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Notícia

BN na Copa: Das cinzas à Rota da Seda, o Uzbequistão ressurge para estrear no Mundial de 2026

Por Sara Santos

Reprodução/UFA

Localizado no coração da Ásia Central, o Uzbequistão volta para o radar do futebol mundial após tentativas frustradas ao longo de seu curto tempo de vida como nação independente. Antes de se tornar o país que conhecemos hoje, o território abrigava a República Socialista Soviética do Uzbequistão, uma das 15 unidades da extinta União Soviética (URSS). O país conquistou sua independência oficial em 31 de agosto de 1991, mas foi apenas três décadas e meia depois, com a ampliação para 48 seleções, que o sonho de disputar uma Copa do Mundo de Futebol Masculino se tornou realidade.

 

Geograficamente, o estreante é o epicentro da Rota da Seda, o antigo caminho comercial que ligava a China à Europa. Politicamente, o Uzbequistão vive uma transição de um regime fechado para uma abertura econômica recente, movimento que reflete diretamente no investimento esportivo que vemos hoje nos gramados.

 

A RECONSTRUÇÃO DE UM SONHO INTERROMPIDO
Embora os primeiros clubes tenham surgido na década de 1920, o grande marco do futebol local é o Pakhtakor Tashkent, fundado em 1956. Único clube uzbeque a disputar a elite soviética, o Pakhtakor é o maior campeão nacional, mas sua história é marcada pela maior tragédia do esporte na Ásia Central.

 


Estádio Pakhtakor Markaziy - Foto: Divulgação

 

Em 1979, o avião que levava a equipe colidiu com outra aeronave no ar, vitimando 178 pessoas, incluindo 14 jogadores e três membros da comissão técnica. O acidente dizimou a geração de ouro da época. Em um gesto de solidariedade histórico, a Federação Soviética garantiu que o clube permanecesse na primeira divisão por três anos, independentemente dos resultados, enquanto se reconstruía com atletas emprestados de outros times da URSS. 

 

ORGANIZAÇÃO E A SUBIDA AO TOPO DA ÁSIA
A Federação Uzbeque de Futebol foi fundada em 1992, um ano após a independência, mas a filiação oficial à FIFA e à Confederação Asiática (AFC) veio apenas em 1994. A estreia internacional não poderia ter sido mais impactante. Logo naquele ano, os uzbeques conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de 1994, vencendo a China na final. Desde então, a seleção se tornou uma presença constante nas fases finais da Copa da Ásia, batendo na trave das eliminatórias para o Mundial por sucessivas edições.

 


Registan, praça principal de Samarcanda, no Uzbequistão - Foto: Turismo do Uzbequistão/Divulgação

 

O CAMINHO PARA 2026 
A seleção uzbeque, conhecida como Lobos Brancos, carimbou sua vaga inédita após uma campanha sólida nas Eliminatórias. O comando técnico hoje está nas mãos de Fabio Cannavaro. O capitão do tetra da Itália em 2006 chega ao Mundial, exatos 20 anos depois de erguer a taça, com o desafio de guiar os estreantes. A classificação histórica foi selada com um empate sem gols contra os Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, garantindo o segundo lugar do Grupo A e evitando o trauma das repescagens.

 

No campo, a liderança técnica passa pelos pés de Eldor Shomurodov. O capitão e maior artilheiro da história do país atua hoje no Ístanbul Basaksehir, da Turquia. Ao seu lado, o "fator X" da equipe é o jovem Abbosbek Fayzullaev, um meia-atacante rápido e habilidoso que também defende as cores do clube turco e é apontado como um dos maiores talentos sub-23 de todo o continente asiático.

 

Seguindo na aposta nos mais jovens, a segurança defensiva tem nome e sobrenome. Abdukodir Khusanov, atualmente no Manchester City, se tornou um pilar do time de Pep Guardiola por seu poder de reação e agressividade física, herdando a rigidez da escola soviética, mas com o refinamento técnico da nova geração.

 


Eldor Shomurodov, Abbosbek Fayzullaev e Abdukodir Khusanov - Fotos: Reprodução/@shomurodov.eldor/ @abdukodir_khusanov_/@abbos.fs

 

Sorteado no Grupo K, o Uzbequistão fará sua estreia histórica no dia 17 de junho, contra a Colômbia. Além do sul-americano, os asiáticos terão que medir forças com a Portugal de Cristiano Ronaldo e a RD Congo. 

 

Para o torneio, a seleção deve se aproveitar de  transições rápidas e uma defesa física, herdada da escola soviética, mas com o refinamento técnico da nova geração, aproveitando-se do entrosamento de uma base que joga junta desde as seleções juvenis.

 

Os Lobos Brancos chegam para representar um povo que se apegou ao futebol no meio da tragédia, que parecia perdido no globo, mas que  finalmente encontrou seu lugar no mapa do futebol. Se o mundo ainda não conhece o talento dos ubiquistanezes, 2026 é o ano oficial para apresentação deles.

 


Seleção do Uzbequistão - Foto: Divulgação