Relatório aponta que 29 crianças e adolescentes foram baleados em ações policiais na Região Metropolitana de Salvador
Por Ronne Oliveira
O cenário de segurança pública na Região Metropolitana de Salvador (RMS) segue com números de letalidade nos últimos três anos. Segundo o relatório anual do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta quarta-feira (26), a violência armada durante ações policiais tem vitimado a população civil, incluindo grupos vulneráveis como crianças e adolescentes, com 29 baleados e 17 mortos.
Entre janeiro de 2023 e dezembro de 2025, 1.874 pessoas foram baleadas na RMS. Desse total, mais de um terço (37%) dos casos ocorreu durante ações ou operações policiais. O levantamento destaca que 29 crianças e adolescentes foram atingidos por disparos em contextos de intervenção estatal, resultando na morte de 17 deles.
O relatório também denuncia a baixa eficácia nas investigações:
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Homicídios por Policiais: Apenas 24% dos inquéritos são concluídos.
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Dados de 2023: Das 1.702 mortes registradas, apenas 284 investigações foram finalizadas.
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Padrão de Confronto: 40% dos tiroteios ocorrem em rondas de rotina, e não em operações planejadas com inteligência.
RONDAS INSEGURAS
O relatório aponta a polícia como um motor central das 109 chacinas registradas no período. Destas, 68% foram resultado direto de ações policiais, deixando um rastro de 286 mortos. Um dado alarmante aponta que as Rondas Especiais (Rondesp) estiveram envolvidas em pelo menos 52% dessas mortes.
Mesmo com queda estadual em 2025, quando observado o número de tiroteios na Região Metropolitana de Salvador, Camaçari lidera com 123 casos, seguida por Lauro de Freitas com 61 casos. Em terceira pior posição, Dias D'Ávila com 59 casos, depois Simões Filho com 57 casos e Candeias com 35 casos.
Entre os números de tiroteios, para além dos 1.104 de Salvador, a Região Metropolitana teve Pojuca com 4 casos, Madre de Deus com 2 casos, São Francisco do Conde e São Sebastião do Passé, ambos com 12 tiroteios. Vera Cruz com 15 tiroteios e Itaparica com 6 casos.
O cenário de letalidade policial também apresentou um salto nos últimos anos: em 2024, 55 pessoas morreram em chacinas das forças de segurança. Já em 2025, esse número subiu para 95 mortes, um aumento de 73% em apenas um ano.
Além das 1.187 mortes de civis em intervenções, a violência também atinge a ponta da segurança: 72 agentes foram baleados no período, com 23 óbitos confirmados.
Especialistas do Instituto Fogo Cruzado alertam que, enquanto os planos estaduais de redução de letalidade (como o PQUALI) enfrentam lentidão burocrática, a confiança entre a população e o Estado segue em franco processo de destruição.