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Plano do Governo Jerônimo atribui à gestão federal a falta de investimento na segurança pública da Bahia; entenda

Por Mauricio Leiro

Foto: Ascom PCBA

No contexto da escalada de violência na Bahia, o governo de Jerônimo Rodrigues (PT) atribuiu à gestão federal a culpa pela falta de investimentos em armamentos e renovação da frota de viaturas das forças de segurança pública do estado. 

 

A informação está contida num relatório institucional de desempenho do Plano Plurianual Participativo (PPA), do quadriênio 2024-2027. Portanto, é um documento confeccionado pelo próprio governo do estado. Segundo a análise realizada por técnicos da Secretaria de Segurança Pública (SSP), em 2025 houve déficit de quase R$ 250 milhões em investimentos para ampliação e renovação da frota de viaturas policiais – foram orçados R$ 340 milhões, mas executados apenas R$ 92,4 milhões para este fim.

 

A mesma situação foi identificada nos recursos para aquisição de armamentos para as tropas policiais. Neste quesito, o orçamento previsto foi de R$ 33,7 milhões. No entanto, foram gastos R$ 13,3 milhões. Ou seja, defasagem de R$ 20,4 milhões em investimentos para reforço armado para os policiais baianos.

 

O maior déficit aconteceu em programas de prevenção à vitimização e de saúde física e mental para os profissionais do Sistema Estadual de Segurança Pública (Sesp). Foram orçados, para estes projetos, R$ 21 milhões, mas só foram investidos R$ 150 mil, o que consiste em apenas 7% do orçamento inicial.

 

Na justificativa, o governo da Bahia apontou que não houve mais investimentos “em função dos processos licitatórios que foram prejudicados devido ao atraso dos repasses de 2025 oriundos do Fundo Nacional de Segurança Pública que financiam esta ação orçamentária”.

 

O impasse ocorre entre duas gestões alinhadas politicamente, uma vez que os governos federal e estadual são comandados pelo PT. Inclusive, a principal plataforma eleitoral do governador Jerônimo Rodrigues, em 2022, foi vincular a própria imagem à do então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele ano, o ex-secretário de Educação da Bahia se elegeu amparado na imagem do atual comandante da Presidência da República. 

 

CRISE NA SEGURANÇA

A Bahia convive, ano a ano, com alguns dos piores índices de violência entre os estados do país. O mais novo Atlas da Violência, lançado em 2026, confirma esta tendência.Segundo o levantamento produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública a partir de dados oficiais fornecidos pelos estados, em 2024 a Bahia completou uma década como unidade da federação com o maior número de homicídios registrados.

 

Além disto, a Bahia integra a ponta do ranking entre os estados que mais registraram, em 2024, homicídios de crianças de 5 a 14 anos, jovens entre 15 e 29 anos, de negros e de mulheres.

 

Outro dado alarmante também compõe o círculo de violência no estado: o número de mortes violentas contra indígenas cresceu 85% entre 2023 e 2024. Na ocasião, foram 24 assassinatos, o que representa a maior quantidade de mortes na série histórica, iniciada em 2014. Em uma década, o contingente de indígenas assassinados cresceu 118% na Bahia. Vale lembrar que Jerônimo é o primeiro governador indígena da história do Brasil.

 

SUCATEAMENTO

Além da falta de investimentos na segurança pública, justificada pela falta de repasses do governo Lula à SSP de Jerônimo, a Polícia Militar convive com defasagem de material humano no estado. Atualmente, conforme dados contidos no portal da transparência do estado, a Bahia tem déficit de quase 13 mil policiais. 

 

Desta forma, Jerônimo descumpre a Lei nº 14.567/2023, sancionada por ele mesmo, segundo a qual o estado deveria ter 44,7 mil PMs na ativa. No momento, são apenas 32 mil, o que representa proporção de um policial para 440 pessoas.

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