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Nº de batizados no Catolicismo cai quase 50% entre 2013 a 2023 na Região Metropolitana de Salvador

Por Victor Hernandes

Foto: Reprodução Arquidiocese de Salvador

O batismo, primeiro dos sete sacramentos do Catolicismo e rito de iniciação na religião, foi por muitos anos um marco de tradição em muitas famílias brasileiras e baianas. Pais e familiares de um recém-nascido levam seus filhos para receberem o sacramento considerado de purificação, que se resume no renascimento para praticar a religião e ter uma nova forma de viver, tendo Cristo como modelo de vida.

 

É no batismo, que o batizado é purificado do pecado original e se torna um membro da comunidade católica, sendo um novo “discípulo” e filho de Deus. 

 

Tendo a água e a vela como elementos principais, o ato é inspirado no batizado de Jesus Cristo, principal figura do Catolicismo, que mergulhou nas águas do Rio Jordão e foi batizado por João Batista. O ato era considerado uma marca e tradição de muitas famílias por conta dos costumes e influência religiosa.  

 

No entanto, a prática, nos últimos anos, registrou uma queda no número de novos fiéis em Salvador e na Região Metropolitana. Isso porque o número de pessoas batizadas em igrejas católicas da capital baiana e RMS diminuiu entre 2013 a 2023. 

 

Acessados pela reportagem do Bahia Notícias, dados da Arquidiocese de São Salvador da Bahia mostram que, no primeiro ano do levantamento, cerca de 14.643 pessoas foram iniciadas na religião. Porém, o último ano do estudo indicou que 7.432 pessoas se iniciaram na comunidade católica, em alguns dos templos religiosos do território da Arquidiocese, que contempla a capital baiana, Lauro de Freitas, Salinas da Margarida, Vera Cruz e Itaparica. 

 

O percentual da queda chegou a aproximadamente 49,24% no número total de batismos. As principais diminuições ocorreram entre 2014 a 2018, onde os dados apontaram 14.517; 13.850; 13.447; 11.919 e 8.823 batizados respectivamente. Já em 2019, a quantidade obteve um pequeno aumento, indo para 8.531. 

 

No ano em que foi decretada a pandemia de Covid-19, onde os espaços sagrados suspenderam suas atividades presenciais, foram 2.449 ritos. Um ano após o período pandêmico, onde as celebrações foram retornando com algumas recomendações, foram 8.908 batizados. Já no ano seguinte, após o final da pandemia e a volta por completo das atividades religiosas, foram 12.244 pessoas batizadas e 7.432 batismos. 

 

Os números chegam em meio a Salvador passar, pela primeira vez, em 2022, a ter menos da metade de sua população católica. Os católicos somavam 947.032 na capital baiana, representando 44,0% das pessoas de 10 anos ou mais de idade. 

 

A população católica soteropolitana é a 6ª maior entre os municípios brasileiros (Salvador tem a 5ª maior população total), e a sua participação no geral (44,0%) é apenas a 23ª, entre as 27 capitais, ou seja, a 5ª menor, num ranking liderado por Teresina/PI (70,2% de católicos), Aracaju/SE (60,4%) e Fortaleza/CE (60,0%), conforme dados do Censo sobre religião do IBGE.

 

IDADES DOS BATISMO
O levantamento a que o BN obteve acesso trouxe informações também das idades das crianças que foram batizadas na última década e das tendências gerais de batismos por faixa etária. 

 

BATISMO ATÉ 1 ANO
Foi obtido uma diminuição geral no número de batismos desta idade, caindo de 4.250 em 2013 para 1.686 em 2023. 

 

No ano de 2020, por conta da pandemia, foi registrado o menor número, com somente 781 batismos. Em 2021 e 2022, houve uma recuperação para 2.348 e 3.052, respectivamente, mas 2023 voltou a apresentar uma queda significativa, indo para 1.686. 

 

1 AOS 7 ANOS
Esta faixa etária consistentemente notificou o maior número de batismos ao longo do período. O número caiu de 7.235 em 2013 para 3.901 em 2023. Semelhante às outras faixas, 2020 mostrou uma queda acentuada para 1.242, seguida por uma recuperação notável em 2021 (4.930) e 2022 (6.634), antes de uma nova redução em 2023. 

 

DEPOIS DOS 7 ANOS
Esta categoria também seguiu um padrão de declínio geral, passando de 3.158 em 2013 para 1.845 em 2023. 

 

O ano de 2020 teve o menor registro, com 426 batismos, com uma recuperação subsequente para 1.630 em 2021 e 2.558 em 2022, e uma diminuição para 1.845 em 2023. 

 

A escolha por não batizar os filhos ocorreu também na família de Matheus Simão, de 28 anos. Pai de duas crianças, o administrador revelou que optou por, junto a sua ex-companheira, não levar seus filhos para serem batizados por não praticarem nenhuma religião. Mas indicou que caso as crianças sintam vontade de receber o sacramento, vai apoiá-los. 

 

“Temos dois filhos e optamos por não batizá-los pelo fato de não sermos religiosos. Ela [a esposa] tem até uma crença, mas não é praticante e eu sou ateu. Então por esse motivo, por mais que respeitemos muito a Igreja Católica, mas não faz parte do nosso cotidiano. Nunca houve essa vontade nem da minha parte, nem da dela. Sequer foi um assunto, na verdade, entre a gente, pois já sabíamos que não iríamos batizar eles. Se eles mais velhos quiserem ser batizados, com toda certeza serão sim”, afirmou. 

 

Por outro lado, a publicitária Mariana Cunha, de 30 anos, apontou que pretende realizar o batismo de sua filha quando a criança completar o primeiro ano de vida. 

 

“Optamos por acreditar que é um sacramento importante, aquele que dá início a uma vida com Cristo. Minha filha tem 10 meses. Pretendemos batizá-la com 1 ano. Entendemos que futuramente ela pode ou não seguir na vida católica, mas, no momento, queremos instruí-la conforme nossas crenças”, contou.