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Liga Saudita reage a protesto de Cristiano Ronaldo e reforça autonomia dos clubes; entenda

Por Redação

Foto: Reprodução / Instagram / @cristiano

A Saudi Pro League se manifestou oficialmente sobre a postura de Cristiano Ronaldo, que teria se recusado a disputar partidas do campeonato nacional pelo Al-Nassr em sinal de insatisfação com os rumos adotados pelo clube na última janela de transferências. A resposta da liga foi divulgada nesta sexta-feira (5) pelo jornal Marca, da Espanha, e reforça que nenhuma figura, independentemente de sua relevância esportiva ou midiática, está acima da estrutura institucional da competição.

 

Em comunicado, a entidade deixou claro que o modelo da liga é baseado na independência administrativa de seus clubes, destacando que decisões esportivas e financeiras não são centralizadas nem influenciadas por atletas.

 

"A Liga Profissional Saudita está estruturada em torno de um princípio simples: cada clube opera de forma independente, sob as mesmas regras. Os clubes têm seus próprios conselhos de administração, seus próprios executivos e sua própria gestão de futebol", afirmou a organização.

 

Apesar de reconhecer o impacto esportivo e comercial provocado por Cristiano Ronaldo desde sua chegada ao futebol saudita, a liga ressaltou que há limites claros para a influência individual dentro do projeto.

 

"Cristiano tem se dedicado integralmente ao Al Nassr e desempenhado um papel fundamental no crescimento e nas ambições do clube. Como qualquer jogador de elite, ele quer vencer. Mas nenhum indivíduo, por mais importante que seja, toma decisões que vão contra os interesses do seu próprio clube."

 

ENTENDA O CASO
Segundo informações do jornal português A Bola, o estopim do descontentamento do camisa 7 estaria relacionado à condução administrativa do Al-Nassr, especialmente no que diz respeito à política de investimentos do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), responsável pela gestão de diversos clubes do país.

 

De acordo com a publicação, Cristiano Ronaldo tem demonstrado incômodo com a forma como os recursos vêm sendo distribuídos, sobretudo ao comparar o tratamento dado ao Al-Nassr com o de rivais diretos sob o mesmo guarda-chuva institucional. O principal exemplo citado é o Al-Hilal, que foi mais agressivo no mercado, com contratações de maior impacto e negociações em andamento.

 

Na atual janela, o Al-Nassr anunciou apenas a chegada do jovem meia Haydeer Abdulkareem, de 21 anos. O movimento discreto contrasta com os pedidos públicos por reforços feitos pelo técnico Jorge Jesus e ampliou a percepção de frustração nos bastidores do clube.

 

A diferença de estratégia entre as equipes controladas pelo PIF tem sido alvo recorrente da imprensa local. Enquanto o Al-Hilal manteve postura ativa no mercado, o Al-Nassr adotou uma política mais cautelosa. Paralelamente, o fundo segue envolvido em negociações relevantes, como a possível contratação do atacante Kader Meité, do Rennes, avaliada em cerca de 30 milhões de euros.

 

As críticas atribuídas a Cristiano Ronaldo se alinham a declarações anteriores de Jorge Jesus. Em janeiro, o treinador afirmou que sua equipe não possuía o mesmo “peso político” dentro do futebol saudita quando comparada ao rival de Riad. A fala gerou repercussão e chegou a motivar um pedido de punição por parte do Al-Hilal, que não avançou.

 

Confira o comunicado completo da Saudi Pro League na íntegra abaixo:

 

"A Liga Profissional Saudita está estruturada em torno de um princípio simples: cada clube opera de forma independente, sob as mesmas regras. Os clubes têm seus próprios conselhos de administração, seus próprios executivos e sua própria gestão de futebol. As decisões relativas a contratações, gastos e estratégia são de sua responsabilidade, dentro de uma estrutura financeira concebida para garantir a sustentabilidade e o equilíbrio competitivo. Essa estrutura é aplicada igualmente em toda a liga.
 

Cristiano tem se dedicado integralmente ao Al Nassr desde sua chegada e tem desempenhado um papel fundamental no crescimento e nas ambições do clube. Como qualquer jogador de elite, ele quer vencer. Mas nenhum indivíduo, por mais importante que seja, toma decisões que vão contra os interesses do seu próprio clube.
 

As contratações recentes demonstram claramente essa independência. Um clube se fortaleceu de uma maneira específica. Outro optou por uma abordagem diferente. Essas foram decisões dos clubes, tomadas dentro dos parâmetros financeiros aprovados.
 

A competitividade da liga fala por si só. Com apenas alguns pontos separando os quatro primeiros colocados, a disputa pelo título está totalmente em aberto. Esse nível de equilíbrio reflete um sistema que está funcionando conforme o planejado.
 

O foco continua sendo o futebol, dentro de campo, onde deve estar, e em manter uma competição credível e competitiva para jogadores e torcedores."