ORDEM NA CASA, DESORDEM NAS PRAIAS
Fotos: Tiago Melo/BN
Vendedor de coco diz que monta seu isopor no mesmo local há vinte anos e não por ter sido conscientizado pelos fiscais da prefeitura
A reportagem do Bahia Notícias foi conferir de perto a situação dos ambulantes nas praias de Salvador neste domingo (17), após a iniciativa da prefeitura na última sexta (15) de conscientização de ambulantes que ocupavam as areias das praias irregularmente com mesas, cadeiras e isopores. Questionado pelo Bahia Notícias, o vendedor de água de coco e refrigerantes, Fábio Pietro, que montou seu isopor no calçadão, negou que estivesse ali por causa do projeto Ordem na Casa. "Estou neste ponto há 20 anos, hoje vendo tanto para quem está na praia quanto para quem vem caminhar na Orla. É com este dinheiro que consegui me formar na Jorge Amado em Letras e Inglês", disse o vendedor.
Os guarda-sóis iguais comprovam que as pessoas têm alugado-os nas mãos de antigos barraqueiros
No entanto, quem passeia pelo calçadão pode verificar que o sistema das barracas de praia voltou a funcionar da mesma forma, a única diferença é de que agora os banhistas têm de pagar aluguel para sentar, mas continuam a ter acesso a cadeiras, guarda-sóis, bebidas e comidas, feitas ali mesmo. Indagada pelo BN, a proprietária de uma "cabana armengada" montada nas areais da praia do Jardim de Alah, se o sistema voltou a ser o mesmo de antigamente, ela foi enfática. "Claro. Se isto aqui é espaço público, já que foi isso que nos disseram quando derrubaram nossas barracas, por que não devolvem o dinheiro dos impostos que durante todos esses anos pagamos para estar aqui? Último DAM que paguei foi no valor de R$ 2 mil e ninguém me devolveu para montar meu próprio negócio lá fora", disse Jéssica, enquanto preparava uma carne do sol para um cliente.
