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GUARDAS COM ARMAS: VEREADORES DIVERGEM

Por (Evilásio Júnior)

Foto: Max Haack/BN

Pedro Godinho diz que projeto vai dimunir a violência

Antes mesmo de ser redigido e encaminhado para votação, o projeto anunciado pelo prefeito João Henrique (PMDB) para armar a Guarda Municipal de Salvador já rende polêmica também na Câmara. Na oposição, os vereadores afirmam que o pleito não será fácil para a bancada de governo, uma vez que parte dos seus integrantes seria contrária à medida. Já na ala da maioria, o líder Pedro Godinho (PMDB) assegura que orientará seus integrantes a se pronunciar pela aprovação. “O projeto não foi ainda para a Câmara. O prefeito que disse que gostaria de armar a Guarda Municipal exatamente pela falta de segurança. Se for encaminhado, a gente vai trabalhar para que seja aprovado. Acho que tudo que puder contribuir para melhorar a segurança e minimizar a violência é válido”, salientou. 

Foto: Valdomiro Lopes

Gilmar Santiago diz que projeto é ilegal

O líder da oposição na Câmara Municipal de Salvador, Gilmar Santiago (PT), questionou a constitucionalidade da medida que pretende equipar a Guarda Municipal com armas, o que considerou “mais uma ação midiática de João Henrique”. De acordo com o edil, antes de os agentes portarem pistolas, tem que haver autorização do Ministério da Justiça e pelo menos um ano de treinamento para os profissionais. “Essa proposta não tem nenhuma cobertura legal, pois a constituição da Guarda previa apenas a preservação do patrimônio do Município”, advertiu.  O petista acredita que o projeto do Executivo tem o objetivo de encobrir as fragilidades da Prefeitura e prevê que haverá dificuldades na aprovação. “Com esse projeto, as desapropriações, que agora ele revogou, o caos no trânsito e os diversos problemas de Salvador ficariam minimizados. É uma política irresponsável. Nós vamos seguir aquilo que tem dito o Ministério Público e vamos votar contra, caso ele envie o projeto, o que não acredito. Dentro do próprio governo tem pessoas contrárias à medida”, apostou. 

 Foto: Google

TC Mustafa diz que guardas já atuam em módulos policiais

Surpreendentemente, o vereador TC Mustafa (PTdoB), representante da Polícia Militar na Câmara Municipal, se manifestou favorável ao armamento da Guarda. De acordo com edis da oposição ele seria contrário ao projeto e até propôs a criação de uma Comissão de Segurança Pública na Casa. Porém, governista, ele justificou que os agentes já atuam como policiais e correm risco por não serem armados. Segundo ele, os profissionais trabalham inclusive em postos da PM no bairro de Roma, na Orla e no Parque da Cidade. “O cara trabalha em um módulo policial, em postos de saúde, em órgãos públicos. Se houver um assalto, como vai agir desarmado? É claro que tem que prepará-lo para que ele possa usar uma arma. Sobre a questão do preparo, qualquer instituição, seja Exército, Polícia Federal ou até mesmo a PM, pode dar o treinamento. Eles estão fazendo policiamento ostensivo. É um risco. De qualquer maneira, se eles estão ajudando no policiamento, têm que ser preparados”, argumentou.

Foto: Max Haack/BN

Para Aladilce, projeto é um "absurdo"

Além de considerar o projeto de armamento da Guarda Municipal “um absurdo”, a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) questionou o objetivo da proposta. Para ela, o prefeito João Henrique (PMDB) pretende utilizar a medida como munição para as eleições. “O prefeito quer fazer mais um jogo de cena. Inclusive, quer utilizar este artifício em um momento de disputa eleitoral para fazer contraponto ao Governo do Estado na questão da segurança. Não é por aí”, criticou. Assim como Gilmar Santiago (PT), a comunista afirmou que na época em que o órgão foi criado não havia previsão de aparelhamento com artefatos de fogo, bem como contestou a capacidade dos profissionais que receberão as pistolas. “Esses agentes têm na descrição do cargo o cuidado pelo patrimônio público. Eles não têm preparo. A Lei que foi aprovada não permite o uso de armas”, endossou. Para Aladilce, a votação do projeto na Câmara será polêmica e não haverá facilidade para a base aliada. “Eles não têm uma maioria tão tranquila. Mesmo sem ter a garantia de que teremos maioria nessa questão, temos que debater amplamente. O que pudermos fazer de obstrução e debate nós vamos fazer”, avisou.

 

Foto: Max Haack/BN

Sandoval Guimarães quer ampliar debate

O vereador Sandoval Guimarães (PMDB), que apesar de ser governista tem mantido uma atuação mais independente na Câmara, entende a manifestação do prefeito, mas observa que o armamento da Guarda Municipal requer uma discussão cautelosa. Ele ressalta que há um apelo nacional na proposta, em virtude do crescimento da violência e do fato de que outras cidades do país já adotaram o procedimento, embora defenda que apenas a capacitação não é suficiente. “Tem que dar uma formação com um sentido mais amplo, mesmo que seja feito o treinamento. Há uma falta de conscientização de alguns profissionais diante da profissão que escolheram. Primeiramente, tem que haver um trabalho com a sociedade e uma discussão mais profunda”, requereu. O peemedebista alertou ainda os riscos que a decisão pode ocasionar. “Ter uma arma em mãos é perigoso. Alguns desses guardas atuam em postos de saúde, escolas, órgãos públicos. Para que a Guarda Municipal seja um órgão auxiliar da PM tem que ter muita prudência, trabalhar o psicológico desses profissionais e fazer muitos cursos, como ocorreu em São Paulo e no Rio de Janeiro. É claro que a violência é muito grande, mas na própria polícia há desequilíbrio no uso e, portanto, temos que ter a mesma preocupação com a Guarda”, ponderou.

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