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Mortes em chacinas policiais crescem 235% e número de adolescentes baleados aumenta 367% na RMS, aponta Fogo Cruzado

Por Ana Clara Pires

Foto: Reprodução / GOVBA

O número de mortos em chacinas policiais aumentou 235% em Salvador e na Região Metropolitana (RMS) no primeiro semestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. É o que aponta o novo relatório do Instituto Fogo Cruzado, divulgado nesta segunda-feira (21). Foram 14 chacinas registradas nos seis primeiros meses deste ano, resultando em 57 mortes, contra cinco chacinas e 17 mortos no ano anterior. O levantamento mostra ainda um crescimento de 367% no número de adolescentes baleados por policiais: de três vítimas em 2024, o total saltou para 14 neste ano.

 

Embora o número total de tiroteios na RMS tenha caído 9%, passando de 917, em 2024, para 839 em 2025, o número de pessoas baleadas aumentou. Foram 864 pessoas atingidas por disparos neste ano, das quais 347 foram baleadas durante ações ou operações policiais. Desse total, 305 morreram e 42 ficaram feridas. Em 2024, 309 pessoas haviam sido baleadas por agentes de segurança (248 morreram e 61 ficaram feridas). Isso representa um crescimento de 12% nas vítimas de ações policiais.

 

Salvador foi o município mais afetado pela violência armada. Dos 839 tiroteios registrados em 2025, 611 ocorreram na capital, o que representa 73% do total. A cidade concentrou ainda 69% dos mortos e 79% dos feridos no período. Além da capital, os municípios de Camaçari, Dias D’Ávila, Lauro de Freitas e Simões Filho também aparecem com altos índices de tiroteios, mortos e feridos. Entre os bairros mais atingidos estão Lobato, Beiru/Tancredo Neves, Mussurunga, Fazenda Coutos e Narandiba.

 

O relatório aponta que 69 pessoas foram baleadas dentro de casa, das quais 64 morreram. O número é superior ao registrado no mesmo período de 2024, quando 64 pessoas foram atingidas em residências, 57 delas morreram. O levantamento também mostra que 19 pessoas foram vítimas de balas perdidas em 2025. Nove dessas ocorrências aconteceram durante operações policiais, com quatro mortes e cinco feridos. No ano anterior, foram 21 vítimas, sendo que sete foram atingidas em ações policiais, resultando em uma morte.

 

Os dados revelam ainda 81 tiroteios em meio a disputas entre grupos armados em Salvador e municípios vizinhos, com 45 mortos e 28 feridos, um aumento em relação aos 35 mortos e 23 feridos nas mesmas circunstâncias em 2024. Já o número de tiroteios durante perseguições caiu, mas ainda resultou em 28 pessoas baleadas, sendo 17 mortes.

 

O perfil das vítimas segue um padrão: a maioria é formada por homens negros e adultos. Dos 864 baleados em 2025, 784 eram homens e 64, mulheres. Entre os homens, 658 morreram. Entre as mulheres, foram 39 mortes. Quatro casos de feminicídio ou tentativa foram registrados, número igual ao de 2024. No recorte racial, 370 pessoas foram identificadas como negras, 17 como brancas e 476 não tiveram a raça especificada. Em relação à faixa etária, 809 vítimas eram adultas, 35 adolescentes, 11 idosos e três crianças.

 

Agentes de segurança também foram afetados pela violência. Dezessete foram baleados no primeiro semestre de 2025, com cinco mortes confirmadas. No mesmo período de 2024, foram 16 agentes atingidos, sete deles mortos.

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