"Ancestralidade e Resistência": Salvador terá Festival Internacional da Capoeira
Por Redação
Depois da aprovação da lei Moa do Katendê, a capoeira da Bahia tem mais um motivo para comemorar: em 2024, Salvador sediará o "2º Festival de Capoeira: Ancestralidade e Resistência - Gingando pelo Mundo". O anúncio foi feito na noite desta sexta-feira (27), na Biblioteca Central dos Barris, durante a abertura do Barracão Cultural Odoyá.
“Iniciamos com chave de ouro o Barracão Cultural Odoyá com a novidade do anúncio do festival internacional. Fui uma das coordenadoras de um dos eixos no primeiro festival e seguiremos nessa caminhada que, sem dúvidas, em 2024 será um sucesso com a edição internacional”, destacou Mestra Princesa.
O Barracão Cultural Odoyá e o festival são uma realização do Capoeira em Movimento Bahia (CMB). O coordenador do CMB e idealizador do Barracão, Jacaré Dialabama, destacou a retomada dos eventos do setor pós-pandemia de Covid-19. “A capoeira foi um dos segmentos mais afetados com a pandemia, sem acesso a seu pão de cada dia e conseguimos dar a volta ao mundo e fazer um evento como esse com tamanha representatividade dos nossos mestres, poder público e secretários de estado demonstrando que a capoeira está muito viva e ávida por roda, por políticas públicas – o que dá o tom do Barracão que segue até quinta-feira, 2 de fevereiro”, avaliou.
De acordo com ele, o festival inicia sua construção com o anúncio e tem as melhores expectativas. “O primeiro spoiler é o fato de ser internacional que não é apenas trazer pessoas de fora, mas fazer uma construção internacional porque a capoeira vai sendo feita a partir de cada identidade e cultura. É um desafio muito grande e estamos pensando inclusive em colocar um berimbau do CMB seguindo o modelo da tocha olímpica percorrendo alguns lugares”, sinalizou.
O evento de anúncio contou com a participação da Secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos Tradicionais (Sepromi), Angela Guimarães; do Vereador de Salvador (PCdoB), Augusto Vasconcelos – proponente do projeto de lei municipal que dispõe do ensino histórico e prático da capoeira nas escolas municipais de Salvador, além dos Mestres Zambi, Alabama, entre outros; e demais representações.
O coordenador no Barracão Cultural Odoyá, Dainho Xequerê, destacou o poder da ancestralidade no caminho de valorização da cultura e identidade do povo preto. “A ancestralidade faz com que as pessoas cheguem aqui até sem saber o que vieram fazer. Com casa cheia e energia super positiva iniciamos o Barracão e com fé e união seguiremos até o dia 2 de fevereiro. Com certeza é a reafirmação da importância das cantigas do povo preto, da cultura, da roda de capoeira, da sua ancestralidade e o quanto a musicalidade fortalece para que isso continue vivo”, comemorou.
O músico, capoeirista e ativista cultural, Tonho Matéria, frisou a relevância do Barracão para o fortalecimento da cultura. “Tudo que é em prol da nossa cultura, da resistência que temos feito é positivo. O Barracão veio para tornar mais ativo ainda o processo cultural. Não existe fazer um carnaval, fazer festa em nossa cidade se não trabalhar com a cultura. O Barracão vem para tornar cada vez mais a capoeira e a nossa arte viva”, afirmou.
