PAPAGAIO DE PIRATA
Por (Lívia Cortizo)

Muitos se questionaram o que fazia o ator José de Abreu ao dividir o palanque com a presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, em seu primeiro discurso. Quando a foto caiu na rede e seu nome virou alvo de uma chuva de piadas, a pior intitulada "Piratas, Papagaios, Torturas e Torturados", Abreu, desconfortado, correu para esclarecer o mistério no blog do Xexéu. "A verdade é que, naquele momento, quando tiraram os outros papagaios do palco e eu ia descer, uma mão firme me segurou, um olhar carinhoso cruzou com o meu e me senti estimulado a ficar. E fiquei. Eu estava entre amigos, lutadores, como eu, da boa luta. E vitoriosos em uma batalha onde golpes baixos eram lançados a toda hora, um aborto na canela, uma homofobia nas partes pudendas, um bispo protetor de pedófilo pisando no dedão… Terrorista, ladra, assassina, era o que se dizia dela, minha companheira de luta contra a ditadura, que de branda nada tinha. E tome machismo, preconceito, baixarias. Estava feliz e emocionado, a lembrar dos censurados, dos torturados, dos assassinados pelo terror de Estado. E pensei: melhor ser papagaio de pirata que pirata sem papagaio”, resmungou o ator. As informações são do colunista Augusto Nunes, da revista Veja.
