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Absolvido pelo STJ, advogado diz que entrou na Faroeste por ser genro de desembargadora

Por Redação

Foto: Antena 1 Salvador

O advogado Márcio Duarte Miranda, investigado na Operação Faroeste, afirmou que seu nome passou a integrar a apuração quando o processo já estava em andamento. Absolvido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por falta de provas, após permanecer quase dois anos preso, ele relatou que sua inclusão decorreu de uma denúncia anônima baseada, segundo ele, exclusivamente no vínculo familiar com a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago.

 

“Meu nome foi posto na Operação Faroeste quando ela já estava em curso, por uma denúncia anônima. Vamos deixar bem claro: meu nome foi fisgado, pinçado aleatoriamente por eu ser genro da desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago”, declarou em entrevista à rádio Antena 1 Salvador, no programa Bahia Notícias no Ar.

 

O advogado contestou as acusações de que atuava como operador financeiro do esquema e afirmou que a quebra dos sigilos bancários e os depoimentos colhidos durante o processo não apontaram a existência de repasses ilícitos envolvendo seu nome.

 

“A acusação que coube a mim é de ser o operador da Maria do Socorro. Mas eu nunca recebi qualquer dinheiro de nenhum dos investigados. Nós ouvimos mais de 180 testemunhas. Todas as minhas contas pessoais e das minhas empresas foram investigadas. Eu não recebi nenhum recurso de ninguém, não repassei recurso para ninguém”, afirmou.

 

Durante a entrevista, Miranda também criticou a condução das apurações. Segundo ele, houve uma inversão do ônus da prova ao longo do processo criminal, o que o teria obrigado a demonstrar sua inocência.

 

“Infelizmente, a Justiça tem essas coisas. A gente teve que provar a nossa inocência, e não o contrário. Geralmente, no processo criminal, o Estado é que tem que provar que a gente cometeu algum delito, mas, nesse caso específico, nós tivemos que provar que fomos inocentes”, disse.

 

Ao comentar as provas mencionadas pela acusação, o advogado esclareceu sua versão sobre as interceptações telefônicas citadas no processo. Uma das suspeitas envolvia contatos com concessionárias de veículos que, segundo a investigação, poderiam estar relacionados a pagamentos por decisões judiciais.

 

“Pegaram uma ligação minha para várias concessionárias de carros e disseram que eu estava comprando decisões e pagando com carros. Isso foi mentira, nunca foi comprovado isso. Simplesmente, eu liguei para comprar um carro para mim, pessoalmente”, justificou.

 

Outro ponto abordado foi a existência de chamadas frequentes entre linhas telefônicas registradas em seu nome e a desembargadora. Segundo Miranda, os contatos eram realizados pela filha da magistrada, e não por ele.

 

“Botaram várias ligações que eu possivelmente tinha com a desembargadora. Isso também foi explicado no processo, porque eu tinha aquele plano de dez linhas telefônicas. Todas estavam em meu nome, mas efetivamente eu não usava a linha que falava diretamente com Socorro, e sim a filha dela”, explicou.

 

O advogado afirmou ainda que, em sua avaliação, o Ministério Público interpretou os registros telefônicos como indícios de negociações envolvendo decisões judiciais da magistrada.

 

“O Ministério Público achou por bem dizer que eu é que falava com Socorro o tempo todo e negociava as decisões dela. Isso nunca existiu”, concluiu.

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