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Relatório internacional denuncia condições precárias em plataformas digitais de trabalho remoto

Por Redação

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um estudo global divulgado neste mês revela a face obscura por trás das plataformas digitais que intermediam serviços online ao redor do mundo. O relatório Fairwork Cloudwork Ratings 2025, liderado pela Universidade de Oxford e o instituto WZB Berlin, aponta que empresas que contratam trabalhadores remotos, inclusive no Brasil, operam com remuneração precária, falta de suporte e ausência de proteção social.

 

A pesquisa analisou 16 plataformas de trabalho em nuvem e ouviu 750 trabalhadores em 100 países. As conclusões são alarmantes: a média de pontuação das plataformas foi de apenas 3,5 em 10. Amazon Mechanical Turk, Freelancer e Microworkers não pontuaram. Upwork, Fiverr e Remotasks também receberam notas baixas. Nenhuma das empresas comentou o estudo.

 

O trabalho remoto é a principal fonte de renda para 60% dos entrevistados, o que mostra o grau de dependência dos trabalhadores em relação às plataformas. No entanto, os relatos destacam que muitas empresas pagam abaixo do salário mínimo, atrasam pagamentos ou utilizam cartões-presente, dificultando o recebimento direto. Um em cada três trabalhadores afirmou já ter deixado de receber por serviços prestados.

 

“Gostaria de poder receber meu dinheiro em minha conta bancária em vez de cartões-presente”, relatou um trabalhador da Nigéria.

 

No Brasil, onde o salário mínimo é de R$ 1.518, apenas quatro das 16 plataformas conseguiram comprovar o pagamento desse valor, descontados encargos. “Encontramos dados concretos apenas em quatro plataformas. Em dois casos, havia uma política clara. Em outros dois, houve compartilhamento de dados que comprovaram o cumprimento”, disse Jonas Valente, pesquisador brasileiro do Oxford Internet Institute.

 

Além da remuneração, o relatório destaca contratos pouco claros e unilaterais, que dificultam o entendimento sobre regras, pagamentos e direitos, especialmente para trabalhadores de países onde o inglês não é o idioma principal. No Brasil, por exemplo, a barreira linguística compromete o entendimento dos termos contratuais.

 

Também há riscos à saúde, como o caso de uma trabalhadora peruana, que precisou operar a retina após longas jornadas diante do computador, sem qualquer suporte por parte da empresa contratante.

 

Os pesquisadores alertam para a falta de fiscalização e a ausência de representação sindical nesse modelo, que já atinge cerca de 400 milhões de pessoas globalmente, segundo o Banco Mundial. Por isso, o relatório defende uma regulamentação nacional e internacional rigorosa.

 

“No Brasil, o PL 12/24 precisa incluir todos os trabalhadores de plataformas, não apenas motoristas de aplicativos”, defendeu Jonas Valente. “Sem regulação, milhões continuarão presos em empregos digitais inseguros, mal pagos e sem qualquer proteção”, concluiu.

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