Vereadores em São Paulo batem boca após Bancada Evangélica barrar propostas voltadas ao público LGBT e combate ao racismo
Por Redação
Uma confusão generalizada tomou conta da Câmara Municipal de São Paulo, nesta quinta-feira (19), após dois vereadores discutirem o veto a uma proposta. A vereadora Luana Alves (PSOL) afirmou que suas propostas de emenda que abarcavam ONGs de combate ao racismo e LGBTfobia foram barradas sem justificativas plausíveis.
Alves afirmou que o veto aos seus projetos foi feito por um “vereador covarde”. O edil Fernando Holiday (PL) foi quem reivindicou a autoria: “Quem ajudou a barrar as suas emendas, vereadora, com muito orgulho, fui eu”.
Momentos depois, o vereador alfinetou novamente a vereadora: “Vocês defendem, na maior cara de pau, a permanência da cracolândia. Cale a boca, vereadora!”. Luana, por sua vez, rebateu o “Cala a boca” e uma confusão generalizada tomou conta da sessão. O presidente da Casa, Milton Leite (União), tentou restaurar a ordem. Não conseguindo, suspendeu a sessão.
VETO ÀS EMENDAS
Os vereadores da Bancada Evangélica da Câmara Municipal de São Paulo ameaçaram não votar o orçamento de 2025 na cidade, devido a termos identitários que constavam nas emendas de Luana e de outra vereadora do PSOL, Elaine do Quilombo Periférico.
No orçamento municipal, uma previsão de que cada vereador possa indicar R$ 5 milhões em emendas. As vereadoras esperavam destinar os seus recursos a projetos focados no público LGBT e no combate ao racismo, além de uma ONG que auxilia menores de idade vítimas de estupro a conseguirem o aborto legalmente.
Para justificar a recusa às emendas, os vereadores da alegaram ao relator Sidney Cruz, motivos como “LGBT” ou “ONG pró aborto”. Holiday foi vocal em sua explicação: “Nós conseguimos barrar mais de 10 emendas absolutamente inacreditáveis no tamanho de sua imbecilidade, absolutamente preconceituosas, extremistas e necessárias de serem derrubadas”.
Em nota, Luana classificou a atitude como “baixaria” e afirmou que “nunca na história da Câmara, as emendas de um parlamentar foram questionadas por outros mandatos, por uma questão de independência política”.
