Na Antena 1, presidente da Federação Bahiana de Atletismo faz alerta para corridas irregulares: "É um caminho perigoso"
Por Thiago Tolentino
O presidente da Federação Bahiana de Atletismo, Herbert Silva, defendeu a necessidade de chancela da entidade para a realização de corridas de rua na Bahia e alertou para eventos que, segundo ele, acontecem de forma irregular. O dirigente foi entrevistado nesta quinta-feira (9) no Bahia Notícias no Ar, programa da Rádio Antena 1 Salvador (100.1), e comentou o crescimento das provas em Salvador no período pós-pandemia.
De acordo com Herbert, a procura por atividades ao ar livre ajudou a impulsionar o calendário de corridas na capital baiana. O dirigente também citou o ambiente criado no pós-prova como um dos fatores que atraem o público recreativo.
"Dentro desse recorte pós-pandêmico houve essa busca das corridas ao ar livre. Foi uma estratégia muito boa. Quando isso foi apresentado ao público que não conhecia essa atmosfera de eventos, foi muito atrativo. É muito atrativo o pós-prova que a capital e a Bahia têm um diferencial em relação aos entretenimentos e shows culturais que sucedem no pós. Isso tudo atrai o público recreativo que compõe 95% dos participantes", afirmou.
Apesar do crescimento, o presidente da FBA destacou que a realização das provas precisa seguir critérios técnicos e legais. Segundo ele, a federação atua na análise da documentação apresentada pelos organizadores e na avaliação das condições oferecidas ao público.
"É de suma importância que todos os eventos sejam chancelados pela Federação Bahiana de Atletismo. É o ente federativo que administra a modalidade no estado. A gente faz, enquanto federação, um crivo de documentações, uma avaliação técnica sobre o que o organizador quer entregar ao público consumidor daquele serviço. Se não tem esse olhar do que traz a legalidade, baseado na Lei Geral do Esporte, não há o que se falar de evento", disse.
Herbert afirmou que a ausência da federação em eventos da modalidade pode gerar insegurança sobre o cumprimento das regras e sobre a responsabilidade técnica das provas.
"É um caminho perigoso, porque se não tem um ente federativo fazendo essa verificação e tendo esse olhar cuidadoso com quem está usufruindo a pista de serviço, a gente procura saber quem realmente está. O atletismo é uma modalidade esportiva. Se não tem uma federação, enquanto seu corpo de arbitragem, quem está ferindo realmente as regras? Fica algo meio solto", completou.
O dirigente avaliou que Salvador tem conseguido reduzir a incidência de eventos irregulares, especialmente quando há atuação conjunta entre a federação e os órgãos fiscalizadores.
"Hoje a capital é uma referência. Dificilmente acontecem eventos irregulares. Volta e meia acontecem em alguns treinões. Mas, quando é identificado, é inibido pelo ente federativo, juntamente com os órgãos fiscalizadores da prefeitura e da capital, para que práticas como essas não aconteçam", explicou.
Um dos pontos citados por Herbert foi o crescimento dos chamados “treinões”. Segundo ele, algumas atividades se apresentam como treinos, mas, após análise da federação, possuem características de prova.
"Foi algo que cresceu muito no último ano. Alguns eventos se intitulam como treinos, mas quando a federação faz a análise documental, vê que não se encaixam enquanto treino", concluiu.
