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Irmãos ex-Pms são condenados a mais de 30 anos de prisão por assassinato de bicheiro no Rio

Por Redação

Foto: Reprodução / g1

O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou os irmãos Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro pelo assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, genro do bicheiro Castor de Andrade. O crime ocorreu em novembro de 2020, no bairro Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste da capital fluminense.

 

Segundo nota deste sábado (18) da Agência Brasil, a sentença foi proferida pelo juiz Thiago Portes, que presidiu o julgamento. Pedro Emanuel foi condenado a 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão, enquanto Otto Samuel recebeu pena de 31 anos, 5 meses e 6 dias. Ambos cumprirão a condenação em regime inicial fechado.

 

Fernando Iggnácio era casado com uma das filhas de Castor de Andrade, considerado um dos principais nomes da contravenção no Rio de Janeiro nas décadas de 1970 e 1980. Segundo a denúncia do Ministério Público, a vítima foi morta em uma emboscada no estacionamento do heliponto Heli-Rio, na Avenida das Américas, após retornar de helicóptero de Angra dos Reis, na Costa Verde.

 

De acordo com as investigações, Iggnácio costumava passar os fins de semana em sua casa de praia e retornava ao Rio às segundas-feiras acompanhado da esposa. Ainda conforme a acusação, os executores permaneceram escondidos em um terreno vizinho ao heliponto e utilizaram fuzis para atacar a vítima.

 

Fernando Iggnácio morreu após ser atingido por um disparo na cabeça. Na sentença, o magistrado destacou a "frieza e violência exagerada" da execução. O juiz também ressaltou que Pedro Emanuel, que era policial militar à época dos fatos, utilizou conhecimentos técnicos adquiridos na corporação para atuar em favor da organização criminosa ligada ao jogo do bicho, caracterizando violação aos deveres da função pública.

 

Outro fator considerado para o aumento da pena foi o fato de o homicídio ter ocorrido na presença da esposa da vítima. Ela estava no interior do helicóptero e presenciou o momento em que o marido foi morto a poucos metros de distância.

 

Durante o julgamento, os dois réus exerceram o direito constitucional de permanecer em silêncio. Após a leitura da sentença, a defesa informou que recorrerá da decisão ao Tribunal de Justiça. Outro denunciado pelo caso, Rodrigo Silva das Neves, foi julgado anteriormente e condenado, em abril deste ano, a mais de 32 anos de prisão.

 

Apontado pelo Ministério Público como mandante do crime, o contraventor Rogério de Andrade, primo da esposa de Fernando Iggnácio, responde ao processo em ação penal separada. Ele está preso em um presídio federal fora do estado do Rio de Janeiro e aguarda julgamento.