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“Destruição das famílias”: economista Edísio Freire alerta para ciclo de endividamento gerado por bets, consignado e pejotização

Por Maurício Leiro / Rebeca Menezes / Daniel Araújo

Foto: Reprodução / Antena 1

Em entrevista ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena1, o economista Edísio Freire fez um duro alerta sobre o atual cenário socioeconômico do trabalhador brasileiro. Segundo o especialista, uma combinação perversa envolvendo a distorção da "pejotização", o descontrole do crédito consignado e a febre das apostas esportivas (bets) está instalando um "caos na sociedade" e levando as famílias de baixa renda à ruína financeira.

 

 

Freire iniciou sua análise criticando a forma como a pejotização (contratação de funcionários como Pessoa Jurídica) vem sendo aplicada. Ele explicou que o modelo faz sentido e gera retorno para a sociedade quando aplicado a profissionais de alta renda (que ganham acima de 10 salários mínimos), mas se torna um instrumento de "precarização em massa" quando imposto a trabalhadores que recebem apenas um salário mínimo.

ARMADILHA DO CRÉDITO FÁCIL

Outro ponto de forte preocupação levantado pelo economista é a falta de controle sobre as linhas de crédito consignado. Freire alertou para a facilidade com que o trabalhador consegue tomar empréstimos de forma autônoma por meio de carteiras digitais, comprometendo rapidamente sua renda sem que a empresa empregadora sequer seja notificada previamente.

 

Com normas que permitem comprometer até 50% do salário, o trabalhador de baixa renda entra em um ciclo de asfixia financeira. “O cara que já ganhava um salário mínimo desconta 30% ou vai para a margem total. Ele não vai conseguir sobreviver”, explicou.

 

Segundo o economista, esse sufocamento gera um efeito cascata no mercado de trabalho: o funcionário tenta forçar sua demissão na esperança de quitar o débito com os direitos trabalhistas. Como o valor rescisório frequentemente não é suficiente, a dívida permanece ativa, fazendo com que o indivíduo evite retornar ao emprego com carteira assinada para fugir de novos descontos em folha.

 

EFEITO DAS BETS

O ápice desse ciclo de endividamento, de acordo com Freire, é a proliferação desenfreada das apostas online. Trabalhadores já desesperados financeiramente acabam recorrendo aos jogos na ilusão de um ganho fácil. “Aí o cara, por não ter dinheiro, acha que vai resolver a vida financeira dele jogando. E aí o caos se instala”, destacou.

 

Para o economista, a situação ultrapassa o debate político e se configura como um grave problema de Estado e de saúde pública. Ele criticou a inércia das autoridades diante da gravidade do cenário. “Estão destruindo a família brasileira do ponto de vista financeiro e eu não estou vendo ninguém se movimentar. O crédito tem que ser dado sim, desde que tenha um acompanhamento mínimo. Isso é perverso demais”, concluiu.


Para conferir a entrevista completa: