Otto: ‘Geddel usou ministério para inflar PMDB’
Por (Evilásio Júnior)
Foto: Max Haack/BN
Otto Alencar cita João Henrique como um dos prefeitos atraídos por convênios
O comentário do novo vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, de que a formação do PSD é um “estímulo à traição e molecagem”, desagradou o vice-governador Otto Alencar, coordenador da nova sigla na Bahia. De acordo com ele, os prefeitos do PMDB que o têm procurado tiveram a legenda “tomada à força”, a exemplo de Domingas da Paixão, de Governador Mangabeira, e Antonio Dessa, de São Gonçalo dos Campos. “Todos eles têm condições de se reelegerem e não têm mais o partido. O ex-ministro deve lembrar de que ele tirou quase todos os prefeitos do DEM quando estava na Integração Nacional. O PMDB tinha vinte e poucos prefeitos e passou a ter cento e tantos na base da troca de convênios. Ele usou o Ministério para inflar o PMDB, que cresceu assim no governo Wagner. O prefeito João Henrique, por exemplo, que sempre militou no PDT, deixou o trabalhismo para o peemedebismo por convicção ideológica? Foi por causa dos convênios, para a construção do canal da Avenida Centenário e etc. O engraçado é que, mesmo com o pão que nutre, ele não conseguiu sustentar ao lado dele. Eu consigo”, disparou, em entrevista ao Bahia Notícias.
Lapso verbal - Segundo Otto Alencar, apesar de ele acumular o cargo de secretário estadual de Infraestrutura, nada tem sido oferecido em troca aos adeptos do seu projeto de formação do PSD. “Não tenho convênio nenhum nem cargo nenhum a oferecer. Eles vieram porque este é um momento de renovação, de se fazer a política do futuro, e essa justificativa tem que ser respeitada, como eu respeito qualquer iniciativa que o ex-ministro tomar. Vejo que esse lapso verbal, de ele considerar o PSD como ‘molecagem’, assim como chamou o prefeito João Henrique de ‘menino maluquinho’, é muito ruim para a democracia e para a política. Essa linguagem muito áspera agride a liberdade e a vontade das pessoas que tomaram a iniciativa de criar um novo partido, o que é perfeitamente legal. Pelo tempo de política e pela maturidade do ex-ministro, gostaria que ele pudesse ao menos respeitar. Vida que segue”, analisou. Para o vice-governador, um dos motivos para mudança na configuração política baiana é a quebra da divisão entre carlistas e anti-carlistas promovida, segundo ele, na primeira eleição de Jaques Wagner.
