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"É um momento muito auspicioso para as artes na Bahia", afirma Bruno Monteiro sobre investimento e reforma de teatros na capital

Por Rebeca Menezes / Bianca Andrade

Foto: Luiza Barbosa/ Bahia Notícias

O ano de 2026 e os próximos prometem ser de bons frutos para o teatro baiano. Este é o futuro vislumbrado pelo secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, com o retorno da Sala Principal do Teatro Castro Alves, previsto para o 1º semestre deste ano, e o incentivo à arte na base, por meio da formação de novos talentos.

 

"É um momento muito auspicioso para as artes na Bahia e tenho certeza que os frutos disso serão vistos, reconhecidos e colhidos ao longo dos próximos anos", afirmou o gestor da pasta em entrevista ao Bahia Notícias.

 

O cenário positivo pintado pelo gestor da pasta para a cultura baiana vem como uma resposta a um questionamento feito pelo ator Wagner Moura ainda em 2025, quando apresentou o espetáculo 'Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo', no Trapiche Barnabé.

 

Na ocasião, o indicado ao Oscar pontuou que o Governo baiano deveria investir mais na arte, especialmente pelo espectro político de esquerda ser focado na igualdade social e nas políticas públicas.

 

Foto: Caio Lírio

 

“Eu sou fruto do teatro dos anos 90, que foi uma época muito, muito, muito positiva, muito boa para o teatro profissional da Bahia. Eu me formei e eu existo como artista porque, justamente na minha configuração astrológica, calhou de eu viver uma época de ebulição no teatro da Bahia. [...] A gente precisa que o governo chegue junto e participe. Isso é uma sequência de governo do PT que eu acho que não tem feito o que deveria estar sendo feito. O teatro popular da Bahia, eu sinto que está abandonado e que precisa que se olhe para isso."

 

Para o secretário de Cultura da Bahia, o estado não teve uma baixa no valor direcionado para o setor teatral. O gestor da pasta vai contra a avaliação feita por Wagner Moura, por exemplo, e pontua que o estado contou com bons investimentos para o teatro nos últimos anos.

 

"Os investimentos no teatro são maiores hoje em dia do que comparados a anos anteriores, tanto do ponto de vista de infraestrutura, quanto na dinamização, mas especialmente em programas de formação."

 

De acordo com Monteiro, o ponto analisado por Moura é válido em relação aos programas de formação de novos talentos, algo que voltará a ser movimentado no estado.

 

"Ele [Wagner Moura] disse que quando estava começando havia muitos programas de formação e ele é fruto disso. Eu quero deixar ele muito tranquilo, nosso grande ator baiano, que daqui a alguns anos ele vai ter a companhia de muitos atores que estão sendo formados agora. Porque a Bahia vive um momento de muito incentivo à formação de artes, à formação em artes, tanto aqui na capital quanto nos interiores, graças ao incentivo do governo e às nossas escolas de tempo integral, que nós temos formado pessoas jovens para atuarem nas artes como um todo, a partir das escolas e a partir dos equipamentos culturais, que também passam por processos de requalificação e de formação."

 

A requalificação do TCA, por exemplo, recebeu um aporte de R$ 280 milhões. De acordo com o secretário, o valor investido irá retornar para o povo por meio de qualificação e formação profissional.

 

“[O TCA] é um teatro que vai crescer do ponto de vista de mais espaço, teremos um centro técnico, um novo espaço de experimentação artística, além de melhorar as condições de toda a fabricação de cenários, de figurinos, que não servem só ao teatro, mas servem à cadeia cultural do estado da Bahia como um todo. Nós estamos crescendo”, afirmou ao site em janeiro deste ano.

 

 

Outra queixa da cena baiana em relação ao teatro no estado é a falta de espaço para apresentações. Em 2025, uma forte campanha pelo não fechamento do Teatro Gamboa mobilizou diversos artistas e conseguiu para o espaço o apoio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e um show especial de Gilberto Gil para mobilizar o público e arrecadar a verba necessária para a manutenção do espaço.

 

Segundo Monteiro, a Bahia vive um momento especial de mobilização cultural e novos espaços estão sendo resgatados. O secretário acredita que a reforma do TCA vem para incentivar investidores a olhar com cuidado para os espaços na capital baiana afim de enxergar um potencial neles.

 

 

"A gente vive um momento de muita mobilização em torno das causas da arte e da cultura, o que eu avalio como muito positivo. A falta do Teatro Castro Alves demonstrou para a cidade e para o Estado a necessidade de termos mais equipamentos. O governo do Estado da Bahia, aqui em Salvador, além de entregar o Teatro Castro Alves nesse semestre, vai entregar também o Teatro do Iceia, que é o segundo maior teatro de Salvador, um dos maiores do Estado e que também tem uma vocação muito grande para a formação, para um espaço de acolhimento de novos projetos. Mas esse debate precisa ser feito, como você disse, pelo conjunto dos agentes que se mobilizam em torno do mercado, das finanças e que têm algum interesse em apoio à cultura e nos retornos que isso dá", afirmou.

 

O gestor da pasta reforça que a movimentação não pode partir apenas do poder público. Até o final de 2026, a capital baiana deve contar com a reativação do TCA e a inauguração do Centro Cultural Banco do Brasil no Palácio da Aclamação, no entanto, a população cobra mais, tanto da iniciativa pública quanto privada.

 

"Não basta só cobrar do poder público mais espaços para apresentações teatrais, para apresentações musicais, se a gente não pensar nisso como uma tarefa compartilhada. Nós estamos cuidando da pauta do Teatro Gamboa, que é um teatro importante, nós estamos formando parcerias já com o Banco do Brasil e teremos um novo CCBB, com a Caixa e teremos uma nova Caixa Cultural, ambas com teatros também, porque nós queremos esses espaços cada vez mais presentes na vida cultural e na vida cotidiana da população, de todos aqueles que nos visitam, para terem a certeza de que estão num território cultural, que é a Bahia."

 

 

Na pauta municipal, desde 2023 é especulado um teatro a ser gerido pela Prefeitura de Salvador, e alguns lugares chegaram a ser colocados em pauta como possíveis sedes, a exemplo dos antigos Cine-Teatro Jandaia e Cine Pax, localizados na Baixa dos Sapateiros.

 

Ao Bahia Notícias, o presidente da Fundação Gregório de Matos (FGM), Fernando Guerreiro, chegou a debater o assunto e pontuou que a questão era uma pauta trabalhada no governo, no entanto, dependia da iniciativa do prefeito.

 

"Os teatros são mantidos com heroísmo. O Teatro Módulo, o Jorge Amado, a Casa do Comércio, o Sesi do Rio Vermelho e da Ribeira. Inclusive, não se tem um teatro num shopping de Salvador, é inacreditável. Eu acho isso uma maluquice. Eu acho que existe uma morosidade nessa história. Hoje a maioria dos shoppings de São Paulo e do Rio tem teatro. Eu nem tenho mais paciência para falar sobre isso, porque já tem 30 ou 40 anos que eu toco nesse assunto."

 

Ao final de 2024, Guerrero afirmou que o assunto voltaria a ser pauta na Prefeitura. No entanto, em 2025, o avanço da conversa, se houve, não foi tratado publicamente. O presidente da FGM reforçou a importância de reconhecer espaços fora do circuito tradicional, exaltando a existência dos Boca de Brasa, programa de fomento cultural que descentraliza a cultura, levando formação, oficinas, palcos e editais para bairros periféricos.

 

"Eu digo sempre a gente hoje tem três teatros nos Bocas de Brasa, que são teatros praticamente invisibilizados de uma certa forma pela mídia e artistas. A gente tem um teatro em Cajazeiras hoje que é um sucesso, que tem programação constante, lotada. A gente tem um espaço em Valéria maravilhoso, um espaço lá em Coutos. Então, são três teatros à disposição da comunidade. Temos parceria com a Casa Branca, que é um novo espaço do Sesc, que fica ali no Caminho de Areia. É importante a gente ter essa leitura da descentralização. Não podemos reconhecer espaços só que ficam no centro."