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Deputado quer incluir petistas em pintura da AL

Por (Evilásio Júnior)

 Foto: Ascom/Zé Neto


Painel retrata personalidades e políticos como o falecido senador ACM e seus aliados

A proposta do deputado estadual Paulo Rangel (PT), de substituir personagens retratados na pintura “A Procissão do Senhor dos Navegantes”, do artista plástico Carlos Bastos, tem causado polêmica e indignação de políticos ligados ao carlismo na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). A obra, de 1993, faz referência à principal galeota, Gratidão do Povo, utilizada na secular festa realizada no dia 1º de janeiro de cada ano, desde 1892, e homenageia figuras importantes da religião, como Irmã Dulce e Mãe Menininha do Gantois; das artes, como os cantores Daniela Mercury, Caetano Veloso e Gilberto Gil; da beleza, como a miss mundo Martha Rocha; e da política, como o falecido senador Antonio Carlos Magalhães, bem como dezenas dos seus aliados. A aquarela foi retirada do plenário para ser submetida a procedimentos de conservação, sob responsabilidade da empresa Studio Argolo Restaurações, sobretudo em virtude do ataque de cupins. Ao aproveitar a manutenção, o parlamentar subiu à bancada da Casa e sugeriu que figuras “inexpressivas” devem deixar o painel para que “ilustres recentes” sejam contemplados. “A pintura representa uma época na Bahia e uma visão do totalitarismo no Estado. Devíamos ter um painel mais plural, que representasse toda a história da Bahia. Já que vai ser feita a restauração, deve-se aproveitar para fazer uma reparação”, argumentou Rangel, em entrevista ao Bahia Notícias. O petista preferiu não detalhar quem deveria ser subtraído ou somado ao quadro, mas revelou o nome de um correligionário seu que teria sido “injustiçado” e deveria compor a nova tela: o ex-governador Waldir Pires, que, para ele, “é a figura viva mais importante da política baiana”.

Foto: Ascom/Zé Neto

Enquanto obra segue em reparo, parede da AL-BA contém apenas um aviso

O filho do falecido senador Antonio Carlos Magalhães, que assumiu o mandato como suplente de 2001 a 2003 (após renúncia) e de 2007 a 2010 (depois da morte do pai), o empresário ACM Júnior (DEM), considerou “absurda” a proposta do deputado Paulo Rangel (PT) de alterar o painel “A Procissão do Senhor dos Navegantes”. Ele ressalta que o autor da obra, Carlos Bastos, concebeu a pintura conforme o “momento histórico” vivido na Bahia. “Se for assim, a cada legislatura vai ter que atualizar o painel. Eu acho isso um absurdo total e completo. Isso é uma adulteração de obra de arte e Carlos Bastos não está mais vivo para se defender”, criticou ACM Júnior, em entrevista ao Bahia Notícias. Para o ex-senador, a responsabilidade agora está nas mãos do chefe do Legislativo estadual. “Se o presidente permitir, estará mutilando uma obra de arte. O painel de Carlos Bastos é um patrimônio da Assembleia. O deputado Marcelo Nilo tem que ser duro e firme”, alertou. O argumento do democrata foi corroborado pelo parlamentar Bruno Reis (PRP), que mandou um recado a Rangel: “Ele não pode apagar a história da Bahia. As pessoas que ele agora acha que estão fazendo a história, serão reconhecidas no futuro”. O presidente da AL-BA, Marcelo Nilo (PDT), em contato com o BN, jogou chopp nos planos do colega governista, ao ressaltar que não há “a menor possibilidade” de acatar o requerimento. “Não posso mudar porque é assinado pelo pintor Carlos Bastos que, inclusive, é falecido. Seria uma ofensa ao trabalho do artista. Quando ele falou, pensei que estava brincando”, definiu.

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