Terreno de Wagner registrou valorização 115 vezes maior após criação da Via Metropolitana em seu governo
Por Redação
O terreno vendido pelo senador Jaques Wagner (PT) por R$ 15 milhões obteve uma valorização de 115 vezes após a inauguração da Via Metropolitana, rodovia criada pelo petista durante sua gestão no Governo da Bahia. A rodovia foi criada para ser um eixo de expansão da Região Metropolitana de Salvador.
Segundo a Folha de S.Paulo, o terreno tem 51 mil metros quadrados, o que seria equivalente a sete campos de futebol. O local foi comprado por Wagner em março de 2000, quando exercia seu mandato de deputado federal. Na época, o imóvel foi adquirido pelo valor de R$ 28 mil, cerca de R$ 130 mil em valores corrigidos.
No entanto, de acordo com a publicação, depois de 25 anos, a área foi vendida com uma valorização de 11.400%, já descontada a inflação do período. A Folha apontou que as terras compradas pelo ex-governador da Bahia eram uma fração de terreno maior pertencente à Traneves Patrimonial. Um dos sócios da empresa é Alex Grangeon Trancoso Neves, que seria administrador do Lagoons Empreendimentos, empreendimento residencial integrado ao projeto do novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia.
O senador ainda não comentou sobre o assunto.
RELEMBRE A POLÊMICA ENVOLVENDO VENDA DE TERRENO
Um dia após ser alvo de busca e apreensão da Polícia Federal por suspeita de recebimento de propina do Banco Master, o senador Jaques Wagner (PT) tentou efetivar a venda de um terreno de 51 mil m² na Região Metropolitana de Salvador por R$ 15,8 milhões. Segundo reportagem do Estadão, a transferência da propriedade, no entanto, foi barrada às pressas pelo cartório de Camaçari (BA), que cumpriu uma ordem de bloqueio de bens emitida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Outra transação barrada por decisão do ministro André Mendonça envolve o prefeito baiano Marcelo Passos (União), de Conceição do Coité, que comprou o apartamento de luxo do senador em Salvador, no Corredor da Vitória, por R$ 10 milhões. Essa segunda transação havia sido protocolada uma semana antes da operação da PF.
LEIA TAMBÉM:
Somadas, as vendas chegam a R$ 25,8 milhões, dos quais Wagner já conseguiu receber ao menos R$ 12 milhões, mesmo com as escrituras travadas pela Justiça. O prefeito assegura que os pagamentos do apartamento foram em depósitos bancários, no valor referente ao apartamento.
A cronologia dos fatos investigados aponta para uma possível tentativa de repasse patrimonial em meio à crise jurídica. Em 18 de junho de 2026, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra Jaques Wagner na 9.ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga propinas do Banco Master. No dia seguinte, a defesa do senador vai até o 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari para protocolar a escritura e transferir o terreno de R$ 15,8 milhões. O registro, porém, foi travado após a chegada da ordem de indisponibilidade de bens assinada pelo ministro André Mendonça. Com isso, Wagner não pôde passar a propriedade adiante.
O terreno em questão havia sido comprado por Wagner no ano 2000 por apenas R$ 28 mil. Corretores da região estimam que o valor de mercado atual da área seja de no máximo R$ 12 milhões, bem abaixo dos R$ 15,8 milhões acordados na venda. A área seria repassada a um empreendimento imobiliário associado ao Grupo City (dono da SAF do Esporte Clube Bahia).
O advogado do senador, Pablo Domingues, negou qualquer irregularidade, mas evitou explicar os detalhes e os motivos da urgência na venda do terreno logo após a chegada da PF. “A defesa esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, disse.
O desgaste das investigações e o bloqueio dos bens forçaram a saída de Jaques Wagner do posto de líder do governo Lula no Senado por pressão do Palácio do Planalto. O petista, contudo, mantém sua pré-candidatura à reeleição em 2026.
Ao BN, o senador encaminhou nota apontando que "a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, conforme demonstram os documentos". "O acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, valor devidamente declarado, com o recolhimento do imposto sobre o ganho de capital (DARF pago em 30/06/2025). A escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta", complementa a nota.
