Codesal inicia monitoramento da erosão costeira em quatro praias da Barra
Por Redação
A Defesa Civil de Salvador (Codesal) iniciou um projeto-piloto para acompanhar a erosão costeira em quatro praias da Barra. A iniciativa combina análises de imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão para identificar alterações na faixa de areia e produzir informações técnicas que auxiliem o planejamento e a conservação da orla. A Prefeitura de Salvador já adquiriu os equipamentos necessários para que sejam realizados os levantamentos.
A escolha dos trechos considerou um estudo preliminar que identificou mudanças na linha de costa ao longo das últimas décadas, além das características geomorfológicas das praias e da importância da região para o turismo, a dinâmica urbana e o uso público. As visitas de campo estão previstas para ocorrer ao longo deste segundo semestre e do próximo ano.
Os levantamentos utilizam a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que, com correções em tempo real, permite obter coordenadas com precisão centimétrica. O recurso possibilita mapear o relevo das praias em detalhes e comparar as medições realizadas em diferentes períodos. A previsão é realizar levantamentos periódicos, preferencialmente mensais, com campanhas adicionais após eventos climáticos extremos.
De acordo com Gabriel Pugliese, coordenador do Centro de Monitoramento e Alerta da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) e oceanógrafo, a metodologia, por sua vez, ajuda a compreender a dinâmica natural desses ambientes. “As praias estão em constante transformação pela ação das ondas, das correntes e do transporte de sedimentos. Com medições precisas e comparações ao longo do tempo, podemos identificar melhor os trechos que apresentam sinais de erosão e compreender como essas mudanças evoluem”, explica.
Os dados serão organizados em programas de Sistemas de Informação Geográfica (GIS), como o QGIS, e integrados a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica, ampliando a análise da morfologia costeira, inclusive em áreas com afloramentos rochosos. Além disso, os dados ainda estão em fase de coleta e análise, e a divulgação dos resultados será realizada posteriormente, ainda sem data definida.
Os primeiros resultados poderão ser obtidos após as medições iniciais. Entretanto, a formação de uma série histórica consistente exige pelo menos um ano de acompanhamento, período necessário para observar as variações sazonais e compreender melhor o comportamento das praias em diferentes épocas do ano.
As informações poderão subsidiar medidas preventivas, orientar o planejamento urbano e ambiental e contribuir para a proteção da infraestrutura costeira. A proposta é ampliar gradualmente o trabalho para outras praias da capital, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das próximas etapas.
