BN na China: Baiana abre mão de praia e acarajé em troca de segurança que encontrou do outro lado do mundo
Por Rebeca Menezes, da China
Com apenas 13 anos, a soteropolitana Maria Eduarda Enéas sonhava com um intercâmbio em qualquer lugar do mundo - menos na China. Ela tinha receio por causa da relação do país com a pandemia de Covid-19, já que se mudaria um ano depois do mundo “voltar ao normal”, em 2023. Porém, após três anos vivendo no país, a adolescente mudou de ideia a ponto de aceitar ficar sem acarajé e praia, em troca de algo muito mais relevante: a constante sensação de segurança. Apesar do crescimento rápido nos últimos anos, a ponto de virar referência global em tecnologia, Shenzhen tem baixos índices de criminalidade, atrubuídos principalmente à cultura da população.
“Era aniversário da minha amiga, e eu fui pra casa dela de manhã, para ajudar a arrumar a festa. Depois a gente foi pro shopping, pra cantar karaokê. A gente acabou às 18h e foi pra casa dela, jogou, conversou… E perto das 23h30 eu voltei pra casa. Minha amiga tinha uma moto elétrica e eu voltei com ela”, relatou durante a entrevista, que aconteceu no Shenzhen Bay Park, um parque costeiro de 128 hectares com 13 km de orla, que oferece lazer e contato com a natureza.
Para a adolescente, apesar da existência de câmeras espalhadas por toda a cidade, assim como a existência de policiamento e guardas de segurança privada, o que mais a conforta é a cultura dos moradores de Shenzhen. “Várias vezes, se você derrubar alguma coisa, como o celular ou a carteira, eles vêem e não param e pegam, eles avisam que caiu [e devolvem]. É sobre o jeito que eles pensam e o jeito que eles agem. Se não for seu, você não pega”, resumiu.
A soteropolitana contou que não tem receio mesmo quando estranhos param pra tirar fotos dela na rua. Apesar de estranho, o costume tem uma explicação: os chineses são curiosos com pessoas que mostram características físicas muito diferentes das deles, como cabelo diferente, pele de cor escura e até mesmo ter muitos pelos no corpo. “Eu pareço diferente do que eles, porque eles não têm um cabelo cacheado, ou uma pele como a minha. Mas não é que eles queiram me sequestrar, é só que eles nunca viram alguém assim”.
Em pouco tempo, o choque de cultura surpreendeu Duda positivamente. Assim que chegou na cidade ao lado da mãe - que havia aplicado para trabalhar como pedagoga em Shenzhen -, se supreendeu com as compras pagas com a mão e com a organização da cidade.
Hoje, Maria Eduarda tem aulas em inglês, mas também faz uma matéria para aprender Mandarim. Ao BN, ela explica que ainda está nos níveis mais baixos, mas tem começado aos poucos a entender mais sobre gramática, vocabulário e formas de conversação. Mas a escrita é o mais desafiador. “Eles têm um sistema. Você tem que começar [a escrever] por cima, depois vai pra direita, esquerda, no meio, depois embaixo… E é bem difícil de lembrar como fazer. Além disso, se você escrever um caractere em uma palavra, vai significar uma coisa, mas se você fizer com outro caractere junto, já significa uma coisa completamente diferente”, explicou.
Duda já voltou duas vezes para Salvador desde que veio morar na China. De lá, sente mais falta do acarajé e da praia: “Eu raramente vou pra praia aqui, porque a gente mora em uma cidade que tem praia, mas não é a mesma coisa do Brasil”.
Ainda assim, quando perguntada se escolheria voltar para a capital baiana ou permanecer em Shenzhen, Duda foi categórica: quer ficar na China. “Quando eu cheguei eu sentia falta de muitas coisas. Eu queria comer um acarajé, ou queria ir pra praia. Mas acho que já me adaptei a morar aqui. E ter a segurança de poder ir pra casa da minha amiga, ficar até tarde, e ter a liberdade de sair sozinha, e não ter que planejar com os pais… Mesmo que eu sinta saudade de tapioca e acarajé, [vale a pena ficar]”, concluiu.
BN NA CHINA
A convite da BYD Brasil, o Bahia Notícias/BN Hall foi à China para acompanhar um momento histórico da Bahia no mundo: a turnê da Orquestra Neojiba na China. A equipe acompanha o encerramento do projeto, que acontece neste dia dia 05 de maio, no Shenzhen Concert Hall, em Shenzhen - cidade que é o coração tecnológico da China e abriga a sede global da BYD. A equipe ainda acompanha as novidades que a companhia planeja trazer para a Bahia, além de traçar um paralelo entre as culturas e a história de Shenzhen, que se transformou de uma pequena vila de pescadores, nos anos 1970, em um dos principais polos globais de tecnologia e inovação.
