ARQUITETA RELATA PRESSÃO EM ALVARÁ DO AEROCLUBE

Em surpreendente depoimento à Polícia Federal, a arquiteta Gabriela Sampaio, técnica do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), admitiu que o licenciamento para as obras de ampliação e revitalização do Shopping Aeroclube Plaza Show foi concedido sem que o órgão possuísse todos os elementos necessários para a análise do impacto das obras sobre a paisagem do local. Isto aconteceu, segundo ela, devido à pressão de empresários, lojistas e associações da sociedade civil. O trecho da Orla ocupado pelo Aeroclube é tombado pelo Iphan desde 1959, com o objetivo de proteger a região de alterações que impeçam a visão do mar. “O fato do Aeroclube ser uma construção de grande porte e de caráter econômico relevante para a cidade de Salvador foi levado em consideração para que não se estabelecesse na medida em que afrontava o tombamento”, afirmou. “No caso do projeto do Aeroclube, havia uma certa pressão da imprensa, empresários, lojistas, associações civis e sociedade em geral; tais circunstâncias fizeram com que emitíssemos um parecer sem que todos os elementos para a análise estivessem às nossas mãos”, confessou. O advogado da ação popular que tramita na Justiça Federal e atualmente mantém paralisada a ampliação do Aeroclube, Celson Ricardo de Oliveira, adicionou o depoimento ao processo, com o objetivo de ratificar o embargo. “É uma prova que o Iphan sucumbiu à pressão dos grupos econômicos”, disse. Informações do A Tarde.
