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Picanha do Bolsonaro: Mulher trans acusa influenciador bolsonarista de calote e ameaça

Por Redação

Foto: Reprodução / Redes sociais

Uma mulher trans acusou o empresário goiano Leandro Batista Nóbrega, dono do Frigorífico Goiás e responsável pela “Picanha de Bolsonaro”, de transfobia, ameaças e de não pagar R$500 por um programa. A acusação foi formalizada no dia 15 de junho por meio de um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). A vítima teria acionado a polícia horas após o encontro com o empresário.

 

Leandro Nóbrega, que possui mais de 2 milhões de seguidores entre a conta do frigorífico e o perfil pessoal, é conhecido por vídeos de churrascos, ações de marketing do frigorífico e publicações de cunho político.

 

Segundo o registro, divulgado pelo jornal Metrópoles, ele já havia procurado Aline em 2024 e voltou a entrar em contato em maio deste ano. Ela narra que o empresário foi ao seu apartamento por volta das 13h, no horário previamente combinado, e permaneceu no local por cerca de 1h10.

 

“A declarante diz que fez o atendimento de Leandro (serviços de ordem sexual). Leandro não ficou contente, pois queria ser passivo, e a declarante disse que não fazia ativo. Leandro foi tomar banho e, quando voltou do banheiro, percebeu que aquele homem era do Frigorífico Goiás”, registra o boletim.

 

Ao reconhecer o empresário, Aline afirma que o questionou sobre publicações de teor transfóbico nas redes sociais. A conversa, segundo o boletim, rapidamente evoluiu para discussão. “Leandro começou a debater com a declarante e se alterou. A declarante então filmou Leandro e disse que iria expô-lo”, diz o documento.

 

O Metrópoles divulgou ainda uma gravação que teria sido feita pela mulher. Nas imagens, ela  questiona o empresário sobre ataques transfóbicos direcionados a mulheres trans.

 

 

“Vocês colocam esse fetiche na cabeça de vocês, vocês tratam a gente como homem. Vocês que chamam a gente para comer a mulher de vocês. Vocês que querem que a gente… É por isso que vocês tratam a gente como homem e não querem que a gente use banheiro das mulheres. São vocês. E aquele cara lá eu queria que ele viesse comigo, aí ia ser babado. Eu queria ver ele ameaçar travesti falando de banheiro.”

 

Leandro responde: “É, mas ele não ameaça, não”. Ainda conforme o boletim de ocorrência, após o desentendimento, Leandro teria enviado mensagens oferecendo dinheiro para que o vídeo não fosse divulgado. 

 

No registro, a vítima disse ter recusado a proposta. Ela diz ainda que, diante da negativa, o empresário passou a acusá-la de extorsão e fez ameaças. “A declarante esclarece que, em nenhum momento, pediu dinheiro para não expor Leandro. Leandro ameaçou a declarante dizendo: ‘Eu tenho dinheiro. Eu mando fazer o que eu quiser com você'”, diz o boletim.

 

O empresário, que se declara bolsonarista, ganhou notoriedade nas redes sociais ao exibir, na entrada de seu frigorífico, uma placa com a frase: “Petista aqui não é bem-vindo”. Posteriormente, a Justiça determinou a retirada do cartaz.

 

Ao lado de publicações em apoio a aliados políticos, Leandro também compartilha conteúdos de teor transfóbico, incluindo postagens com piadas sobre a entrada de mulheres trans em seu estabelecimento ou ataques a deputadas trans, como Erika Hilton (PSol-SP). 

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