Empresário revela bastidores do Carnaval e problemas com trio elétrico: "Investimento alto e rentabilidade baixíssima"
Por Bianca Andrade
Um questionamento feito pelo humorista Tiago Banha nas redes sociais sobre um dos problemas do Carnaval de Salvador em 2026 trouxe uma resposta esclarecedora para os foliões: o que aconteceu com os trios elétricos na festa deste ano?
Os problemas envolvendo o principal equipamento do Carnaval de Salvador tiveram início antes mesmo dos dias oficiais da festa. No Furdunço, por exemplo, o trio puxado pela banda Pagod'art quebrou metros após iniciar o desfile. Na segunda-feira, 9 de fevereiro, o trio puxado por Xanddy Harmonia também deu problema.
Durante os seis dias de festa, além de problemas com os trios que já estavam desfilando, alguns artistas desistiram de se apresentar devido à falta de equipamento adequado para a apresentação, como EdCity e Oh Polêmico.
Em vídeo, o empresário Kalunga, que trabalha há 40 anos no ramo da música e do Carnaval, pontuou que um dos motivos para que os equipamentos não estejam em boa qualidade é a questão do uso ao longo do ano.
"O trio elétrico é um equipamento que o custo que está sendo alugado não é vantajoso, não é rentável. Antigamente, quando tinha as micaretas fora de época, várias, os trios elétricos eram construídos, os trios elétricos tocavam, então, com isso, a diminuição dos carnavais fora de época também prejudicou. O investimento é alto, a rentabilidade é baixíssima, não é viável. Os donos de trio elétrico que tem por aí, tem o trio como hobby."
Em 2025, por exemplo, o empresário José Barreto, de 64 anos, dono dos trios Barretão, que está há mais de 20 anos no mercado, revelou ao site que para manter os equipamentos da linha Barretão é alto.
"O investimento é muito alto. Nós temos equipamento no trio de ponta. Ramificadores importados, bons alto-falantes. É até perigoso isso para a gente porque o nosso trio viaja o Brasil todo na estrada. Mas hoje, um artista de ponta que quer se apresentar bem precisa de equipamentos bons para você ter aquela voz. Tem trios que você consegue botar a voz do artista com toda a nitidez possível. Tem por trás de tudo aquilo ali um equipamento de ponta que proporciona isso. Então, acho que o trio elétrico, pelo que representa hoje para a história do Carnaval da Bahia, do Brasil, é uma das figuras mais importantes da festa.”
Kalunga ainda trouxe outro tópico que também já foi abordado pelo Bahia Notícias em reportagem de 2025, a questão dos artistas não terem mais os próprios trios elétricos, algo que acontecia no início dos anos 2000.
"O único artista que tem trio elétrico é Carlinhos Brown. Eu conheço gente que trabalhou o ano passado para o governo que não recebeu, com isso a manutenção fica cara. O gerador quebra por causa de manutenção, o cavalinho? Tem que trocar quando quebra, mas ele não foi feito para trabalhar na primeira marcha o tempo todo", afirma.
De acordo com Irmão, proprietário do trio Dragão, os artistas pararam de investir em um trio para si justamente pela questão da rentabilidade.
"O Chiclete fazia dez eventos no ano. Imagine dez eventos, com o trio exclusivo seu? Você tinha um gasto absurdo para ir para o Fortal, fazer um dia e voltar. Hoje, um exemplo, eu vou pro Fortal, faço quatro dias com Bell, pronto. Mas se não fosse Bell, os quatro dias, eu ia fazer um dia com o Léo, um dia com Cláudia, um dia com Ivete um dia com Anitta. Não é viável hoje o artista ter um trio elétrico, porque o outro artista não quer tocar no trio dele", contou na época.
Em 2026, Brown anunciou dois novos trios, o Mr. Brown II e o Camarote Andante reformulado. Construído em tempo recorde, menos de 1 ano, de acordo com o arquiteto e engenheiro civil Juan Franco, da dupla Juan e Ravena, os dois novos equipamentos de Brown chegam para fazer uma revolução no Carnaval de Salvador.
“É um trio sustentável, é um trio também mais leve para os convencionais. É uma verdadeira transformação. E o cara que está à frente de tudo isso aí vai ficar maravilhoso. Acho que é elevado a patamar dos dinâmicos do país a um outro nível. Temos equipamentos de última geração, mesa de som, tudo que precisa de uma dinâmica que tem de melhor que possa existir no país”, revelou Juan.
Um levantamento feito pelo BN no último ano trouxe que o aluguel de um trio elétrico para a festa pode variar de R$ 70 mil a R$ 500 mil, a depender da qualidade da máquina e do estilo, trio, mini trio ou pranchão.
Para o humorista, o empresário trouxe o que ele acredita que seria a solução para o problema: "A minha ideia seria diminuir a quantidade de trios elétricos, porque aí seria melhor para colocar os artistas em trios melhores. Coloca dois artistas em cima do trio, eu tenho certeza que isso aí vai melhorar um pouco".
