De ‘intervenção’ a acusação de ‘fraude’: o que pedem bolsonaristas no ato antidemocrático em Salvador
Por Redação
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) se reuniram na manhã desta quarta-feira (2), em frente ao Quartel da Mouraria, no Centro de Salvador, pedindo, dentre outras coisas, uma suposta intervenção militar no âmbito federal.
Inconformados com a derrota do atual presidente nas urnas, os manifestantes organizam um ato antidemocrático insuflado por nomes conhecidos da música e da política baiana, a exemplo do cantor de axé music Netinho (PL) e do ex-vereador Cézar Leite (PSC). Mobilizações semelhantes acontecem em outras capitais do país.
Mensagens de grupos em aplicativos monitorados pelo Bahia Notícias mostram o interesse dos participantes em não usar acessórios, bandeiras ou conteúdos que demonstrem relação com o chefe do Executivo (veja aqui), a fim de não legitimarem acusações de que o liberal tenha envolvimento nos atos golpistas.
..jpg)
Foto: Bahia Notícias
À reportagem, um dos participantes revelou que o principal objetivo de estarem nas ruas nesse feriado de Dia de Finados, é questionar o resultado do segundo turno. Dentre as acusações estão a de que houve, no pleito eleitoral deste ano, benefícios por parte do Poder Judiciário ao candidato eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Esse povo que está aqui não é bolsonarista. Aprendeu a ser patriota porque estávamos esquecidos devido aos governos anteriores", reclamou o rapaz, que se identificou como Edson de Faria, ao Bahia Notícias, que além da acusação de fraude eleitoral, também questiona a inocência de Lula.
No momento em que relatava quais eram as pautas, um outro bolsonarista se aproximou e revelou estar com seu perfil no Twitter bloqueado. A mensagem que mostrou era clara: estava suspenso da plataforma durante os próximos 90 dias por publicar, repetidamente, informações falsas. Uma outra mulher também disse estar com sua conta no Facebook numa situação semelhante.
..jpg)
Foto: Bahia Notícias
Como resultado do ato na Mouraria, os integrantes formalizaram suas queixas em uma carta, subscrita por eles, a ser entregue ao Comando da 6ª Região Militar.
Evocando palavras de ordem e ideais religiosos, vestidos com camisas da seleção brasileira, roupas camufladas e cantando hinos pátrios, os participantes também levaram para o ato um carro de som.
Do alto do equipamento, três pessoas levantavam a platéia e lembravam, além do Sete de Setembro, o Golpe de Estado de 1964, que deu início à Ditadura Civil-Militar no Brasil - período marcado por torturas, perseguições, pelo desrespeito aos direitos e liberdade dos cidadãos.
"Que as Forças Armadas tomem conta do nosso país, para impor a ordem e respeito", gritava um homem no carro no momento em que a reportagem esteve no local. Ele também leu um trecho do comunicado que seria entregue ao Exército.
Apesar da tentativa, o BN não conseguiu confirmar o recebimento da carta pelo 6º Comando até o fechamento desta matéria.
