TVs do Legislativo: Chefes não apoiam queixas
Por (Evilásio Júnior)
Foto: Valdemiro Lopes

Pedro Godinho e Marcelo Nilo mantêm contrato superior a R$ 100 mil por mês com Tela Produtora
Apesar do sumiço da gravação da polêmica sessão na Câmara Municipal de Salvador, em que a vereadora Tia Eron (DEM) teria citado a cantora Ivete Sangalo como “dependente química”, quando houve informações desencontradas sobre o paradeiro do arquivo, a Tela Produtora não tem desapontado os chefes dos legislativos da capital e do Estado. Embora funcionários da Casa soteropolitana se queixem da má qualidade dos equipamentos fornecidos, o presidente Pedro Godinho (PMDB) relata que não pensa em mudar, pois não tem elementos suficientes para convocar nova licitação. “Não. Da minha parte não. Desde que eu assumi a presidência da Câmara, há três meses, esta é a primeira vez que surge problema. Não dá para rescindir contrato com um problema só”, argumentou. A contratação da instituição foi publicada no Diário Oficial do Município de 9 de junho de 2010, após ser a única mantida no processo licitatório. O acordo prevê a realização de “planejamento técnico, criação, produção, implantação e operação da TV Câmara, bem como gravação de filmes e/ou videotapes”, ao custo de R$ 106 mil por mês, por um período de 12 meses. “Nada disso tem sido atendido. Os equipamentos são ruins, vivem dando problema, as fitas são frágeis, tanto que a de Tia Eron quebrou. Eles também colocam pouco pessoal para dar assistência às sessões”, reclamou um funcionário, que preferiu manter-se em anonimato.
Assembleia - A Tela Produtora está presente na Assembleia Legislativa há mais tempo, mas, assim como na Câmara de Vereadores de Salvador, também não está na berlinda no parlamento estadual. Profissionais da Casa, ao contrário do que ocorre em Salvador, não têm reclamações contra a empresa. “Nunca tive nenhum problema nem recebi queixa de nenhum deputado. Desde quando eu entrei já era ela, pois ganhou licitação ainda na época de Clóvis Ferraz (DEM, ex-presidente)”, exemplificou o comandante da AL-BA, Marcelo Nilo (PDT). O presidente não soube precisar o valor do contrato, mas disse que deve ser semelhante ao pactuado na capital, de aproximadamente R$ 107 mil. “Quem é responsável pelo contrato é a Fundação Paulo Jackson, que tive que criar para cuidar da TV Assembleia”, esclareceu Nilo. O Legislativo soteropolitano tem vínculo com a Tela até junho deste ano.
