Guilherme Bellintani explica voto contra redução de estrangeiros no Brasileirão: "Perde um pouco de competitividade"
Por Redação
Ex-presidente do Bahia e atual dono da SAF do Londrina, Guilherme Bellintani explicou por que votou contra a redução gradual do limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro. O dirigente participou da reunião realizada pela CBF nesta segunda-feira (21), no Rio de Janeiro, e classificou a medida como uma decisão que traz benefícios, mas também perdas para os clubes e para a competição.
A proposta aprovada prevê que o limite atual de nove estrangeiros relacionados por partida caia para oito em 2027, sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030. Bahia, Flamengo e Londrina ficaram entre os votos contrários à mudança.
Bellintani ressaltou que sua posição não parte de uma necessidade específica do Londrina, clube que utiliza poucos estrangeiros, mas de uma avaliação mais ampla sobre o impacto da mudança no futebol nacional.
Para o dirigente, restringir o número de atletas de fora pode, em tese, abrir mais espaço aos brasileiros, sobretudo aos mais jovens. Ao mesmo tempo, ele demonstrou dúvidas sobre a relação direta entre as duas situações.
"A queda do número de estrangeiros abre mais espaços para o jogador brasileiro e teoricamente a tendência é de abrir espaço para jogadores jovens. Vamos confirmar se isso vai acontecer ou não, eu tenho dúvida sobre isso. Mas também ela perde um pouco de competitividade da liga como um todo. A liga brasileira performou muito bem nos últimos anos, inclusive com poder mais absoluto na América do Sul. A tendência é que isso se perca um pouco também", argumentou.
"Sempre tem vantagem de abrir mais espaço para a formação de jogador brasileiro, mas claramente há uma desvantagem, da perda de envergadura econômica de potencial esportivo da liga brasileira" , concluiu.
AUMENTO DO ESPAÇO PARA JOVENS
A mudança foi apresentada pela CBF após um estudo sobre o perfil dos atletas utilizados nas Séries A e B.
Segundo a entidade, a participação de brasileiros Sub-23 caiu de 28,3% dos minutos em 2020 para 11,5% em 2026. No mesmo período, a minutagem de estrangeiros acima dos 23 anos passou de 7,8% para 25%.
Considerando brasileiros e estrangeiros, atletas Sub-23 ocupam atualmente 13,8% dos minutos disputados na Série A. Nas principais ligas europeias analisadas pela CBF, o índice varia de 28% a 38%.
O número de estrangeiros autorizados em súmula também cresceu ao longo da última década. Em 2013, eram três por partida. O limite passou para cinco em 2014, sete em 2023 e nove a partir de 2024.
BELLINTANI DEFENDE TIMES B
Além de se posicionar contra a redução, Bellintani apresentou uma alternativa para ampliar a minutagem dos jogadores mais jovens.
O dirigente sugeriu a criação de equipes B, modelo utilizado por clubes como Barcelona, Benfica e Porto, para que atletas em processo de formação disputem competições adultas sem depender exclusivamente de espaço no elenco principal.
A proposta seria permitir que clubes das Séries A, B e C mantivessem equipes secundárias em competições específicas, ampliando o calendário competitivo para jogadores em desenvolvimento.
A CBF aprovou outra mudança voltada aos jovens. A partir de 2027, o limite total de inscritos seguirá em 50 jogadores, mas será dividido entre Lista A, para atletas acima de 23 anos, e Lista B, destinada aos Sub-23. A divisão começará em 30 atletas na Lista A e 20 na B e chegará a 25 para cada grupo em 2030.
