rígidos da Conmebol de combate à discriminação, configura uma violação que exige resposta firme do Judiciário para preservação da ordem pública e credibilidade da Justiça.

 

Apesar de o acusado não possuir antecedentes criminais no Brasil ou no Chile e ter vínculos com seu país de origem, o juiz considerou tais condições subjetivas insuficientes frente à necessidade de acautelar o meio social e garantir a aplicação da lei penal, rejeitando a possibilidade de aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão. A defesa ainda pode recorrer da decisão.

Benfica nega confissão de racismo atribuída a Prestianni após jogo da Champions
Foto: Reprodução/Instagram (@gianlucaa_11)

 

O Benfica negou nesta quinta-feira (26) que o atacante Gianluca Prestianni tenha admitido a prática de racismo contra Vinícius Júnior durante o jogo de ida da Champions League, realizado na semana passada. A manifestação do clube contraria informação publicada pelo jornal português Correio da Manhã.

 

Em comunicado oficial, o clube afirmou que desmente “de forma categórica que o jogador tenha comunicado ao elenco ou à diretoria do clube ter proferido algum insulto racista” contra o atleta do Real Madrid.

 

Segundo a reportagem do Correio da Manhã, Prestianni teria dito a companheiros de equipe que utilizou a palavra “macaco”, alegando desconhecer o caráter racista do termo. Ainda de acordo com o jornal, o jogador teria apresentado vídeos para sustentar o argumento de que essa não seria uma ofensa racial.

 

Na mesma nota, o Benfica informou que o atleta “pediu desculpa aos colegas pelo incidente ocorrido durante a partida com o Real Madrid, lamentando a dimensão e as consequências do mesmo e garantindo a todos, tal como o fez desde a primeira hora, que não é racista.”

 

A Uefa havia aplicado uma suspensão provisória ao jogador após a denúncia de Vinícius Júnior, que relatou ter sido alvo do insulto “macaco” durante a partida. O clube português recorreu da decisão, mas o pedido foi negado, mantendo a punição.

 

Mesmo suspenso, Prestianni chegou a viajar com a delegação do Benfica para a Espanha, na expectativa de ser liberado para atuar. Após a confirmação da sanção, o jogador criticou a decisão da Uefa e insinuou favorecimento ao Real Madrid.

Torcedor chileno é detido em Salvador após gesto racista em Bahia x O'Higgins, na Arena Fonte Nova
Foto: Divulgação / Alô Juca

A Polícia Militar prendeu um torcedor chileno na noite desta quarta-feira (25), durante o duelo entre Bahia x O'Higgins, pela fase preliminar da Libertadores. O homem, que estava na área reservada à torcida visitante, é acusado de praticar crime de racismo após ser identificado por sistemas de segurança do estádio. As informações são do Alô Juca.

 

 

O flagrante ocorreu por meio das câmeras de monitoramento da Fonte Nova. As imagens registraram o indivíduo realizando gestos que simulavam um macaco em direção ao público local. Diante da identificação da conduta, a equipe de segurança privada do estádio acionou o efetivo policial presente para realizar a abordagem e a contenção do suspeito.

 

Após ser retirado das arquibancadas, o homem foi mantido sob custódia em uma sala reservada dentro da própria Arena Fonte Nova. Na sequência, viaturas da Polícia Militar conduziram o detido para a Central de Flagrantes, situada no bairro dos Barris, onde a autoridade policial formalizou o registro da ocorrência.

 

Como parte do rito processual, o suspeito prestou depoimento inicial aos investigadores e foi encaminhado para a realização do exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal. O procedimento é padrão em casos de prisão em flagrante antes do encaminhamento do custodiado ao sistema prisional ou à audiência de custódia.

 

Ao ser questionado sobre a motivação dos gestos, o torcedor chileno limitou-se a declarar que não é racista. Quando interpelado diretamente sobre a execução dos movimentos captados pelas câmeras, o homem optou pelo silêncio. A defesa técnica do estrangeiro não emitiu notas oficiais até o fechamento desta reportagem.

 

O inquérito agora segue sob a responsabilidade das autoridades competentes. No Brasil, a Lei de Racismo estabelece punições para condutas de discriminação ou preconceito, com previsões de reclusão. O material captado pelo circuito interno de TV da arena será utilizado como prova no processo judicial para determinar a responsabilização do envolvido.

Wesley Sneijder relata ameaças após apoiar Vinícius Júnior em caso de acusação de racismo contra o Benfica
Foto: Reprodução / Ziggo Sport

O ex-jogador holandês Wesley Sneijder afirmou nesta semana ter recebido milhares de mensagens com ameaças de morte enviadas da Argentina. O episódio ocorre após o ex-atleta manifestar apoio público ao brasileiro Vinícius Júnior, que acusou o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de ofensas racistas durante o confronto de ida da Liga dos Campeões da UEFA.

 

 

Sneijder relatou em um programa de televisão local o impacto de suas declarações recentes sobre o caso. "Acho que recebi quatro ou cinco mil ameaças da Argentina nas minhas mensagens diretas porque dei minha opinião sobre o assunto. Sim, é verdade", afirmou o holandês. 

 

Ele completou a reflexão sobre o ocorrido com o seguinte posicionamento: "Aqueles que me ameaçam também têm direito à sua opinião. Mas eu também tenho uma opinião baseada no que vejo."

 

O ex-meio-campista direcionou críticas à postura de Prestianni durante o incidente em Lisboa. Sneijder afirmou que o argentino "tem que ser homem" e que "não deve puxar a camisa pela cabeça, deve simplesmente dizer" a ofensa proferida. Para o holandês, é "abominável que tais coisas ainda aconteçam hoje em dia".

 

Sobre a veracidade da denúncia, o ex-atleta defendeu a reação de Vinícius Júnior após o gol da vitória. "Você está ganhando por 1 a 0, acabou de marcar um gol fantástico, você não vai falar com o árbitro assim. Pode apostar que é verdade. Mas não dá para provar", analisou.


Sneijder também abordou as consequências do episódio para os demais jogadores do Benfica. "Se você é colega desse cara, você realmente tem que aceitar as palavras dele como verdadeiras. E aí você está basicamente dizendo que Vinícius mentiu. E aí você simplesmente deixa pra lá. Ou não, né? Quer dizer, é muito difícil. Acho que esse é um problema real dentro do grupo", declarou o ex-jogador.

 

O processo resultou na suspensão preventiva de Gianluca Prestianni pela UEFA. O atacante argentino não participará do jogo de volta, agendado para esta quarta-feira no Estádio Santiago Bernabéu. O Real Madrid joga pelo empate para garantir a classificação, após vencer o primeiro encontro por 1 a 0 com gol de Vinícius Júnior.

Prestianni é supenso preventivamente pela UEFA após acusação de racismo contra Vinicius Junior
Foto: Angel Martinez / Divulgação

A UEFA anunciou, nesta segunda-feira (23), a suspensão preventiva do atacante Gianluca Prestianni, do Benfica. A medida afasta o jogador argentino por uma partida das competições europeias enquanto a investigação sobre a denúncia de racismo feita por Vinicius Junior, do Real Madrid, continua em curso. O clube português confirmou que apresentará recurso contra a decisão.

 

A determinação da entidade ocorre após o relatório de um Inspetor de Ética e Disciplina, que apontou indícios de violação ao Artigo 14.º do Regulamento Disciplinar, referente a comportamentos discriminatórios.


Em nota oficial, a UEFA esclareceu que a suspensão de um jogo tem caráter imediato e provisório, não interferindo no veredito final que os órgãos disciplinares tomarão ao fim do processo.

 

O Benfica, por sua vez, manifestou-se por meio de comunicado oficial. O clube citou o histórico institucional e a figura de Eusébio para reafirmar a oposição ao racismo, mas contestou a ausência do atleta no momento atual da disputa.

 

"O Clube lamenta ficar privado do jogador enquanto o processo está ainda em investigação e irá apelar desta decisão da UEFA, mesmo se dificilmente os prazos em causa terão qualquer efeito prático para o jogo da segunda mão do play-off da Liga dos Campeões", informou o clube de Lisboa. Leia abaixo na íntegra:

 

O caso teve início no dia 17 de fevereiro, durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica. Após marcar o gol, Vinicius Junior comemorou próximo à torcida local e recebeu cartão amarelo. Na sequência, o brasileiro relatou ao árbitro François Letexier que Prestianni utilizou o termo "mono" (macaco, em espanhol) para ofendê-lo, ocultando a boca com a camisa.

 

O relato resultou na ativação do protocolo antirracismo, paralisando o confronto por dez minutos. O episódio gerou discussões entre as comissões técnicas e hostilidades nas arquibancadas até o término da partida.


O Comitê de Ética e Disciplina da UEFA analisa agora o conjunto de provas. Além das imagens de vídeo, os inspetores devem ouvir os depoimentos dos envolvidos. Entre as testemunhas em potencial está o atacante Kylian Mbappé, que declarou ter ouvido os insultos de Prestianni direcionados ao companheiro de equipe em cinco ocasiões diferentes.

 

A investigação segue sem um prazo definido para a conclusão, mas a suspensão atual já retira Prestianni do jogo de volta, que definirá quem avança para as oitavas de final da Champions League.

"Danilo me ligou para explicar", revela Filipe Luís após repercussão sobre fala de racismo
Foto: Flamengo TV / YouTube

O técnico do Flamengo, Filipe Luís, abriu a entrevista coletiva do último domingo (22), no Maracanã, para esclarecer a repercussão de suas declarações sobre o episódio de racismo denunciado por Vinicius Júnior na última semana. Após a vitória do Flamengo por 3 a 0 sobre o Madureira, pelas quartas do Cariocão, no Maracanã, o treinador afirmou que conversou com jogadores do elenco, entre eles o zagueiro Danilo, e reforçou seu posicionamento de condenação ao racismo.

 

Segundo Filipe, houve um contato por telefone com Danilo, que ocorreu após o retorno da delegação rubro-negra da Argentina, onde o Flamengo enfrentou o Lanús pela Recopa.

 

"Nós chegamos de viagem (da Argentina) às 9h da manhã, mais ou menos, sem dormir. O trânsito que tinha até chegar em casa foi de duas horas. Cheguei em casa, dormi, acordei à tarde e vi tudo que estava acontecendo. Falei com o (Rodrigo) Paiva (diretor de comunicação do Flamengo) para escrever uma nota (divulgada horas mais tarde pelo clube). Obviamente é melhor falar. Mas eu não gosto de gravar vídeo em rede social. Vi o que estava acontecendo, o Danilo me ligou para explicar a situação que aconteceu. Falei com os jogadores, com os capitães. Expliquei tudo exatamente o que aconteceu. Eu não tenho problema nenhum de explicar. E fui muito claro, como eu sempre trato as questões com os meus jogadores", contou o treinador.

 

Durante a coletiva, Filipe Luís declarou repúdio ao racismo e explicou o sentido da expressão utilizada anteriormente. Segundo ele, ao classificar o episódio como "caso isolado", pretendia se referir a um "caso específico".

 

"Eu sei que, como treinador, a minha postura pública gera muita expectativa. E realmente pode ser que eu não tenha me explicado com suficiente clareza sobre o assunto. Eu repudio o racismo, eu condeno o ato racista. Racismo é crime, é crime. Como eu falei um dia antes, num meio de comunicação (argentino): se ele (Gianluca Prestianni, do Benfica) fez isso, não cabe a mim julgar, mas se ele fez que ele pague. Que pague com força. Porque eu chegar aqui e falar é fácil. Fazer camiseta 'não ao racismo' é fácil. Usar pulseira antirracismo é fácil. Tudo isso é muito fácil. O difícil é punir. Se ele fez, que ele pague, que fique bem claro", desabafou.

 

O episódio envolvendo Vinicius Júnior ocorreu na última terça-feira (17), durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica, em Lisboa. Após marcar o gol da partida, o atacante brasileiro denunciou ter sido alvo de injúrias raciais atribuídas ao argentino Gianluca Prestianni.

 

A denúncia levou o árbitro a acionar o protocolo antirracismo, interrompendo a partida por cerca de dez minutos. O caso teve ampla repercussão no cenário internacional.

“Vai cortar esse cabelo”, goleiro Hugo Souza é alvo de insultos racistas após classificação do Corinthians
Foto: Rodrigo Coca / Corinthians

O goleiro Hugo Souza, do Corinthians, foi alvo de ofensas de cunho racista após a classificação da equipe sobre a Portuguesa, neste domingo (22), no Estádio do Canindé, pelas quartas de final do Campeonato Paulista.

 

Ao deixar o gramado em direção ao túnel, o jogador ouviu insultos vindos de torcedores da Lusa. As falas foram registradas em vídeo divulgado pelo influenciador Matheus Gonze. 

 

"Seu sem dente, passa fome. Seu sem dente do caral**. Vai cortar esse cabelo, piolhento do caral**", gritaram para Hugo.

 

 

Policiais militares que estavam na arquibancada, próximos ao local das ofensas, não intervieram no momento dos insultos.

 

Dentro de campo, o Corinthians garantiu vaga na semifinal após vencer nos pênaltis. No tempo normal, a Portuguesa esteve à frente do placar até os acréscimos da segunda etapa, quando Vitinho marcou o gol de empate.

 

Nas penalidades, Hugo Souza teve papel decisivo. O goleiro, que já havia defendido um pênalti durante o tempo regulamentar, voltou a brilhar ao defender mais duas cobranças, contribuindo diretamente para a classificação corintiana.

 

Na semifinal, o time comandado por Dorival Júnior enfrentará o Novorizontino, no Estádio Doutor Jorge Ismael de Biasi. A Federação Paulista de Futebol ainda irá confirmar data e horário da partida.

 

Após polêmica com Vinicius Jr, Benfica é acusado de racismo em campanha de lançamento do novo uniforme; entenda
Foto: Divulgação / SL Benfica

O Benfica se tornou alvo de acusações de racismo após divulgar, no último sábado (21), um vídeo de lançamento de seu novo uniforme para a temporada. Na peça publicitária, um ator negro interpreta um zelador que participa de uma operação para furtar a nova camisa do clube.

 

 

O vídeo foi publicado nas redes sociais oficiais do clube português poucos dias após o episódio de racismo envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni. O brasileiro do Real Madrid acusou o argentino de tê-lo chamado de "macaco" durante a vitória merengue por 1 a 0 sobre o Benfica, pelos playoffs da Champions League.

 

O novo uniforme é uma colaboração entre a Adidas e o artista plástico português Vhils. Segundo o clube, o modelo busca ser "a materialização da ligação entre a arte urbana e o futebol de rua". No entanto, logo após a publicação, o comercial foi bombardeado por críticas e comentários de repúdio. Até o momento, o Benfica não se manifestou oficialmente sobre a polêmica da campanha.

 

 

CASO VINICIUS JÚNIOR X PRESTIANNI
O Real Madrid formalizou, na última quinta-feira (19), um pedido de punição severa após os ataques racistas sofridos por Vinícius Jr. em Portugal. O clube espanhol enviou à UEFA todas as imagens e evidências colhidas durante a partida em Lisboa, exigindo rigor na investigação que envolve tanto a torcida quanto um jogador adversário.

 

A denúncia detalha que o brasileiro teria sido insultado por Prestianni, do Benfica, logo após marcar o gol da vitória. O episódio levou o árbitro francês François Letexier a interromper o jogo por dez minutos, acionando o protocolo de combate ao preconceito da entidade europeia.

 

Em comunicado, o Real Madrid reforçou que não aceitará "episódios inaceitáveis" e agradeceu a onda de solidariedade global ao camisa 7.

 

Já o Benfica confirmou que está investigando dois torcedores flagrados em vídeo imitando macacos em direção a Vinícius Júnior. As imagens, que viralizaram após serem compartilhadas pelo ex-jogador inglês Rio Ferdinand, mostram a dupla com camisas do clube português gesticulando de forma preconceituosa.

 

Informações divulgadas por um porta-voz do Benfica, à imprensa europeia, apontam que as punições podem ser rigorosas.

Turista paulista é presa em flagrante por injúria racial em praia de Porto Seguro
Foto ilustrativa: Reprodução / Ascom PC-BA

Uma turista de 28 anos, natural de São Paulo, foi presa em flagrante na manhã deste sábado (21) pelo crime de injúria racial em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia. O caso ocorreu em um hotel na região da Praia de Taperapuan, onde a mulher estava hospedada. A suspeita ofendeu uma funcionária negra do estabelecimento com expressões de cunho racial pejorativo, ela segue presa. 

 

Segundo informações da polícia civil, o ataque aconteceu no momento em que a trabalhadora tentou intervir em uma discussão entre a turista e outro hóspede. Além das ofensas verbais, a mulher agrediu fisicamente a funcionária e o outro hóspede envolvido na confusão. Policiais militares foram acionados e conduziram a suspeita à Delegacia de Proteção ao Turista (Deltur).

 

Na unidade especializada, os envolvidos prestaram depoimento e os agentes analisaram as imagens das câmeras de monitoramento do hotel. Com base nos relatos e nas provas visuais, foi lavrado o Auto de Prisão em Flagrante. A mulher permanece custodiada na delegacia e segue à disposição do Poder Judiciário.

Após repercussão negativa, Filipe Luís se defende de fala sobre Vinícius Jr.
Foto: Reprodução/Flamengo TV

Na tarde desta sexta-feira (20), o técnico do Flamengo, Filipe Luís, posicionou-se por meio de nota oficial após a repercussão negativa de suas declarações sobre o novo caso de racismo sofrido por Vinicius Jr., em jogo da Champions League contra o Benfica.

 

O treinador reconheceu que as falas deram margem para "interpretações distintas" e negou ter tido a "intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista".

 

"Fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinicius Júnior e me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país. Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista”, iniciou Filipe.

 

“Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países”, escreveu.

 

O treinador do clube carioca ainda revelou que, antes do jogo, concedeu uma entrevista exclusiva sobre o episódio. “Classifiquei como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse”. Apesar de não citar na nota oficial, a entrevista foi concedida a uma TV argentina.

 

Finalizando, ele prestou apoio ao atacante do Real Madrid. “Reitero meu total apoio a Vinicius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune”.

 

ENTENDA O CASO
Após a derrota do Rubro-Negro para o Lanús, nesta quinta-feira (19), no primeiro jogo da Recopa Sul-Americana, por 1 a 0, Filipe Luís se manifestou sobre a acusação do jogador do Real Madrid, que afirmou ter sido chamado de "macaco" pelo argentino Gianluca Prestianni no jogo entre Real Madrid e Benfica. Na ocasião, o treinador classificou o episódio como um "caso isolado" e disse que isso não mudava o que ele pensava sobre a Argentina.

Benfica identifica torcedores e pode expulsar sócios após ataques a Vinicius Junior
Foto: Divulgação / X / @rioferdy5

A polêmica no Estádio da Luz ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (20). O Benfica confirmou que está investigando dois torcedores que foram flagrados em vídeo imitando macacos em direção ao atacante Vinícius Júnior, do Real Madrid. As imagens, que viralizaram nas redes sociais, mostram a dupla com camisas do clube português fazendo gestos racistas durante o confronto da última terça-feira pela Champions League.

 

A punição para os envolvidos pode ser severa caso o vínculo com o clube seja comprovado. Em declaração à agência de notícias AFP, um representante do time de Lisboa foi direto sobre as consequências.

 

"Se forem sócios do clube, o procedimento pode levar à sua expulsão", indicou o porta-voz do Benfica.

 

As provas contra os torcedores ganharam força após o ex-jogador da seleção inglesa, Rio Ferdinand, compartilhar o vídeo em sua conta na rede social X (antigo Twitter). Na gravação, é possível ver claramente os dois homens gesticulando de forma preconceituosa enquanto o brasileiro estava em campo.

 

 

O episódio aumentou a pressão sobre o Benfica, que até então focava sua defesa apenas no gramado, onde outra acusação de racismo já havia interrompido a partida.

 

VINI JR X PRESTIANNI
A partida, que terminou com vitória espanhola por 1 a 0, já estava sob os holofotes devido a uma confusão entre Vinícius Júnior e o jovem argentino Gianluca Prestianni, de 20 anos.

 

Vini marcou e comemorou com sua tradicional dança diante da torcida rival. Após uma discussão generalizada, o brasileiro relatou ao árbitro que foi chamado de "macaco" por Prestianni. O jogador argentino não foi punido na hora porque tapou a boca com a camisa enquanto falava, impedindo a leitura labial.

 

Enquanto o Real Madrid informou ter entregue à UEFA "todas as provas disponíveis" sobre o caso, o Benfica saiu em defesa de seu atleta. Em nota, o clube português afirmou que Prestianni é "vítima" de uma "campanha de difamação". O jogador também usou o Instagram para negar qualquer insulto racial.

 

Agora, a UEFA conduz uma investigação oficial por "comportamento discriminatório".

Kompany condena postura de Mourinho e sai em defesa de Vini Jr. em caso de acusação de racismo
Foto: Shaun Botterill / FIFA

O técnico do Bayern de Munique, Vincent Kompany, trouxe um tom firme ao debate sobre o racismo no futebol europeu. Em coletiva realizada nesta sexta-feira (20), o treinador belga comentou os incidentes do jogo entre Benfica e Real Madrid, defendendo a veracidade da denúncia de Vinicius Jr. e criticando duramente a reação de José Mourinho, comandante da equipe portuguesa.

 

Kompany, que é um dos raros treinadores negros no topo do futebol mundial, usou sua experiência para validar o sentimento do atacante brasileiro, que acusou o argentino Prestianni de injúria racial durante o duelo da Champions League.

 

"Reação que não pode ser fingida", disse. 


Para Kompany, a forma como Vini Jr. se comportou no Estádio da Luz é a maior prova de que algo grave aconteceu. Ele refutou a ideia de que o brasileiro estaria tentando levar vantagem em uma confusão de jogo.

 

"Quando você analisa a jogada e como o Vini reagiu, essa reação não pode ser fingida. Dá para ver que foi uma reação emocional. Não vejo nenhum benefício para ele em ir até o árbitro e assumir toda a culpa. Naquele momento, ele achou que era a coisa certa a fazer", analisou o técnico do Bayern.

 


O ponto mais agudo da fala de Kompany foi direcionado a José Mourinho. Após a partida, o técnico do Benfica minimizou o caso ao criticar a comemoração de Vini Jr. e usar a figura de Eusébio, maior ídolo negro do clube português, como uma espécie de "escudo" contra acusações de racismo.

 

Kompany classificou a atitude como uma falha de liderança e questionou o uso histórico do ídolo do passado para silenciar uma vítima do presente:

 

"Para mim, o que aconteceu depois é ainda pior. José Mourinho basicamente atacou o caráter de Vini ao mencionar o tipo de comemoração dele para desmerecer o que ele estava fazendo naquele momento. Foi um erro enorme em termos de liderança. Ele disse que o Benfica não pode ser racista porque o seu maior jogador de todos os tempos foi Eusébio. Ele sabe o que os jogadores negros tiveram que passar na década de 1960? Ele estava lá viajando com Eusébio para todos os jogos fora de casa para ver o que ele sofreu? Usar o nome dele hoje para discutir com o Vini", disparou o belga.

 

Em 2021, Kompany viveu o problema na pele. Ele foi alvo de racismo quando treinava o Anderlecht. Sua presença como técnico do Bayern é uma exceção: um levantamento recente apontou que apenas quatro dos 96 clubes das principais ligas da Europa têm treinadores negros.

 

ENTENDA O EPISÓDIO EM LISBOA
A polêmica começou logo após Vini Jr. marcar o gol da vitória do Real Madrid (1 a 0). O brasileiro comemorou próximo a uma torcida organizada do Benfica, o que gerou revolta dos jogadores locais e um cartão amarelo para o atacante.

 

No entanto, o clima piorou quando o jogo estava parado para o recomeço. Vini Jr. denunciou ter sido chamado de "macaco" pelo jogador Prestianni. O árbitro François Letexier acionou o protocolo da UEFA, paralisando o confronto por 10 minutos sob forte tensão e objetos arremessados no gramado.

 

Filipe Luís vê episódio com Vinícius Júnior como “caso isolado” e alerta Prestianni: "Se disse, tem que pagar"
Foto: Reprodução / Flamengo TV

Após a derrota do Flamengo para o Lanús pela Recopa Sul-Americana, na última quinta-feira (19), o técnico Filipe Luís viu o foco da entrevista coletiva se deslocar momentaneamente do gramado argentino para a Europa. O treinador foi questionado sobre o recente caso de acusação de racismo envolvendo o atacante brasileiro Vinícius Júnior e o meia argentino Gianluca Prestianni, ocorrido durante o duelo entre Benfica e Real Madrid pela Liga dos Campeões.

 

Filipe adotou um tom equilibrado, separando  conduta individual, mas ao mesmo tempo cobrando punições caso o crime seja comprovado.

 

Mesmo diante da rivalidade histórica entre brasileiros e argentinos, e logo após um jogo tenso em Lanús, o técnico rubro-negro fez questão de elogiar o país vizinho. Para ele, o episódio ocorrido em Lisboa não deve ser usado para rotular o povo argentino.

 

"Sempre fui muito bem tratado aqui. Adoro a Argentina, sou muito feliz aqui, muito bem recebido. Só tenho boas palavras para falar da Argentina. Um caso isolado destes não influencia nada do que penso deste país, que é tão lindo", afirmou o comandante flamenguista.

 

Sobre o incidente específico no Estádio da Luz, Filipe Luís comentou a dificuldade de julgamento quando não há provas audiovisuais claras, mas ressaltou que esconder a fala pode ser um indício negativo. O treinador defendeu que, se o insulto racial de fato aconteceu, o responsável deve sofrer as consequências.

 

"Prestianni tapou a boca, não o deveria ter feito e isso gera todo este alvoroço. Agora é a palavra de um contra o outro. É muito delicado. Se o disse, tem de pagar, mas, repito, é a palavra de um contra outro e não sou eu que posso julgar", ponderou o técnico.

 

Atualmente, a UEFA analisa o relatório da arbitragem e as provas enviadas pelo Real Madrid,  enquanto Prestianni nega e Benfica negam a acusação. 

 

Por enquanto, o técnico do Flamengo volta suas atenções para o Rio de Janeiro, onde precisará reverter o placar contra o Lanús na próxima semana para garantir o título da Recopa.

“Não está sozinho”: CBF envia carta às entidades máximas do futebol em apoio a Vini Jr
Fotos: Divulgação | Reprodução

Em cartas enviadas à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e à União das Associações Europeias de Futebol (Uefa) nesta quinta-feira (19), a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pediu rigor das entidades na punição aos envolvidos em um novo caso de racismo cometido contra Vinicius Jr.

 

No documento, assinado pelo presidente Samir Xaud, a CBF reforçou que espera que a Fifa monitore o caso, enquanto a Uefa deve adotar todas as medidas necessárias para identificar e punir os culpados pelas injúrias raciais.

 

À Fifa, a CBF agradeceu o gesto público de solidariedade de seu presidente, Gianni Infantino, e enalteceu as mudanças nos artigos 15 e 30 do código disciplinar da entidade, que oferecem novos mecanismos para combater e erradicar a discriminação no futebol. À Uefa, a confederação brasileira destacou que a instituição europeia tem sido uma das líderes no combate ao racismo, com políticas criadas para prevenir e punir condutas discriminatórias.

 

A entidade pontuou ainda o Artigo 2º do estatuto europeu, que estabelece como objetivo promover o futebol sem qualquer forma de discriminação, e o Artigo 7º-bis, que reforça que seus filiados devem implementar medidas efetivas para coibir ofensas raciais por meio de políticas de prevenção e punições severas.

 

A CBF enviou também um pedido formal para que a Uefa investigue, de forma minuciosa, os atos cometidos contra o jogador brasileiro. “Que leve em consideração o testemunho da vítima e das pessoas presentes, para identificar e punir de maneira exemplar os envolvidos no episódio”, escreveu a entidade brasileira.

 

 

RELEMBRE O CASO

Na última terça-feira (17), na partida entre Benfica e Real Madrid no Estádio da Luz, em Lisboa, pela Champions League, o jogador brasileiro relatou ao árbitro François Letexier uma fala racista de Gianluca Prestianni, jogador do time português, logo após celebrar um gol marcado. Além do brasileiro, as ofensas foram presenciadas por outros atletas do Real Madrid.

 

O árbitro ativou o protocolo antirracismo da Fifa, interrompendo momentaneamente o jogo e informando o ocorrido ao estádio. A ativação do protocolo desencadeou uma série de abusos racistas por parte de alguns torcedores presentes, que ofenderam o brasileiro e reproduziram sons de macaco, conforme reportado por jornais europeus.

Real Madrid entrega provas de racismo contra Vini Jr. à UEFA após jogo contra o Benfica pela Champions
Foto: Reprodução / RM4

O Real Madrid deu um passo oficial nesta quinta-feira (19) para cobrar punições após o atacante Vinícius Jr. ser alvo de ofensas racistas em Portugal. O clube enviou à UEFA todas as imagens e evidências que possui sobre os ataques sofridos pelo brasileiro durante a vitória contra o Benfica, em Lisboa, pela Champions League. O time espanhol exige rigor na investigação do episódio, que envolve tanto a torcida quanto um jogador adversário.

 

 

 

A denúncia aponta que o atacante teria sido insultado por Prestianni, do Benfica, logo após marcar o gol da vitória. O caso fez com que o árbitro francês François Letexier interrompesse a partida por dez minutos, seguindo o protocolo de combate ao preconceito da entidade europeia.

 

Em comunicado oficial, o Real Madrid reforçou que não aceitará o que chamou de "episódios inaceitáveis" e agradeceu a onda de solidariedade que o camisa 7 recebeu de diversas partes do mundo.

 

"O Real Madrid CF anuncia que hoje forneceu à UEFA todas as provas disponíveis relativas aos incidentes ocorridos na última terça-feira, 17 de fevereiro, durante o jogo da Liga dos Campeões que a nossa equipe disputou em Lisboa contra o Benfica.

 

Nosso clube cooperou ativamente com a investigação aberta pela UEFA após os episódios inaceitáveis de racismo ocorridos durante aquela partida.

 

O Real Madrid agradece o apoio unânime, o carinho e o afeto que o nosso jogador Vinicius Jr. tem recebido de todos os setores do futebol mundial.

 

O Real Madrid continuará trabalhando, em colaboração com todas as instituições, para erradicar o racismo, a violência e o ódio no esporte e na sociedade."

 

 

ENTENDA O CASO
Tudo começou no segundo tempo, quando Vini Jr. fez o gol e comemorou perto da torcida portuguesa. O gesto deu início a um empurra-empurra entre os jogadores e o brasileiro acabou levando cartão amarelo. No meio do tumulto, o atacante relatou ter ouvido as ofensas e avisou imediatamente à arbitragem.

 

Enquanto o jogo estava parado, astros como Kylian Mbappé e Tchouaméni cercaram o colega em sinal de apoio. Até o técnico do Benfica, José Mourinho, foi visto conversando com Vinícius durante a paralisação.

 

Mesmo com o jogo reiniciado, a pressão continuou. Sempre que Vinícius Jr. ou Mbappé tocavam na bola, eram vaiados pela torcida do Benfica, que chegou a arremessar objetos no gramado. Agora, o futuro do caso depende do relatório do árbitro e da análise das provas enviadas pelo Real Madrid, que podem resultar em multas pesadas ou interdição de setores do estádio em Lisboa.

Equipe de Milena, do BBB 26, faz alerta sobre ataques racistas a participante nas redes sociais
Foto: TV Globo

A equipe de Milena, participante do BBB 26, se pronunciou nas redes sociais após a Pipoca ser alvo de ataques racistas. De acordo com a equipe jurídica, as redes da cuidadora estão sendo monitoradas para identificar ataques que ultrapassem os limites da liberdade de expressão. 

 

Segundo o comunicado, foram encontrados registros de ofensas à honra, injúrias raciais e ameaças contra a sister.

 

Os representantes de Milena ainda ressaltaram a distinção entre o debate público e a prática de ilícitos, e pontuaram que permanecerão vigilantes durante toda a permanência de Milena no reality.

 

"A equipe jurídica da Tia Milena informa que tem identificado publicações nas redes sociais que extrapolam o direito de opinião e, em tese, configuram crimes, como ofensas à honra, injúrias raciais e ameaças. Críticas são legítimas e não configuram crime. Todas as postagens com conteúdo ilícito estão sendo registradas e serão encaminhadas às autoridades competentes para apuração. Nosso objetivo não é prejudicar ninguém, mas garantir que a lei seja respeitada e que cessem os ataques criminosos. Seguiremos atentos e adotaremos todas as medidas legais cabíveis."

Mourinho critica postura de Vini Jr. após denúncia de racismo: "Acabou com o jogo"
Foto: Reprodução/Instagram

José Mourinho adotou um discurso crítico diante da denúncia de racismo feita por Vinícius Júnior no confronto entre Benfica e Real Madrid, pelos playoffs da Liga dos Campeões da UEFA. O atacante brasileiro marcou um golaço, comemorou com uma dança perto da bandeirinha de escanteio e, na sequência, acusou Gianluca Prestianni de um suposto ato racista.

 

Mesmo após a denúncia, Mourinho evitou classificar o episódio como racismo e preferiu concentrar suas críticas na postura do jogador após o gol. Na avaliação do treinador, há versões conflitantes sobre o que aconteceu em campo.

 

“Uma coisa é o que Vinicius diz, outra coisa é o que diz o Prestianni. São coisas completamente diferentes”, afirmou à TNT. Ele ressaltou ainda que conversou com o brasileiro de forma independente, sem a intenção de defender o clube português.

 

Para Mourinho, a comemoração acabou elevando a tensão no estádio. “Quando se faz um gol daqueles, sai em ombros. Não se vai mexer com o estádio adversário, que é o coração do rival. Como dizem na Espanha, quem marca um gol desses corta o rabo, corta a orelha e sai em ombros. Não acaba com o jogo. E ele acabou com o jogo”, declarou o treinador português. 

Benfica sai em defesa de Prestianni após acusação de racismo contra Vini Jr.
Foto: Reprodução

O Benfica se manifestou publicamente em apoio a Gianluca Prestianni depois da denúncia feita por Vinícius Júnior durante o confronto entre Benfica x Real Madrid, na última terça-feira (17), pelos playoffs da Liga dos Campeões. Em duas postagens nas redes sociais, o clube português reforçou a versão do argentino e contestou as acusações.

 

Na primeira publicação, os Encarnados divulgaram o comunicado de Prestianni, no qual o jogador afirma que não proferiu qualquer insulto racista contra o brasileiro e lamenta que suas palavras tenham sido interpretadas de forma equivocada. Na legenda, o clube escreveu “Juntos, ao teu lado”, em sinal de respaldo ao argentino.

 

 

Horas depois, o Benfica voltou a se pronunciar, desta vez com um vídeo. Na publicação, o clube sustenta que, pela distância entre os atletas, seria impossível que jogadores do Real Madrid tivessem ouvido qualquer suposta ofensa. “Como demonstram as imagens, dada a distância, os jogadores do Real Madrid não podem ter ouvido o que andam a dizer que ouviram”, diz o texto divulgado.

 

 

A denúncia ocorreu após Vinícius Júnior marcar um golaço e comemorar com uma dança próximo à bandeirinha de escanteio. Em seguida, o camisa 7 do Real Madrid comunicou ao árbitro que teria sido alvo de ofensas racistas por parte de Prestianni e de torcedores do time português.

 

O árbitro acionou o protocolo antirracismo, interrompendo o jogo por cerca de dez minutos até que a situação fosse controlada. Durante o episódio, Vini ainda recebeu cartão amarelo pela comemoração.

VÍDEO: Torcida do Benfica é flagrada fazendo gestos racistas contra Vini Jr.
Foto: Reprodução/X/@AlbertOrtegaES1

Além da denúncia de racismo feita por Vinícius Júnior contra o argentino Gianluca Prestianni, a partida entre Benfica e Real Madrid, na última terça-feira (17), pelos playoffs da Liga dos Campeões, também ficou marcada pelo flagrante de torcedores do clube português fazendo gestos racistas em direção ao atacante brasileiro.

 

A confusão começou logo após Vini balançar as redes e comemorar próximo à bandeirinha de escanteio, diante da torcida portuguesa. O gesto inflamou o ambiente e rendeu cartão amarelo ao camisa 7, aplicado pelo árbitro francês François Letexier. Na sequência, o brasileiro acusou o argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, de tê-lo chamado de “mono”, termo pejorativo equivalente a “macaco” em espanhol, supostamente dito com a boca coberta pela camisa.

 

 

Após a partida, Prestianni usou as redes sociais para negar qualquer atitude racista contra Vinícius Júnior. Em publicação, o jogador afirmou que houve um mal-entendido em campo e rejeitou a acusação feita pelo brasileiro.

 

Nesta quarta-feira (18), a Uefa confirmou a abertura de um processo para apurar possível conduta discriminatória. Em nota oficial, a entidade informou que designou um inspetor de Ética e Disciplina para conduzir a apuração. 
 

Uefa abre investigação após denúncia de racismo envolvendo Vinicius Júnior
Foto: Reprodução/Instagram

A UEFA confirmou a abertura de um processo para apurar possível conduta discriminatória na partida entre Benfica e Real Madrid, válida pelo playoff do mata-mata da Liga dos Campeões, na última terça-feira (17). O duelo terminou com clima tenso após denúncia feita por Vinícius Júnior contra o argentino Gianluca Prestianni. 

 

Em nota oficial, a entidade informou que designou um inspetor de Ética e Disciplina para conduzir a apuração. 

 

“O inspetor de Ética e Disciplina da Uefa foi nomeado para investigar alegações de comportamento discriminatório”, diz o comunicado, que acrescenta que novas atualizações serão divulgadas oportunamente.

 

A confusão começou no segundo tempo, quando Vini Jr afirmou ter sido alvo de racicmo por parte de Prestianni. Segundo o atacante do Real, o comentário feito pelo adversário teve teor racista. O jogador do Benfica nega a acusação e sustenta que houve um mal-entendido.

 

O protocolo antirracismo da Uefa foi acionado e a partida ficou paralisada por cerca de 11 minutos. O árbitro francês François Letexier interrompeu o jogo e seguiu os procedimentos previstos pela entidade.

 

Companheiros de Vinícius no Real Madrid, entre eles Kylian Mbappé, afirmaram ter ouvido o comentário direcionado ao brasileiro. Imagens da transmissão mostraram Prestianni cobrindo a boca com a camisa enquanto falava com o atacante.

 

O episódio ocorreu pouco depois de Vini Jr marcar o gol que abriu o placar. Na comemoração, ele celebrou próximo à bandeirinha de escanteio, em direção ao setor ocupado pela torcida do Benfica, e acabou advertido com cartão amarelo por celebração considerada excessiva. Logo em seguida, o brasileiro procurou a arbitragem para relatar o suposto insulto, dando início à aplicação do protocolo.

Argentino do Benfica nega ofensa racista contra Vini Jr.: “Ele interpretou mal”
Foto: Reprodução/Instagram

O argentino Gianluca Prestianni usou as redes sociais para negar qualquer atitude racista contra Vinícius Júnior durante a vitória do Real Madrid sobre o Benfica, na última terça-feira (17), em Lisboa, no Estádio da Luz, pela partida de ida dos playoffs da Liga dos Campeões. Em publicação, o jogador afirmou que houve um mal-entendido em campo e rejeitou a acusação feita pelo brasileiro.

 

“Quero esclarecer que em nenhum momento dirigi insultos racistas contra o jogador Vinicius Junior, que, infelizmente, interpretou mal o que pensou ter ouvido. Nunca fui racista com ninguém e lamento as ameaças que recebi de jogadores do Real Madrid”, escreveu o atleta do clube português.

 

Foto: Reprodução/Instagram

 

A declaração veio após Vini Jr. denunciar ao árbitro francês François Letexier que teria sido chamado de “macaco” após o brasileiro marcar um golaço para abrir o placar para o Real Madrid diante do Benfica. 

 

O árbitro interrompeu o confronto e acionou o protocolo antirracismo da Uefa, cruzando os braços em “X” e conversando com os jogadores envolvidos. Após alguns minutos de paralisação, o jogo foi retomado e terminou com triunfo merengue por 1 a 0.

 

Vinícius também se manifestou nas redes sociais, afirmou que episódios como esse não são novidade em sua trajetória e criticou a condução do protocolo em campo. O caso deverá ser analisado pelas autoridades da Uefa.

 

Foto: Reprodução/Instagram

Perfil de Lilica Rocha, filha de Leandro do BBB 26, é derrubado nas redes sociais
Foto: Instagram

O perfil de Lilica Rocha, cantora e filha de Leandro Rocha, o Boneco, participante do Big Brother Brasil 26, foi derrubado das redes sociais. 

 

Por meio de nota divulgada pela equipe de Boneco, foi informado que o perfil de Lilica, talento infantil e que irá se apresentar no Carnaval de Salvador, vem sofrendo ataques e boicote.

 

"A derrubada de contas de participantes e de seus familiares é uma atitude extremamente perigosa, que precisa ser tratada com seriedade por todos, porque o que está acontecendo nas redes é grave, irresponsável e já passou de todos os limites", diz o comunicado.

 

 

A equipe ainda informou estar atenta a situação e agradeceu ao apoio. "Seguiremos firmes, atentos e tomando as providências necessárias. Agradecemos as mensagens de apoio e reforçamos: isso não é normal e não pode ser naturalizado".

 

No final de semana, familiares de Leandro e Lilica denunciaram ataques racistas direcionados a filha de Boneco. Segundo a equipe do produtor cultural, apesar de Lilica não ter acesso ao conteúdo das redes sociais, a situação ainda é absurda e será tratada de forma judicial.

Equipe de Leandro Rocha, o Boneco do BBB, revela ataques racistas e ameaça de morte a filha do baiano
Foto: Instagram

O perfil do produtor cultural Leandro Rocha, o Boneco, confinado no BBB 26, compartilhou uma nota de repúdio aos ataques racistas que o baiano tem recebido nas redes sociais devido ao conflito com o veterano Jonas dentro da casa.

 

De acordo com os administradores do perfil de Leandro, os ataques passaram a atingir a filha do brother, Lilica Rocha. Entre as mensagens recebidas no Instagram estão ofensas racistas como "macaco", além de chamarem Lilica, uma criança de 11 anos, de imatura, e ameaçarem a garota de morte.

 

 

"Os ataques direcionados ao Leandro já são graves e inaceitáveis. A situação se torna ainda mais preocupante quando essas agressões chegam à Lilica, sua filha, que é uma criança. Os prints publicados aqui, enviados à conta de Lilica, são apenas alguns exemplos do que vem acontecendo nos últimos dias. Estamos falando de xingamentos, discursos de ódio e até ameaças de morte dirigidas a uma menina e ao seu pai", disse.

 

De acordo com a equipe de Leandro, apesar de Lilica não ter acesso ao conteúdo das redes sociais, a situação ainda é absurda e será tratada de forma judicial.

 

"Isso já não é rivalidade de torcida. É crime e as pessoas responsáveis por esses ataques terão de responder judicialmente. Lilica não tem acesso a esse conteúdo. Suas redes são acompanhadas de perto pela mãe, que tem feito o possível para preservá-la desse ambiente."

 

A equipe do produtor cultural afirmou ter registrado boletins de ocorrência e garantiu estarem bem assessorados juridicamente. 

 

"Diante da gravidade do que está acontecendo, boletins de ocorrência já foram registrados e as medidas legais estão sendo tomadas. Ataques, ameaças, calúnia, difamação e violência online são crimes, especialmente quando envolvem crianças, e serão tratados como tal."

Alice Portugal assume presidência da Comissão de Direitos Humanos e deve priorizar combate ao feminicídio
Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Debater e combater o feminicídio, a violência, o racismo estrutural e diversas outras chagas crônicas que atormentam o dia a dia da sociedade brasileira. Esses são alguns dos objetivos da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) como presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade da Câmara.

 

A deputada baiana foi eleita por unanimidade, nesta semana, como a nova presidente da comissão para o período de fevereiro deste ano ao final de janeiro de 2027. Alice Portugal está em seu sexto mandato consecutivo como representante da Bahia, e possui uma trajetória marcada pela luta em defesa dos direitos humanos, da justiça social e da igualdade. 

 

Ao assumir a presidência do colegiado, a deputada baiana disse que um dos principais focos da sua atuação está voltado para o combate ao feminicídio, que ela lamentou estar “ainda em números absurdos para uma nação democrática”. Alice lembrou o pacto nacional assinado na última quarta-feira (4) pelos presidentes dos três poderes, e prometeu amplificar o debate sobre o tema na comissão com a presença de especialistas nacionais e internacionais.

 

“O feminicídio é uma chaga social. Não à toa, nessa semana, os três poderes lançaram um pacto nacional contra o feminicídio, conclamando especialmente os homens a assumirem essa luta das mulheres. É uma campanha que tem como elemento nuclear todos por todas. A verdade é que a cada seis horas uma mulher é morta ou frontalmente agredida no Brasil, e isso é algo muito grave e que não tem precedentes na nossa história. Parece que no momento em que a mulher aprende a dizer não, e não é não, a resposta parece ser a morte”, disse a deputada sobre o drama do feminicídio crescente, em entrevista para a TV Câmara. 

 

Para a deputada, apesar de 2026 ser um ano com atividades reduzidas, por conta do calendário eleitoral, a comissão se esforçará em aproveitar esse primeiro semestre para acelerar o debate e apreciação de projetos sobre feminicídio, racismo, violência, exclusão e todas as formas de descriminação. 

 

Além de debater e votar projetos de combate à violência, a deputada do PCdoB da Bahia defende que é preciso garantir também que se cumpra a legislação já existente que já busca proteger direitos e garantias individuais.

 

“Ao mesmo tempo em que a denúncia sobre o feminicídio pode se dar através de debates, campanhas educativas, seminários nos estados, nós também podemos fazer toda uma movimentação pelo cumpra-se. É necessário cumprir integralmente o que já temos de legislação”, disse a deputada.

 

“Essa Câmara produziu muita legislação. A Lei Maria da Penha é um dos diplomas legais mais completos do mundo no combate à violência, mas ela é talvez cumprida em 30%. Então é preciso buscar elementos orçamentários para garantir que o Poder Judiciário tenha as varas necessárias, para garantir que o Poder Executivo possa, através dos estados, instalar as delegacias especializadas no combate à violência”, completou Alice.

 

Em seus seis mandatos na Câmara, Alice Portugal se destacou por possuir uma trajetória marcada pela luta em defesa dos direitos humanos, da justiça social e da igualdade. A atuação da deputada, principalmente no enfrentamento a todo e qualquer tipo de desigualdade social, preconceito, racismo, intolerância religiosa e violência, além da defesa dos trabalhadores, se valeu ser incluída por diversos anos como uma das 100 parlamentares mais influentes do Parlamento, de acordo com o estudo do Diap “Os Cabeças do Congresso”.

 

“A Bahia segue contribuindo com lideranças que colocam a vida, a dignidade e a justiça social no centro da política. Seguimos juntos na luta por um Brasil mais justo, antirracista e igualitário”, concluiu a deputada Alice Portugal.
 

Após denúncia de racismo contra filhas, Saint-Maximin rescinde contrato com o América do México
Foto: Reprodução / Instagram / @st_maximin

A passagem do atacante francês Allan Saint-Maximin pelo futebol mexicano chegou ao fim no último sábado (30). O jogador, de 28 anos, acertou sua saída do América do México mesmo tendo vínculo contratual até junho de 2027. A decisão ocorre após o atleta tornar pública a denúncia de episódios de racismo sofridos por suas filhas no país.

 

 

O clube confirmou a rescisão por meio das redes sociais e publicou uma mensagem de despedida ao jogador. "Te desejamos muito êxito em seus futuros projetos", diz um trecho do comunicado divulgado no X (antigo Twitter). A postagem ultrapassou a marca de 3,2 milhões de visualizações em menos de 12 horas e gerou grande repercussão também no Instagram, onde acumulou milhares de comentários.

 

Saint-Maximin também se manifestou publicamente após o anúncio oficial. Em uma breve publicação, o francês agradeceu ao clube e aos torcedores. "Amo todos vocês", escreveu.

 

Horas antes da confirmação da saída, o América entrou em campo para enfrentar o Necaxa, em partida válida pelo Campeonato Mexicano. No aquecimento, os jogadores exibiram uma faixa com a mensagem “Não ao racismo”, enquanto atuaram com camisas que traziam a mesma inscrição, em sinal de apoio ao então companheiro de elenco.

 

Após o confronto, o técnico André Jardine comentou o episódio e lamentou a situação envolvendo a família do atleta. "Esta semana, foi um dos assuntos que tivemos que discutir. É uma pena. Ele é um grande jogador que estava bem no campeonato, que tem nível para jogar em qualquer liga do mundo", afirmou o treinador brasileiro, acrescentando que o francês “não conseguiu se adaptar” ao país.

 

 

Com passagens por clubes como Newcastle e Monaco, Saint-Maximin chegou ao América em agosto do ano passado e foi tratado como uma das contratações mais expressivas do futebol mexicano em 2025. Até o momento, o jogador não anunciou qual será o próximo passo de sua carreira após a saída do clube.

Luis Castro usa expressão de conotação racista ao analisar derrota no Gre-Nal: "Tivemos um dia negro"
Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

A derrota do Grêmio para o Internacional no Gre-Nal 449, disputado no último domingo (25), no estádio Beira-Rio, contou com desdobramentos além do resultado dentro de campo. O técnico Luis Castro passou a ser alvo de críticas após uma declaração de conotação racista feita durante a entrevista coletiva.

 

Ao analisar o revés no clássico, o treinador português afirmou que a equipe viveu um 'dia negro', expressão que gerou repercussão negativa nas redes sociais. Assista: 

 

 

"Vamos trabalhar eu acho que só há uma forma de seguir em frente é com trabalho. Não há outra forma. Não é lamentar, não é pôr a cabeça para baixo para os outros terem pena de nós. Foi um dia negro para nós. Foi um dia negro para nós, mas acabou", declarou Luis Castro.

 

Diante da repercussão, o comandante gremista utilizou suas redes sociais para se manifestar e pedir desculpas pelo termo empregado, ressaltando que não houve qualquer intenção de cunho racial ou ofensivo em sua fala.

 


Foto: Reprodução / Instagram

 

Castro chegou ao comando do Grêmio nesta temporada e desde então, foram cinco jogos disputados com três vitórias e duas derrotas. Ele estava no futebol árabe desde 2023, quando deixou o Botafogo para treinar o Al-Nassr, time do conterrâneo Cristiano Ronaldo. Seu último time foi o Al Wasl. 

 

Apesar do episódio, o Imortal já volta as atenções para o próximo compromisso na temporada. Luis Castro estará à beira do campo nesta quarta-feira (28), quando o Tricolor Gaúcho enfrenta o Fluminense, no Maracanã, às 19h30, pela primeira rodada da competição nacional.

Justiça inglesa condena torcedor do Liverpool por ofensas racistas contra Rodrigo Muniz
Foto: Reprodução/Instagram (@r.muniz)

A Justiça da Inglaterra condenou um torcedor do Liverpool por ataques racistas dirigidos ao atacante brasileiro Rodrigo Muniz, do Fulham. Harry Brown, de 25 anos, foi proibido de frequentar estádios no país por três anos e sentenciado a cumprir 150 horas de trabalho comunitário não remunerado.

 

Segundo a decisão judicial, em dezembro de 2024 o torcedor enviou ao menos duas mensagens diretas ao jogador por meio das redes sociais, com conteúdo racista e ameaçador. Entre as ofensas registradas no processo estão as expressões: “Escravo f...” e “Espero que sua família se machuque”.

 

Os ataques ocorreram após Muniz marcar um dos gols do Fulham no empate por 2 a 2 com o Liverpool, em Anfield, no dia 14 de dezembro, pela 16ª rodada do Campeonato Inglês 2024/25. Meses depois, em abril, o atacante voltou a balançar as redes contra o mesmo adversário, ao anotar o terceiro gol da vitória por 3 a 2 em Craven Cottage, pela 31ª rodada.

 

Formado nas categorias de base do Flamengo, Rodrigo Muniz foi contratado pelo Fulham em 2021. Pelo clube inglês, soma 27 gols em 105 partidas. Na atual temporada, o jogador de 24 anos sofreu duas lesões musculares consecutivas e não entra em campo desde novembro.

 

Em nota divulgada em seu site oficial, o Fulham afirmou que o clube e o atleta agradecem pelo “trabalho e apoio da Premier League, da Unidade de Polícia do Futebol no Reino Unido e das polícias de Cumbria e Região Metropolitana desde o momento em que o abuso racial foi reportado na temporada passada”.

 

“A sentença de hoje envia uma mensagem clara e forte de que nenhuma forma de abuso será tolerada. Também é um lembrete de que abusadores online pode sofrer sérias consequências e de que não haverá proteção nem esconderijo para pessoas que postam comentários de ódio”, diz o comunicado.

Turista do Rio Grande do Sul é detida por racismo contra funcionária em show do É o Tchan
Foto: Ilustrativa / Fernando Barbosa – ASCOM/IPAC

Uma turista do Rio Grande do Sul foi detida por cometer racismo contra a funcionária do bar que prestava serviços no show do grupo É o Tchan. O episódio ocorreu na noite desta quarta-feira (21), no Pelourinho. 

 

O Grupo É o Tchan realizou show aberto ao público em geral, gratuito, na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba. Por volta das 22h50, a suspeita, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, teria cuspido na jovem que estava trabalhando e proferiu ofensas de cunho racial . Após o ato, ela foi retirada do local com ameaças de agressão por parte do público que presenciou o crime.

 

A tursita gaúcha foi conduzida até a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). Ao chegar na delegacia, a investigada ainda solicitou ser atendida por um delegado de pele branca. A suspeita segue custodiada.

Em nota, o grupo musical alegou que  teve conhecimento do caso na manhã desta quinta (22). "O É o Tchan se solidariza com a vítima e reforça que não compactua, não apoia e repudia veementemente o racismo", diz o comunicado.

Polícia investiga possíveis casos de racismo em clássico entre Athletico-PR e Coritiba
Foto: Reprodução/Instagram (@arenadabaixada)

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) instaurou investigação para apurar três denúncias de racismo registradas nas arquibancadas da Arena da Baixada durante o clássico entre Athletico e Coritiba, disputado no último sábado, pelo Campeonato Paranaense. A apuração é conduzida pela Delegacia Móvel de Atendimento a Futebol e Eventos (Demafe).

 

Em nota enviada ao ge, a PCPR informou que “está atuando para identificar os envolvidos, que serão chamados para prestar depoimento” e que “segue as diligências para esclarecer os casos”. Segundo a corporação, “as investigações tiveram início quando a PCPR tomou conhecimento das imagens vinculadas nas mídias sociais e pela imprensa”.

 

Também por meio de comunicado oficial divulgado nesta quarta-feira, o Athletico afirmou ter identificado os suspeitos que aparecem nas imagens. De acordo com o clube, os torcedores não integram o quadro associativo, mas “as informações e imagens foram enviadas às autoridades competentes”.

 

“Os torcedores identificados não são sócios do clube. O Athletico Paranaense não tolera atitudes discriminatórias e reforça o compromisso de combater todo e qualquer tipo de preconceito dentro de seu estádio”, diz um trecho da nota.

 

Vídeos que circulam nas redes sociais mostram torcedores do Athletico fazendo supostos gestos de injúria racial. Parte do material foi reunida pela página Coletivo Coritibano, formada por torcedores do Coritiba.

 

Dentro de campo, o Coritiba venceu o Athletico por 1 a 0, com gol de Lucas Ronier no segundo tempo, em partida válida pela quarta rodada do Campeonato Paranaense.

 

A súmula da arbitragem também registrou incidentes nas arquibancadas. Segundo o documento, “em diversos momentos e em diferentes setores do estádio, a torcida mandante arremessou copos plásticos, sacos de pipoca, lata de cerveja e garrafas de água plásticas em direção aos jogadores da equipe visitante (em campo não pudemos perceber se algum desses objetos acertou algum desses jogadores)”.

 

Ainda conforme o relato, “esses arremessos aconteceram aos 35 minutos do 1° tempo durante cobrança de escanteio, aos 2 minutos do 2° tempo na comemoração de gol, aos 41 minutos do 2° tempo durante cobrança de escanteio e aos 48 minutos na cobrança de um tiro de meta”. A súmula acrescenta que “o sistema de som em todas as vezes alertou a torcida sobre arremessos de objetos para dentro do campo”.

Promotora baiana relata assédio e violência racial enquanto corria na orla de Salvador: “Você é preta e não quer elogio?”
Foto: Divulgação

Em um relato feito através das redes sociais na terça-feira (20), a promotora de justiça da Bahia, Lívia Sant’Anna Vaz, compartilhou uma experiência de assédio seguido de violência racial ocorrida durante uma corrida matinal na orla de Salvador.

 

Segundo o relato, ainda durante o aquecimento, enquanto caminhava com uma amiga, Lívia foi abordada por um homem que, vindo por trás, começou a proferir obscenidades. Ao perceber que as palavras eram dirigidas a ela, a promotora questionou: "É comigo o que você está falando?". A reação do homem foi imediata respondendo: "Você é preta e não vai aceitar um elogio meu? Qual é o problema em fazer um elogio?"

 

Veja relato:

 

 

 

A promotora fez questão de contextualizar que não estava entrando no mérito das classificações raciais brasileiras, mas destacou que a fala do agressor explicitou a motivação racista do ato. "Aqui não cabe mais a pergunta: 'Ah, será que se fosse uma mulher branca, ele teria reagido assim?' Ele disse: 'Você é preta'. Ou seja: eu posso, eu estou autorizado a lhe impor um elogio e você tem que aceitar", afirmou.

 

Após a negativa e a afirmação de Lívia de que não o conhecia, o homem seguiu adiante, mas continuou a perseguição de forma ameaçadora, voltando-se para trás repetidas vezes e proferindo palavras para as duas mulheres. O ápice da agressão, segundo a promotora, ocorreu quando ele desferiu um soco violento em uma lixeira presa a um poste. O gesto foi interpretado como uma demonstração de força bruta e uma intimidação clara.

 

Lívia Sant’Anna vinculou a experiência a uma reflexão mais ampla sobre a naturalização da violência contra as mulheres. Ela citou um caso recente divulgado pela pesquisadora Débora Diniz, envolvendo a atriz Paola Oliveira, que recebeu dezenas de buquês de um desconhecido em sua casa. "Não é galanteio, não é elogio, é assédio, é violência", ressaltou a promotora.

 

Ao final do desabafo a promotora também fez um apelo direto à sociedade: "Eu só queria fazer minha corrida, começar a minha semana bem, mas eu precisei vir aqui para pedir que nós deixemos de naturalizar todo e qualquer tipo de violência contra as mulheres. Infelizmente, nós, mulheres, não estamos seguras em lugar algum". O relato serve como um alerta contundente sobre a dupla vulnerabilidade enfrentada por mulheres negras no espaço público.

Oh Polêmico relata episódio de racismo em salão de beleza de Salvador: "Não é mimimi"
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O cantor Davison Nascimento, conhecido como Oh Polêmico, utilizou suas redes sociais, na última quarta-feira (7), para relatar um episódio de racismo que presenciou em um estabelecimento em Salvador, na terça-feira (6). Em uma série de stories, o pagodeiro relata ter escutado uma mulher afirmar que "odiava homens pretos". 

 

"Racismo não é brincadeira, racismo não é exagero, não é mimimi. Racismo machuca, desumaniza e mata todos os dias. Quando alguém chama um homem preto de 'macaco', isso não tá ofendendo só o indivíduo, não, essa pessoa tá atacando uma história inteira, uma identidade e uma existência. Racismo é crime, família", declarou o artista. 

 

O artista conta que foi acompanhar sua namorada, Giuliana, em um salão de beleza para fazer as unhas. Davison preferiu não falar o nome do estabelecimento e elogiou o atendimento das funcionárias e o local como um todo. Foi durante o atendimento no local, que chegou uma cliente, que teria proferido as frases racistas. 

 

 

 

"Ela sentou atrás de mim, ficou perto de mim e de Giuliana. E aí começou a falar várias coisas", explicou. "Não sei o que deu nessa pessoa, não sei, não conheço essa pessoa, mas daí ela começou a falar em voz alta pra gente escutar mesmo. Não sei se estava a fim de procurar algum problema", prosseguiu Polly. 

 

Oh Polêmico conta que preferiu se manter calado e também aconselhou a namorada a não falar nada "porque tem pessoas na internet que interpreta tudo ao contrário", mas que ficou "por dentro, revoltado". 

 

Dentre as declarações ditas pela mulher, segundo Polly, estavam "não gosto de homem preto", "tenho nojo de homem preto", "sou racista" e que a cliente chegou a citar o jogador de futebol Vini Jr. em meio as ofensas. "O namorado de Virginia? Aquele Vinicius Jr, o jogador? é um macaco". 

 

O cantor contou ainda que as funcionárias do salão tentaram retrucar a mulher, junto com a namorada. O artista afirmou ainda ter sido alvo de olhares desconfortáveis no aeroporto, antes de viajar à São Paulo para trabalhos, e ficou "ruim" durante a viagem. 

 

"Senti vontade de falar algumas coisas a ela ali, na educação, mas, entreguei ela nas mãos de Deus. Deus sabe de todas as coisas", declarou.

 

Em seus stories, Polly lembrou aos seguidores que racismo é crime e que é necessário se pronunciar sobre o tema e não deixar passar e que espera que a mulher aprenda a respeitar as pessoas negras. 

 

"Eu precisei respirar fundo depois de ouvir coisas que nenhum ser humano deveria ouvir. Não foi uma discussão, foi a exposição crua de um preconceito que ainda existe e insiste em se mostrar sem vergonha. O Racismo não aparece só na agressão física. Aparece quando alguém acredita que pode diminuir o outro pela corr da pele. Não é exagero. Não é vitimismo. É realidade. E enquanto a gente fingir que não vê, ele continua se fortalecendo", completou o artista. 

Novo técnico do Chelsea já criticou Trump por “ódio declarado” à população negra; entenda
Foto: Divulgação / Chelsea | Reprodução / Instagram / @realdonaldtrump

O recém-anunciado técnico do Chelsea, Liam Rosenior, passou a ser assunto nas redes sociais antes mesmo de comandar o time inglês em sua estreia oficial. Usuários resgataram um artigo publicado pelo treinador no jornal The Guardian, em junho de 2020, no qual ele faz duras críticas ao então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à onda global de protestos contra o racismo após a morte de George Floyd.
 

O texto, publicado no dia 5 de junho daquele ano, 11 dias após Floyd, um homem negro, morrer asfixiado durante uma abordagem policial em Minneapolis, foi escrito em formato de carta aberta e adota um tom fortemente irônico. À época, Rosenior atuava como auxiliar técnico do Derby County e utilizou o espaço para responsabilizar Trump pelo agravamento das tensões raciais no país.
 

No artigo, o treinador afirma que o então presidente demonstrava uma "atitude maligna e falta de consideração para com a população negra sobre a qual você governa" e sustenta que esse comportamento serviu como um catalisador para mobilizações sociais que extrapolaram as fronteiras dos Estados Unidos. Segundo Rosenior, as ações do governo norte-americano ajudariam a impulsionar mudanças estruturais não apenas no país, mas também em outras partes do mundo, incluindo o Reino Unido.

 

Em um dos trechos mais pessoais do texto, Rosenior menciona o impacto do contexto político em sua própria família. "Você é o motivo pelo qual minhas filhas – que são cidadãs americanas – me perguntam: ‘Por que o presidente odeia os negros?", escreveu.

 

Liam Rosenior é filho de Leroy Rosenior, ex-jogador britânico que recebeu o título de Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) por sua atuação no combate à discriminação no esporte. Leroy integrou a organização Show Racism The Red Card e teve passagens por clubes como Fulham, West Ham, QPR e Bristol City. Após encerrar a carreira como atleta, trabalhou como treinador e também comandou a seleção de Serra Leoa.
 

A seguir, o conteúdo do artigo escrito por Liam Rosenior, publicado originalmente no The Guardian, reproduzido na íntegra:

 

"Prezado Presidente Trump,

 

Sei que este é um período extremamente atarefado para você, entre partidas de golfe e tweets, mas espero que você se sinta encorajado por uma rara e bem-vinda carta de agradecimento de um homem negro em um momento tão inconveniente na história dos Estados Unidos da América.

 

Enquanto todos esses ‘animais’ estão se revoltando e saqueando as ruas por algo tão insignificante e sem importância quanto justiça e igualdade de direitos humanos para pessoas negras, e que, por alguma razão ridícula, parecem estar chateados com a polícia ‘fazendo seu trabalho’ ao aplicar um pouco de força física excessiva na prisão de mais um cidadão negro que posteriormente morreu sob sua custódia, percebi que ninguém lhe agradeceu pelo trabalho maravilhoso que você está fazendo.

 

Continue!

 

Tenho certeza de que um homem de seu vasto intelecto pode achar que meu sentimento tem um toque de sarcasmo, mas posso garantir que minha gratidão é genuína, pois o senhor se tornou, sem querer, o presidente mais influente da história dos Estados Unidos, por todos os motivos errados.

 

Obrigado por ser tão aberto e franco em sua atitude maligna e falta de consideração para com a população negra sobre a qual você governa.

 

Obrigado por não se curvar ao ‘politicamente correto’ e sequer fingir ter alguma empatia por quem não se parece com você ou não compartilha de suas visões ultrapassadas, vergonhosas e perturbadoras sobre a sociedade.

 

Obrigado por nos mostrar que qualquer um pode se tornar presidente (até você!) e por nos indicar o caminho a seguir, inspirando-nos (mesmo que sem querer) a promover mudanças duradouras, e não apenas um protesto pacífico apoiado por cliques vazios nas redes sociais. Isso é só o começo. Eu prometo.

 

Obrigado por dar visibilidade a pessoas ao redor do mundo que, infelizmente, desconheciam a situação do seu país e o estado em que ele se encontra há centenas de anos, e por expor as pessoas racistas, odiosas, intolerantes e violentas que não apenas votaram em você, mas que detêm a chave cultural para uma sociedade e um sistema injustos, corruptos e fundamentalmente preconceituosos desde a concepção dos EUA, construídos sobre o genocídio dos nativos americanos e a escravidão e o encarceramento de milhões de negros.

 

Obrigado por nos dar um inimigo tangível e simbólico (você e seus asseclas do ‘Make America Great Again’) contra o qual as pessoas agora têm combustível para se organizar, traçar estratégias e mobilizar um movimento e um processo duradouros para mudar nosso planeta para melhor.

 

Esses problemas existem desde a minha infância e ao longo das gerações anteriores, e como homem negro, minha maior dor, angústia e desânimo não vêm apenas de testemunhar essas atrocidades cometidas repetidamente contra o meu povo, mas também da falta de choque e da vívida dessensibilização acumulada ao longo dos anos, enquanto ouvia (e infelizmente acreditava) que ‘as coisas não vão mudar’.

 

Antes de você, tivemos presidentes que fecharam os olhos para isso, que não fizeram o suficiente e estavam ocupados demais atendendo aos desejos de corporações corruptas que os haviam pressionado para chegar ao poder. A diferença é que eles eram espertos o suficiente para lidar com a mídia e dizer a coisa certa em público, demonstrando apenas a dose certa de falsa compaixão em resposta a essas violações dos direitos humanos, a fim de apaziguar o número crescente de pessoas que, instintivamente, sabiam que era preciso haver mudança.

 

Você realmente reflete as opiniões e a ideologia de um grupo de pessoas que devemos e iremos superar.

 

Por isso, Senhor Presidente, agradeço-lhe sinceramente.

 

Liam Rosenior"

 

Rosenior foi contratado e anunciado pelo Chelsea nesta semana com contrato vigente até o fim da temporada de 2032. A chegada do treinador de 41 anos veio após o clube londrino ter demitido Enzo Maresca, técnico campeão da inédita Copa do Mundo de Clubes da Fifa 2025. 

 

O novo comandante dos Blues estava treinando o Strasbourg, clube que pertence ao mesmo consórcio de empresas, o grupo norte-americano BlueCo. Ele soma passagens também por Derby County e Hull City. 

VÍDEO: Ludmilla contesta Marcão do Povo após jornalista afirmar ter sido inocentado de processo por racismo
Foto: Reprodução / Redes Sociais

A cantora Ludmilla utilizou suas redes sociais, na última sexta-feira (19), para rebater afirmações do apresentador Marcão do Povo, do SBT, após o jornalista declarar ter sido inocentado do processo por racismo aberto pela artista em 2017. 

 

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A cantora afirma que o apresentador utilizou de uma “manobra” para “se livrar das consequências” de ter a chamado de “pobre macaca” durante um programa exibido em 2017. 

 

“A Justiça reconhece o racismo que ele cometeu contra mim, mas ele não vai pagar nada por isso. É uma manobra processual absurda, que eu estou indignada. Ele não vai cumprir os efeitos da decisão”, declarou Ludmilla. 

 

Na mesma publicação, a cantora pede por um posicionamento da emissora SBT, onde o apresentador comanda o programa “Primeiro Impacto”. “O SBT, que é uma emissora histórica e que sempre representou a pluralidade do Brasil, precisa saber que mantém em sua casa um apresentador condenado por racismo”, reforçou. 

 

 

 

A cantora garante ainda que tentará recorrer mais uma vez na justiça e que se encontra com “o estômago embrulhado” com a declaração de inocência do apresentador feita durante seu programa e com a recente decisão judicial. 
 

Diretor do IPAC relata episódio de racismo nas redes sociais: “Tentam desfazer da minha competência a partir do meu cabelo”
Foto: Reprodução / Redes sociais

O diretor do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), Marcelo Lemos relatou, nesta quinta-feira (11), um episódio de racismo sofrido por ele nas redes sociais. Em vídeo publicado em seu perfil, o gestor cultural conta que sofreu um ataque aos seus fenótipos negros após uma entrevista à Rádio Metrópole. 

 

O comentário destacado do ataque dizia: “O cara não cuida nem do próprio cabelo que dirá de algo tão complexo quanto este instituto e suas demandas… Ah, antes me chamem de racista, sou pardo como ele… a realidade é que visível que esse cara não tem estoufo para gerir algo tão complexo”. 

 

Na publicação, o diretor ressalta que compareceu ao Centro Policial de Cidadania e Diversidade (CPCD), unidade especializada da Polícia Civil que abriga a Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN), para a formalização da denúncia de injúria racial. 

 

“Tentaram questionar minha competência a partir do meu cabelo, da minha estética, da minha identidade. Não deixarei passar. Racismo é crime e o ambiente digital não é terra sem lei.”, escreveu Lemos na legenda. 

 

E completou: “Para construirmos uma sociedade verdadeiramente antirracista, precisamos enfrentar cada violência com firmeza, responsabilidade e coragem. Seguimos?????”

Yaya Touré volta a atacar Guardiola e insinua discriminação no Barça e no City: "Ele é o diabo"
Foto: Divulgação

Yaya Touré voltou a comentar publicamente a relação conturbada que teve com Pep Guardiola nos períodos em que trabalharam juntos no Barcelona e no Manchester City. Em entrevista ao canal espanhol Zack, repercutida pelo jornal Marca nesta semana, o ex-jogador afirmou que se sentiu afastado pelo treinador nas duas passagens e retomou suspeitas de discriminação.

 

Touré declarou que, na visão dele, Guardiola mantinha uma postura hostil desde os tempos de Barcelona. O marfinense contou que sua esposa também via o técnico de maneira negativa. 

 

"Minha esposa sempre me dizia sobre Guardiola: 'Ele é o diabo, não é um homem, é maligno'", afirmou. Ele descreveu a convivência como marcada por tensão: “Não vejo um homem, vejo uma cobra… Ele me tratou como se eu fosse pó."

 

Segundo o Marca, Touré relatou que a ruptura começou a ganhar forma quando perdeu espaço para Sergio Busquets no Barça. Na última temporada pelo clube catalão, disputou apenas nove partidas como titular. Ele disse ter acreditado que sua boa participação na Copa do Mundo de 2010 poderia mudar o cenário, mas declarou que permaneceu fora dos planos do treinador, o que culminou na transferência para o Manchester City.

 

A chegada de Guardiola ao clube inglês, em 2016, trouxe novas frustrações, de acordo com o ex-meio-campista. Touré afirmou que, mesmo após anos de protagonismo no time, voltou a ser deixado no banco. Ele disse ter analisado seus números físicos na tentativa de entender os motivos.

 

"Quando percebi que eram tão bons quanto, ou até melhores que, os dos jogadores mais jovens, entendi que não era um problema físico."

 

O marfinense também mencionou ter cogitado questões raciais: "Cheguei a me perguntar se era por causa da cor da minha pele. Não sou o único. Alguns jogadores do Barcelona também já se questionaram sobre isso."

 

Em outras ocasiões, seu então empresário, Dimitri Seluk, já havia feito críticas semelhantes ao treinador.

 

Touré encerrou a entrevista dizendo que pretende contestar a imagem pública construída ao redor de Guardiola e afirmou ter a sensação de que o técnico tentou limitar seu espaço no período final de sua passagem pelo City: "Tenho a sensação de que ele fez tudo o que pôde para arruinar minha última temporada."

La Liga denuncia insultos contra Vini Jr. e Asensio em Athletic x Real Madrid
Foto: Reprodução/Instagram (@vinijr)

A La Liga encaminhou ao Comitê de Competição da RFEF e à Comissão Antiviolência uma denúncia por ofensas dirigidas a Vinícius Júnior e Raúl Asencio durante a partida entre Athletic Bilbao e Real Madrid, disputada no estádio San Mamés. O relatório aponta que parte da torcida local proferiu insultos ao longo do jogo, com ataques reiterados a Vini Jr. e até ameaças direcionadas a Asencio.

 

A ocorrência integra o documento semanal produzido pela entidade, que reúne registros de cânticos ofensivos, intolerantes ou que estimulem violência nas arquibancadas. Segundo o texto, Vini Jr. chegou a reagir às provocações após repetidas hostilidades, situação também mencionada pelo goleiro Courtois. A La Liga afirma que os insultos partiram de um setor específico do estádio e ocorreram em mais de um momento da partida.

 

O relatório descreve da seguinte forma os episódios registrados:

 

"O grosso das denúncias se concentra no Athletic x Madrid, disputado ontem em San Mamés. Asensio e Vinicius, que terminou se defendendo diante da insistência, como denunciado por Courtois, foram o foco dos insultos por parte de uma parcela da torcida."

 

"Aos 19 minutos, um grupo de torcedores situados entre os setores 105 e 110 da Tribuna Norte Baixa, na nova Grada Popular de Animação e logo abaixo das faixas 'Íñigo Cabacas' e 'Herri Harmaila', entoou de forma coral e coordenada, por cerca de 10 segundos, o cântico: 'Tonto, tonto', dirigido ao jogador visitante Vini Jr."

STF reconhece violações sistêmicas contra população negra; entenda
Foto: Dorivan Marinho / STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu continuidade, nesta quinta-feira (27), ao julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 973, que discute uma eventual omissão do Estado no enfrentamento às violações de direitos da população negra. Até o momento, todos os oito ministros que votaram reconheceram a existência de racismo estrutural e de violações graves, embora haja divergências sobre a configuração de um "estado de coisas inconstitucional". O julgamento será retomado em data a ser definida.

 

Três votos já proferidos, os do relator, ministro Luiz Fux, e dos ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia, adotaram a tese do "estado de coisas inconstitucional". De acordo com essa doutrina, a situação se caracteriza por uma violação massiva, contínua e estrutural de direitos fundamentais que atinge um grande número de pessoas, exigindo atuações coordenadas dos Poderes do Estado para ser superada. Para essa corrente, há uma omissão estatal sistêmica, que demanda a adoção de um plano nacional de enfrentamento ao racismo com participação do Judiciário.

 

A ministra Cármen Lúcia defendeu que a comprovação do estado inconstitucional se dá pela "insuficiência de providências tomadas pelo poder público, que não ofereceu resposta adequada ao racismo histórico e estrutural". Ela afirmou que a Constituição Federal "precisa ser plena para negros e brancos, e para isso é preciso haver providências do poder público e da sociedade em geral".

 

Outros cinco ministros, Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, embora tenham reconhecido o racismo estrutural e as graves violações, não acolheram a tese do "estado de coisas inconstitucional". O entendimento comum entre eles é que existe um conjunto de medidas já adotadas ou em andamento para sanar as omissões históricas.

 

Para o ministro Cristiano Zanin, "se há políticas públicas sendo implementadas, não é o caso de se reconhecer um estado inconstitucional, mas uma situação de insuficiência de providências". Ele citou julgamentos anteriores do Tribunal, como a ADPF das Favelas e a ADPF sobre a Amazônia, onde o STF também não reconheceu a figura da omissão total.

 

O ministro André Mendonça concordou com a existência de racismo estrutural no país, mas ponderou que, a seu ver, "não está caracterizado o chamado racismo institucional". Em sua avaliação, o racismo está presente na sociedade, "mas não de forma institucionalizada".

 

Alexandre de Moraes acrescentou que, desde a Constituição de 1988, "houve avanços no combate ao racismo estrutural no âmbito dos três Poderes, com leis mais protetivas, a criação de estruturas e órgãos de promoção da igualdade racial e ações afirmativas". O ministro argumentou que "não se pode dizer que, ao longo desses 37 anos, tenha havido, por parte do Estado brasileiro, uma política voltada para a manutenção do racismo estrutural".

 

Apesar da divergência sobre o enquadramento jurídico, a totalidade dos votos proferidos até agora converge para o reconhecimento de violações sistêmicas e para a necessidade de o poder público adotar providências efetivas de reparação.

Caminho das Árvores, Pituba, Itapuã e Barra: Bairros de “alta renda” concentram casos de racismo em Salvador
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Um levantamento do Instituto de Segurança Pública, Estatística e Pesquisa Criminal (Ispe) realizou um apanhado dos casos de injúria racial registrados na Bahia entre 2022 e 2024. Conforme o estudo, as denúncias têm crescido, em média, 15% ao ano, chegando a 4.304 casos no somatório do período analisado. Salvador é a cidade com o maior número de registros, chegando a 1.301 vítimas, representando, aproximadamente, 30% do total.

 

Chamando de “racismo territorializado, conforme o Ispe, há um certo “padrão” nas acusações, geralmente, com sua maioria sendo concentrado em bairros de “alta renda” da capital baiana. O estudo aponta que Caminho das Árvores (129), Pituba (101), Itapuã (101) e Barra (96), juntos, chegam a 32,3% de todas as denúncias de racismo em Salvador entre 2022 e 2024.

 

“Esse crescimento pode indicar tanto maior conscientização e confiança nas denúncias quanto a continuidade das práticas discriminatórias naturalizadas. Em Salvador, bairros como Caminho das Árvores, Pituba, Brotas e Itapuã, registram mais vítimas. É urgente fortalecer políticas de educação antirracista, ampliar o acesso à informação e fortalecer os protocolos de atendimento e acolhimento às vítimas”, diz o estudo.

 

Os outros bairros destacados com uma maior quantidade de denúncias foram: Brotas (91), Rio Vermelho (66), Liberdade (54), Cabula (50), Centro (49) e Dois de Julho (47). Confira o mapa elaborado pelo estudo:


Casos de raciscmo por bairro em Salvador | Imagem: Reprodução / Ispe

 

O Ispe afirma que os casos ocorrem em situações de “zonas de convivência interclassista” e com “contrastes de poder, status e pertencimento racial”. Além disso, foi constatado que as denúncias ocorrem mais em residências, ambientes de trabalho e nas escolas. Sábado e domingo são os dias com maior concentração de casos, assim como a faixa de horário entre às 9h e 11h.

 

OS PERFIS
Sobre as profissões das vítimas, a maioria se tratava de estudantes (128), trabalhadores autônomos (52), aposentados (35) e professores (24). 52,73% dos denunciantes são mulheres, sendo a maior parte delas, cerca de 18%, tendo entre 24 e 35 anos. Ainda conforme o Ispe, cerca de 77% das vítimas são heterossexuais, aproximadamente 18% são homossexuais e 4,7% se identificam como bissexuais.

 

No estudo, foram identificados 1.255 supostos agressores. Destes, 31 são estudantes, 19 são aposentados e 14 são empresários e trabalhadores autônomos. Também há casos de comerciantes, advogados, seguranças e policiais militares denunciados. 252 supostos autores se identificaram como pardos, 236 como brancos, 119 como pretos e 7 como indígenas ou amarelos. 96,14% são heterossexuais, 2,8% homossexual e 1,05% bissexual.

 

METODOLOGIA
A fonte utilizada pelo Ispe foi o Sistema de Procedimentos Policiais Eletrônicos (PPE) da Polícia Civil da Bahia, integrado ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), consolidando os Boletins de Ocorrência (BOs).

 

Indicadores populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022) para contextualização territorial e cálculo de taxas.

 

A tipificação legal considerada foram os BOs tipificados como "Racismo/Injúria Racial", conforme a Lei nº 7.716/1989 e o artigo 140, §3º do Código Penal, atualizado pela Lei nº 14.532/2023 (que equiparou a injúria racial ao crime de racismo a partir de janeiro de 2023).

 

Para a consolidação dos dados, foram excluídos os BOs que sugeriam exclusivamente homofobia, transfobia, intolerância religiosa e xenofobia.

VÍDEO: Boca de 09 é vítima de racismo durante live nas redes sociais
Foto: TikTok

O influenciador digital Vinícius Oliveira Santos, conhecido como Boca de 09, foi vítima de racismo durante uma live nas redes sociais. 

 

No registro que ficou salvo pela plataforma, a cena acontece quando o baiano entra em uma conversa com uma mulher estrangeira. Durante a transmissão, a moça, que não teve o nome revelado, exibe imagens de macacos e aponta para o influenciador.

 

 

Surpreso com o comportamento da mulher, Boca de 09 grita durante o vídeo: "Me chamou de macaco, em live, em rede nacional, não acredito nisso".

 

A mulher ainda aponta para o nariz do jovem, que Boca de 09 interpretou como se ela tivesse chamado ele de "nariz de porco".

 

No Brasil, racismo é crime inafiançável e imprescritível, previsto na Lei nº 7.716/1989 e, mais recentemente, com a Lei nº 14.532/2023, a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo.

 

As penas para o racismo e a injúria racial podem variar, mas agora são mais rigorosas, com a possibilidade de reclusão de 2 a 5 anos para ofensas relacionadas à raça, cor, etnia ou procedência nacional.

Polícia Civil lança estudo sobre crimes de racismo
Foto: Divulgação

A Polícia Civil da Bahia lançou, nesta quarta-feira (19), o estudo "Quando a cor da pele define o alvo – Racismo, território e desafios para a sociedade baiana (2022–2024)". O documento, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública, Estatística e Pesquisa Criminal (ISPE), reúne e analisa aproximadamente 4,5 mil ocorrências relacionadas a crimes de racismo e injúria racial registradas nas delegacias do estado. O lançamento ocorreu durante um evento no Museu Eugênio Teixeira Leal, em Salvador, em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra.

 

O relatório, apresentado pelo responsável estatístico do ISPE, Evaldo Simões, examina a evolução desses crimes com base nos boletins de ocorrência. Conforme o estudo, o objetivo é oferecer informações para a tomada de decisões estratégicas pelos órgãos gestores e contribuir para o debate sobre os impactos do racismo na sociedade.

 

O diretor do ISPE, Omar Andrade Leal, destacou a finalidade do levantamento. "Iniciamos este estudo com base em dados criminais e estatísticos para compreender, de forma precisa, o cenário do racismo na Bahia. Ao analisar esses indicadores, conseguimos revelar onde e como esses crimes ocorrem, fornecendo à sociedade elementos que reforçam a necessidade de ações estruturadas, dignidade humana e políticas públicas mais efetivas", afirmou.

 

O delegado titular da Delegacia de Combate ao Racismo e Intolerância Religiosa (Decrin), Ricardo Amorim, enfatizou a utilidade do relatório para as investigações. "Este é um momento de reflexão sobre desigualdades, sobre os crimes de racismo e sobre como podemos enfrentá-los de maneira eficaz. Com o estudo apresentado, a Decrin poderá aprimorar sua atuação, identificando territórios mais afetados, orientando a população e fortalecendo o combate a essas práticas no estado", disse.

 

A diretora do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Vítimas de Violência (DPMCV), Juliana Fontes, reafirmou o compromisso institucional. "A atividade apresenta dados importantes para refletirmos sobre a luta constante pela Consciência Negra e conta com ações firmes do DPMCV, que não permitirá qualquer forma de preconceito, racismo ou intolerância. A dignidade humana é um direito universal, e a Polícia Civil não admitirá práticas discriminatórias", declarou.

 

O evento contou com a presença de representantes de diversas secretarias estaduais, como a da Igualdade Racial (Sepromi) e da Segurança Pública (SSP), além de entidades do movimento negro, lideranças religiosas e instituições como a Defensoria Pública e a Polícia Militar. O estudo completo está disponível para acesso público.

VÍDEO: Torcedores do Avaí proferem insultos racistas e xenofóbicos contra torcida do Remo na Ressacada
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um vídeo que passou a circular nas redes sociais na última segunda-feira (18) registra torcedores do Avaí protagonizando cenas de racismo e xenofobia, registradas no último sábado (15), durante o confronto com o Remo pela 37ª rodada da Série B, na Ressacada. As ofensas partiram de um grupo nas arquibancadas, liderado por uma mulher, e foram direcionadas aos torcedores paraenses que acompanhavam o time visitante. Assista: 

 

 

No vídeo, ela grita frases depreciativas sobre a cor da pele e a condição socioeconômica de torcedores do Remo, além de insultos com conotação regionalista. Mesmo diante da tentativa de um rapaz ao lado dela de interromper os ataques, a mulher segue com as ofensas.

 

A repercussão levou o Ministério Público de Santa Catarina a agir rapidamente: um procedimento administrativo foi instaurado, e ofícios foram enviados à Polícia Militar para localizar um eventual boletim de ocorrência e ao Avaí, que deverá auxiliar na apuração dos fatos. A súmula da partida, porém, não registra acionamento do protocolo antirracista da Fifa.
 

O Avaí se manifestou oficialmente, classificando o episódio como inaceitável, afirmando que já iniciou o processo para identificar a torcedora que aparece nas imagens e informou que ela será impedida de frequentar eventos do clube por tempo indeterminado. O Leão da Ilha também declarou que colaborará integralmente com as autoridades.

O Remo, por sua vez, lamentou publicamente o caso, descrevendo a cena como “repugnante” e cobrando que a situação não fique impune.
 

Leia abaixo abaixo as notas oficiais de Avaí e Remo na íntegra: 

Avaí:
"O Avaí Futebol Clube reitera seu posicionamento de repúdio inequívoco e total à conduta racista e xenófoba manifestada por uma torcedora durante a partida entre Avaí x Remo.
 

O racismo é um crime grave que não pode ser tolerado dentro ou fora dos estádios.
 

Por isso, queremos esclarecer à nossa torcida e à sociedade as ações que estão sendo tomadas e que reforçam nossa postura:
 

Identificação e Acompanhamento:

Tão logo tivemos ciência do ocorrido, iniciamos o processo de identificação da pessoa responsável. Estamos em total colaboração com as autoridades competentes para que as investigações sejam concluídas e as sanções legais, aplicadas.

Medidas Internas:

Após a identificação, a torcedora terá seu acesso aos eventos do clube, como jogos e atividades, imediatamente suspenso por tempo indeterminado.

 

Compromisso Social:

O Avaí não se exime de sua responsabilidade social. Reafirmamos nosso compromisso de promover ações e campanhas educativas para combater o racismo e todas as formas de discriminação. É nosso dever usar o alcance do futebol para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

 

O Avaí Futebol Clube é um espaço de paixão e união. Atos racistas de indivíduos não representam a grandeza e os valores da nossa torcida. Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista."

Remo:
"O Clube do Remo vem a público repudiar o episódio de xenofobia e injúria racial sofrido por torcedores azulinos na partida de sábado (15), diante do Avaí, no estádio da Ressacada, em Florianópolis, pelo Campeonato Brasileiro da Série B. 
 

Esse ato repugnante é uma clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune. O Clube do Remo não tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito e exige a punição dos envolvidos. 
 

O racismo e a xenofobia são crimes e precisam de uma resposta à altura da gravidade dos fatos ocorridos.  É preciso, ainda, reiterar o compromisso do Clube na luta contra qualquer tipo de discriminação, sendo tais condutas incompatíveis com os valores e história do clube que se orgulha de representar a região norte e, principalmente, o estado do Pará. 
 

A intolerância e o preconceito precisam ser combatidos, seja no esporte ou em qualquer lugar na sociedade."

 

O JOGO
Enquanto o caso repercutia fora das quatro linhas, o Avaí colocou fim à série invicta de oito jogos do Remo. O time de Florianópolis venceu por 3 a 1 e embolou a briga pelo acesso. Agora em quinto lugar, o Leão Azul — treinado por Guto Ferreira, velho conhecido da torcida do Bahia — terá um confronto direto com o Goiás, quarto colocado. Uma vitória coloca o Remo à frente do Esmeraldino, mas o clube ainda dependerá de um tropeço da Chapecoense para manter vivo o sonho de chegar à Série A.

Apenas um terço de prefeituras da Bahia conta com estrutura para políticas de igualdade racial, aponta IBGE
Cachoeira é das poucas com órgão / Foto: Reprodução / Bahia Econômica

A Bahia é o estado brasileiro com maior proporção de pessoas pretas (24,4%) e o segundo com mais pessoas pretas ou pardas (80,7%). No entanto, apenas 136 dos 417 municípios do estado contam com alguma estrutura administrativa de promoção à igualdade racial. As informações são da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2024 divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (31).

 

A proporção, embora superior à média nacional (23,9%), coloca a Bahia apenas na 9ª posição entre os estados brasileiros. Acre (81,8%), Amapá (75%) e Rio de Janeiro (46,7%) lideram o ranking. Santa Catarina (8,1%) e Tocantins (8,6%) amargam entre os últimos colocados.


Conforme o estudo, dos 136 municípios baianos com órgãos voltados à igualdade racial, apenas cinco contam com secretarias exclusivas para o tema. São os casos de Cachoeira, Campo Formoso, Itaguaçu da Bahia, Salvador e Saubara.

 

Em 89,7% dos casos, essas estruturas estão subordinadas a outras secretarias, principalmente à de Assistência Social. Em três em cada quatro cidades com órgãos dedicados ao tema (75,7%), existem programas ou ações voltados à população negra, índice acima da média nacional (67,2%).
 

 

A Bahia também se destaca pelo número de municípios com ações para quilombolas (63,2%) e povos de terreiro (61%). Por outro lado, apenas 20,6% dos municípios com estrutura de igualdade racial desenvolvem políticas para a população indígena, proporção abaixo da média nacional (28,5%).

 

O dado contrasta com o Censo 2022, que aponta a Bahia como o segundo estado com maior população indígena do país, com cerca de 230 mil pessoas distribuídas em 411 municípios.
 

FALTA DE ORÇAMENTO
Mesmo com 136 prefeituras atuando na área, somente 13 municípios baianos (3,1%) previram recursos orçamentários para políticas de igualdade racial em 2023. Apesar de pequena, a proporção foi superior à média nacional (1,8%).

 

Entre as cidades que destinaram verbas, apenas Alagoinhas, Camaçari, Feira de Santana e Salvador conseguiram executar mais de 90% do orçamento previsto. Outras, como Pojuca e Santa Bárbara, não aplicaram os recursos.


PROGRAMAS MAIS COMUNS
O tipo de ação mais adotado pelas gestões municipais foi o de promoção da igualdade racial e combate ao racismo, presente em 146 cidades (35%). Em seguida, vêm políticas de liberdade religiosa (22,8%) e educação para relações étnico-raciais (22,5%).

 

Mesmo assim, quase metade das prefeituras baianas (48,9%) não desenvolvem nenhuma política ou programa voltado à igualdade racial. Ainda assim, o estado apresenta um desempenho melhor que a média nacional (64,5%). 
 

DENÚNCIAS DE RACISMO
Em 134 dos 417 municípios (32,1%), há órgãos responsáveis por receber e acompanhar denúncias de discriminação racial, número próximo à média nacional (31,9%). O ranking é liderado por Rio de Janeiro (52,2%), Pernambuco (49,2%) e Alagoas (45,1%).

Jacobina denuncia racismo em jogo do Campeonato Baiano Sub-17
Foto: Divulgação/Jacobina

O Jacobina Esporte Clube denunciou um caso de racismo ocorrido durante a partida contra o Estrela de Março, no último sábado (25), pelo Campeonato Baiano Sub-17. De acordo com o clube, um jogador adversário teria ofendido um atleta do Jacobina com insultos racistas, chamando-o de “macaco”.

 

O árbitro da partida interrompeu o jogo após ser informado do ocorrido, seguindo o protocolo da Federação Bahiana de Futebol (FBF) para situações de discriminação. O Jacobina comunicou que o caso já foi levado às autoridades e que tomará todas as medidas cabíveis para responsabilizar o agressor.

 

O Jacobina Esporte Clube denunciou um caso de racismo ocorrido durante a partida contra o Estrela de Março, neste sábado (25), pelo Campeonato Baiano Sub-17. De acordo com o clube, um jogador adversário teria ofendido um atleta do Jacobina com insultos racistas, chamando-o de “macaco”.

 

O árbitro da partida interrompeu o jogo após ser informado do ocorrido, seguindo o protocolo da Federação Bahiana de Futebol (FBF) para situações de discriminação. O Jacobina comunicou que o caso já foi levado às autoridades e que tomará todas as medidas cabíveis para responsabilizar o agressor.

 

Em comunicado publicado nas redes sociais, o clube destacou que repudia veementemente qualquer forma de preconceito. “O Jacobina mantém seu compromisso com o respeito, a igualdade e o combate ao racismo. Não aceitaremos atitudes discriminatórias em hipótese alguma”, afirmou a nota.

 

VÍDEO: Jogador xinga rival de “macaco”, leva soco e é demitido
Foto: Reprodução/FPF TV

Um episódio de racismo marcou a partida entre Batel Guarapuava e Nacional-PR, disputada no último sábado (4), em Guarapuava, pela Taça FPF. Durante o jogo, o volante Diego, do Batel, chamou o zagueiro Paulo Vitor (PV), do Nacional, de “macaco” durante uma discussão em campo.

 

A ofensa gerou imediata reação de PV, que desferiu um soco no adversário. Diego caiu no gramado e precisou ser atendido por uma ambulância. O árbitro Diego Ruan Pacondes da Silva aplicou o protocolo antirracismo da FIFA, cruzando os braços em “X”, e registrou o ocorrido na súmula da partida. 

 

 

Apenas PV foi expulso, enquanto Diego permaneceu até o fim do jogo. O Batel venceu por 1 a 0, garantindo a classificação e eliminando o Nacional da competição. Após o confronto, PV desabafou nas redes sociais.

 

“Quero deixar minha indignação com o ocorrido do último jogo em que fui vítima de racismo. Não sou a favor da violência, mas parece que só assim eles sentem na pele. Quem é da cor vai entender minha reação. Espero que a justiça seja feita e que casos como esse — não só no futebol — sejam resolvidos e não julgados como vitimismo. Fogo nos racistas”, publicou.

 

 

Horas depois, o Batel Guarapuava anunciou a demissão imediata do volante Diego. Em nota oficial, o clube afirmou que o jogador “foi desligado de suas atividades e não integra mais o elenco profissional”. A diretoria declarou ainda “repudiar veementemente qualquer forma de preconceito, racismo ou discriminação” e reforçou o compromisso com “o respeito, a igualdade e os direitos humanos”.

Mulheres negras relatam caso de racismo em bar de Salvador após serem barradas na porta do estabelecimento
Foto: Reprodução / Redes Sociais

Duas mulheres negras relataram ter sido vítimas de racismo na porta do bar Pirambeira, localizado no bairro da Pituba, em Salvador, na noite do sábado (22). Em um vídeo publicado nas redes sociais, Eisa e a amiga, Aline, detalharam a sequência de eventos que as impediu de entrar no local, mesmo com clientes brancos tendo acesso liberado, segundo relato das duas.

 

De acordo com o vídeo, elas chegaram ao bar por volta das 18h e permaneceram na porta até as 21h sem conseguir entrar. "Nesse período houve várias pessoas que entraram no ambiente. Com várias justificativas e a gente não conseguir entender porque a gente não estava conseguindo entrar, sendo que várias pessoas que tinham chegado antes da gente ou depois da gente estavam entrando, estava tendo livre acesso ao local", afirmou Eisa.

 

A justificativa dada pela recepcionista era a de que não havia mesas disponíveis. As mulheres contestaram a informação. "A gente vendo que as pessoas estavam entrando mesmo sem mesa e ficando em pé", disse.

 

Eisa descreveu ter sido mal atendida ao questionar o motivo. "Fui muito mal recebida, muito mal atendida por um perfil de uma mulher branca, loira, que se recusou a ouvir a minha queixa ali naquele momento", afirmou. A mesma recepcionista, segundo o relato, teria então as convidado a entrar para verificar que o ambiente estava lotado.

 

De acordo com Eisa, ao entrar no local conseguiram encontrar um espaço. "Conseguimos uma mesa que gente poderia ficar, onde as pessoas também estavam em pé. Nesse momento o garçom se aproximou e a gente questionou, a gente disse: "Não, mas a gente pode ficar aqui, fomos convidadas, a gente pode ficar aqui. E o garçom falou: "Olha, só se ela permitir". Sendo que ela já tinha permitido que duas pessoas fizessem a mesma coisa antes", explicou Eisa.

 

Ainda em relato, as mulheres falaram que ao retornarem para a porta do estabelecimento, outras pessoas teriam comentado com elas. "Olha, quando vocês entraram, a outra recepcionista falou que a gente ainda tinha sorte de estar naquele local".

 

"O que para mim era só uma dúvida do que estava acontecendo ali, dos meus receios, já de não frequentar a Pituba, não frequentar outros bares, se confirmou. Não é por causa do dinheiro, porque o dinheiro elas não sabiam nem quanto a gente recebia. É por causa da cor", disse.

 

Na legenda da postagem Eisa reforçou: "Racismo não é mal-entendido, não é opinião: é crime". Ela ainda fez um apelo para que amigos e frequentadores do local reflitam sobre o ocorrido. "Hoje eu saí para me divertir e voltei chorando".

 

Veja relato:

 

 

Justiça condena farmácia por racismo em vídeo com ex-funcionária; empresa terá que indenizar mulher
Foto: Instagram

A rede de farmácias Raia Drogasil foi condenada a pagar R$ 56 mil em indenização a uma ex-funcionária, Noemi Ferrari, que foi vítima de ofensas racistas em seu primeiro dia de trabalho em 2018.

 

O vídeo do incidente viralizou recentemente nas redes sociais, após Noemi decidir divulgá-lo.

 

 

Na gravação, feita em uma unidade de São Caetano do Sul (SP), uma farmacêutica da empresa dá as boas-vindas a Noemi, e em tom de deboche, diz que a nova funcionária estava "escurecendo a nossa loja" e que a "cota" para pessoas negras tinha acabado. 

 

Noemi, que tinha 18 anos na época do ocorrido, relatou ter ficado em choque e chorou no banheiro.

 

Segundo a jovem, a perseguição continuou, e quando ela foi promovida, a gerente da primeira loja divulgou o vídeo novamente no grupo de trabalho de seus novos colegas. A profissional permaneceu na empresa até 2022, quando foi demitida.

 

Para a Justiça do Trabalho, o caso se enquadrou como racismo estrutural e recreativo. A juíza responsável pela decisão afirmou que o "racismo recreativo é tão ofensivo quanto qualquer outra prática discriminatória" e que a empresa falhou em proteger a funcionária.

 

Por meio de nota, a RD Saúde (novo nome da Raia Drogasil) lamentou o ocorrido e destacou seus investimentos em diversidade e inclusão, afirmando que 50% de seus cargos de liderança são ocupados por pessoas negras.

 

O Conselho Federal de Farmácia também repudiou o caso, reforçando que racismo é crime.

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Coronel Card passou tanto tempo ao lado do Cavalo do Cão que até o coração partido ele tentou imitar. Já o Cacique tentou um estilo diferente essa semana: o "venha a nós o vosso reino". Só faltou me contarem mesmo os detalhes mais íntimos da passagem de Marmotta por aqui. Já Lero anda mal na política e na vida pessoal, aparentemente. Saiba mais!

Pérolas do Dia

Solange Almeida

Solange Almeida
Foto: Reprodução Redes Sociais

"Cuidar de mim". 


Disse a cantora Solange Almeida ao surgir com um novo visual nas redes sociais e chamou atenção dos seguidores. A mudança feita pela cantora veio através de um procedimento estético.

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