WAGNER TENTA MANTER SECRETÁRIOS NO GOVERNO
Por (Evilásio Júnior)

Roberto Muniz e Walter Pinheiro têm sido convencidos por Wagner a abrir mão das eleições
O governador Jaques Wagner, para amenizar os ânimos dos integrantes da sua chapa e reforçar a continuidade dos trabalhos da sua atual gestão, tenta convencer dois importantes secretários a abdicarem das candidaturas. Ele retorna nesta sexta-feira (18) à Bahia, inspirado com os ares do Oriente Médio, e tem a missão de agradar, de certo modo, a palestinos e judeus. A desistência de Walter Pinheiro, titular do Planejamento, e Roberto Muniz, que comanda a pasta da Agricultura, seria estratégica por dois aspectos. Além de reconhecer o progresso efetuado na Seplan e Seagri pelos parlamentares licenciados, e manter o ritmo das atuações, o chefe do Executivo baiano abriria espaço para os postulantes da coligação na Câmara e Assembleia Legislativa.
O parâmetro são as eleições de 2006, em que os dois juntos responderam por mais de 263 mil votos, o petista como deputado federal e o pepista como estadual. Isso significa, na proporcional, a abertura de, pelo menos, três novas vagas aos integrantes do grupo, entre elas duas no Congresso Nacional. O ponto de corte, ainda com base no último pleito majoritário, é de aproximadamente 80 mil votos para federal e 48 mil para estadual. Isso porque Tonha Magalhães (atualmente no PR) foi a última eleita no bloco governista pelo extinto PFL, com aproximadamente 78 mil, e Paulo Câmera (hoje no PDT), também pela Frente Liberal, obteve pouco mais de 46 mil indicações. Na corrente conjuntura, Wagner perderia oito secretários até o fim do mês: Nelson Pelegrino (Justiça); Rui Costa (Relações Institucionais); Valmir Assunção (Desenvolvimento Social) e Afonso Florence (Desenvolvimento Urbano), todos do PT; João Leão (Infraestrutura), do PP, e o verde Juliano Matos (Meio Ambiente). Além dos próprios Pinheiro (PT) e Muniz (PP), único da equipe que postula vaga na AL-BA.
Os elementos disponíveis para a permuta com os mandatos se constituem, entretanto, em uma equação difícil de solucionar. Entre os pepistas, o presidente estadual da legenda, Mário Negromonte, tenta intermediar, pois tem interesse em facilitar a chegada do seu homônimo filho ao Legislativo baiano. Já no elenco petista a situação é mais complicada. Pinheiro quer ficar, mas pretende ser o nome de consenso do partido na corrida pela prefeitura de Salvador em 2012, embora o nome da estrela vermelha que figura mais forte no momento seja o de Pelegrino. Outro empecilho é o espaço cedido na administração à Democracia Socialista (DS), a corrente do titular da Seplan no PT. A ala não dispõe do mesmo prestígio de outrora e o governador teria cumprido todo o compromisso assumido para revigorá-la. Além do próprio secretário do Planejamento, o primeiro escalão conta com Florence – que seria um dos grandes beneficiados com a saída de Pinheiro da disputa – e outros quatro militantes da DS gerem importantes superintendências do Estado. A questão resume-se em convencer todos os interessados na coalizão de que o Palácio de Ondina não fica em Jerusalém e a chegada aos parlamentos não se dá via cruzada.
