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Localizado no coração da Ásia Central, o Uzbequistão volta para o radar do futebol mundial após tentativas frustradas ao longo de seu curto tempo de vida como nação independente. Antes de se tornar o país que conhecemos hoje, o território abrigava a República Socialista Soviética do Uzbequistão, uma das 15 unidades da extinta União Soviética (URSS). O país conquistou sua independência oficial em 31 de agosto de 1991, mas foi apenas três décadas e meia depois, com a ampliação para 48 seleções, que o sonho de disputar uma Copa do Mundo de Futebol Masculino se tornou realidade.
Geograficamente, o estreante é o epicentro da Rota da Seda, o antigo caminho comercial que ligava a China à Europa. Politicamente, o Uzbequistão vive uma transição de um regime fechado para uma abertura econômica recente, movimento que reflete diretamente no investimento esportivo que vemos hoje nos gramados.
A RECONSTRUÇÃO DE UM SONHO INTERROMPIDO
Embora os primeiros clubes tenham surgido na década de 1920, o grande marco do futebol local é o Pakhtakor Tashkent, fundado em 1956. Único clube uzbeque a disputar a elite soviética, o Pakhtakor é o maior campeão nacional, mas sua história é marcada pela maior tragédia do esporte na Ásia Central.
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Estádio Pakhtakor Markaziy - Foto: Divulgação
Em 1979, o avião que levava a equipe colidiu com outra aeronave no ar, vitimando 178 pessoas, incluindo 14 jogadores e três membros da comissão técnica. O acidente dizimou a geração de ouro da época. Em um gesto de solidariedade histórico, a Federação Soviética garantiu que o clube permanecesse na primeira divisão por três anos, independentemente dos resultados, enquanto se reconstruía com atletas emprestados de outros times da URSS.
ORGANIZAÇÃO E A SUBIDA AO TOPO DA ÁSIA
A Federação Uzbeque de Futebol foi fundada em 1992, um ano após a independência, mas a filiação oficial à FIFA e à Confederação Asiática (AFC) veio apenas em 1994. A estreia internacional não poderia ter sido mais impactante. Logo naquele ano, os uzbeques conquistaram a medalha de ouro nos Jogos Asiáticos de 1994, vencendo a China na final. Desde então, a seleção se tornou uma presença constante nas fases finais da Copa da Ásia, batendo na trave das eliminatórias para o Mundial por sucessivas edições.
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Registan, praça principal de Samarcanda, no Uzbequistão - Foto: Turismo do Uzbequistão/Divulgação
O CAMINHO PARA 2026
A seleção uzbeque, conhecida como Lobos Brancos, carimbou sua vaga inédita após uma campanha sólida nas Eliminatórias. O comando técnico hoje está nas mãos de Fabio Cannavaro. O capitão do tetra da Itália em 2006 chega ao Mundial, exatos 20 anos depois de erguer a taça, com o desafio de guiar os estreantes. A classificação histórica foi selada com um empate sem gols contra os Emirados Árabes Unidos, em Abu Dhabi, garantindo o segundo lugar do Grupo A e evitando o trauma das repescagens.
No campo, a liderança técnica passa pelos pés de Eldor Shomurodov. O capitão e maior artilheiro da história do país atua hoje no Ístanbul Basaksehir, da Turquia. Ao seu lado, o "fator X" da equipe é o jovem Abbosbek Fayzullaev, um meia-atacante rápido e habilidoso que também defende as cores do clube turco e é apontado como um dos maiores talentos sub-23 de todo o continente asiático.
Seguindo na aposta nos mais jovens, a segurança defensiva tem nome e sobrenome. Abdukodir Khusanov, atualmente no Manchester City, se tornou um pilar do time de Pep Guardiola por seu poder de reação e agressividade física, herdando a rigidez da escola soviética, mas com o refinamento técnico da nova geração.
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Eldor Shomurodov, Abbosbek Fayzullaev e Abdukodir Khusanov - Fotos: Reprodução/@shomurodov.eldor/ @abdukodir_khusanov_/@abbos.fs
Sorteado no Grupo K, o Uzbequistão fará sua estreia histórica no dia 17 de junho, contra a Colômbia. Além do sul-americano, os asiáticos terão que medir forças com a Portugal de Cristiano Ronaldo e a RD Congo.
Para o torneio, a seleção deve se aproveitar de transições rápidas e uma defesa física, herdada da escola soviética, mas com o refinamento técnico da nova geração, aproveitando-se do entrosamento de uma base que joga junta desde as seleções juvenis.
Os Lobos Brancos chegam para representar um povo que se apegou ao futebol no meio da tragédia, que parecia perdido no globo, mas que finalmente encontrou seu lugar no mapa do futebol. Se o mundo ainda não conhece o talento dos ubiquistanezes, 2026 é o ano oficial para apresentação deles.
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Seleção do Uzbequistão - Foto: Divulgação
A presença de Cabo Verde na Copa do Mundo de 2026 marca um momento histórico para o país e para o futebol africano. Num ano em que o aumento de 32 para 48 seleções não é a única novidade, a equipe garante sua primeira participação em Mundiais e consolida um processo de crescimento que vinha se desenhando nas últimas décadas.
A história de Cabo Verde começa bem antes da classificação inédita para a disputa da Copa do Mundo de 2026 ou do sorteio para o Grupo H, onde os cabo-verdianos vão dividir espaço com Espanha, Uruguai e Arábia Saudita. Antes mesmo da campanha memorável nas Eliminatórias da África — com dez jogos, sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota — a narrativa deste país foi forjada num contexto singular.
Localizado na costa oeste da África, Cabo Verde é um arquipélago formado por dez ilhas vulcânicas no Oceano Atlântico, com pouco mais de 500 mil habitantes. A identidade cultural do país é marcada pela mistura de influências africanas e europeias, especialmente portuguesas, herança que também se reflete no futebol. Um dos aspectos mais determinantes na formação da seleção é a diáspora cabo-verdiana: há mais cidadãos vivendo fora do país do que dentro dele, principalmente em nações como Portugal, França e Holanda. Esse cenário faz com que muitos jogadores tenham nascido ou sido formados no exterior, mas optem por defender Cabo Verde em nível internacional.

Vista aérea da costa da Ilha de Santiago, em Praia, capital de Cabo Verde | Foto: Divulgação
A seleção, conhecida como Tubarões Azuis, é filiada à Fifa desde 1986 e passou a ganhar relevância no cenário africano a partir da década de 2010. O primeiro grande marco foi a classificação para a Copa Africana de Nações de 2013, quando surpreendeu ao alcançar as quartas de final. Desde então, a equipe passou a figurar com maior regularidade em competições continentais, acompanhando também uma evolução no ranking internacional.
A vaga para a Copa de 2026 foi construída com base em uma campanha consistente nas Eliminatórias Africanas, marcada por organização defensiva e eficiência nas transições ofensivas. O time apresentou um modelo de jogo equilibrado, com linhas compactas e forte disciplina tática, características influenciadas pela formação europeia de grande parte do elenco.
Nesse contexto, nomes como Ryan Mendes, capitão e principal referência técnica, tiveram papel decisivo, contribuindo diretamente em momentos-chave. Ao seu lado, o atacante Jovane Cabral se destacou pela velocidade e capacidade de desequilíbrio, enquanto o goleiro Vozinha foi fundamental em jogos equilibrados, especialmente fora de casa. No sistema defensivo, Stopira se consolidou como uma das lideranças, sendo peça central na solidez que marcou a campanha.
Em campo, Cabo Verde apresenta um perfil híbrido, que combina organização tática europeia com características tradicionais do futebol africano, como intensidade, velocidade e força física. A equipe costuma priorizar o equilíbrio, com postura reativa em muitos momentos, explorando erros dos adversários e transições rápidas. Essa capacidade de adaptação é facilitada pela diversidade de experiências dos jogadores, espalhados por diferentes ligas ao redor do mundo.

Fotografia oficial da equipe nacional titular de Cabo Verde | Foto: Reprodução/Instagram (@fcfcomunicacao)
MORNA: MÚSICA É CULTURA VIVA
A morna é um dos principais símbolos culturais de Cabo Verde e talvez a expressão artística que melhor traduz a identidade do país. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela UNESCO em 2019, ela carrega em sua essência temas como saudade, amor, distância, partida e cotidiano, sendo estes elementos profundamente ligados à experiência histórica cabo-verdiana.
É justamente nessa mistura que a morna ganha profundidade. Suas letras, quase sempre cantadas em crioulo cabo-verdiano, abordam histórias pessoais e coletivas, muitas vezes relacionadas à separação — seja de amores, da terra natal ou da família. Por isso, o gênero é frequentemente associado ao sentimento de “saudade de quem emigrou”, uma definição que dialoga diretamente com a realidade da diáspora do país. Em Cabo Verde, onde grande parte da população vive fora do território nacional, a música se torna uma forma de manter vínculos afetivos e culturais. O que reforça a ideia de que a cultura é viva e transmite relações em diferentes lugares, num contexto em que, apesar da liberdade de suas descendências serem sequestradas, a conexão é uma força para fazer suas raízes sobreviverem.

Grupo de músicos de morna | Foto: Augusto Brázio/UNESCO
Outra ideia associada ao gênero é de “registro emocional da história”. A morna não conta, diretamente, a história de Cabo Verde de forma factual ou cronológica, como faria um livro ou documento. O que ela registra são as emoções ligadas aos processos históricos que marcaram o país: colonização, pobreza estrutural, migração, isolamento geográfico.
Ao longo do tempo, diferentes composições capturam como essas experiências foram sentidas pelas pessoas comuns. A saída de um familiar, por exemplo, não aparece apenas como dado estatístico, mas como dor, espera ou esperança. A relação com o mar — que ao mesmo tempo conecta e separa e tem ligação com expedições marítimas — surge como metáfora recorrente. A própria ideia da música “sodade” (forma crioula de “saudade”), de Cesária Evora, um dos maiores nomes do gênero, sintetiza esse conjunto de sentimentos ligados à distância e à memória.
Talvez não seja de senso comum, mas do ponto de vista linguístico, a conexão entre Cabo Verde e Brasil é direta. O português é o idioma oficial nos dois países, resultado da colonização, mas com diferenças importantes: em Cabo Verde, o crioulo cabo-verdiano é amplamente falado no cotidiano, enquanto no Brasil o português incorporou vocabulário, ritmos e estruturas influenciadas por línguas africanas e indígenas. Em comum, há essa adaptação local de uma base linguística europeia.
Até no futebol essa relação aparece de forma indireta. Assim como Cabo Verde utiliza fortemente jogadores formados na diáspora europeia, o Brasil também é um dos maiores exportadores de jogadores do mundo, com atletas espalhados por diferentes ligas, ainda que, no caso brasileiro, a seleção seja majoritariamente composta por jogadores nascidos no próprio país.
A participação de Cabo Verde na Copa do Mundo ocorre dentro de um novo contexto competitivo, impulsionado pela ampliação do torneio na edição de 2026. Embora enfrente seleções mais tradicionais, os Tubarões Azuis chegam com a possibilidade de ser uma das surpresas, especialmente pela consistência demonstrada ao longo das Eliminatórias. Independentemente do desempenho, a classificação já representa um marco significativo e posiciona o país como um dos exemplos mais claros de como a expansão do Mundial e a influência da diáspora vêm redefinindo o mapa do futebol internacional.
O técnico Dorival Júnior vai estrear no comando da Seleção Brasileira nesta data Fifa de março nos amistosos contra Inglaterra e Espanha. Mas ele não é o único nessa condição. Oito jogadores foram convocados pela primeira vez no debute do treinador.
Os calouros do time Canarinho são os goleiros Léo Jardim, do Vasco, e Rafael, do São Paulo, os zagueiros Fabrício Bruno, do Flamengo, Beraldo, PSG, e Murilo, do Palmeiras, o meio-campista Pablo Maia, do São Paulo, e os atacantes Savinho, Girona, e Galeno, do Porto.
O Brasil encara a Inglaterra no próximo sábado (23), às 16h no horário de Brasília, em Wembley. Depois, na terça-feira (26), o desafio será diante da Espanha, no Santiago Bernabéu.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Fernanda Melchionna
"A cantilena enfadonha da extrema direita e dos bolsonaristas chega a doer o ouvido. Um juiz, que foi um juiz ladrão, como mostrou a Vaza Jato, vem aqui tentar se mostrar como paladino da moral, como se lutasse contra a corrupção. É muita falta de vergonha na cara daqueles que votaram na PEC da bandidagem na Câmara dos Deputados vir aqui dizer que estão contra os corruptos".
Disse a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) ao debater com o senador Sérgio Moro (PL-PR) durante a discussão do veto do presidente Lula ao projeto da dosimetria de penas, a deputada do Psol chamou Moro de “juiz ladrão”.