Deputados batem boca na AL-BA após citação à investigação da PF na Saúde de Salvador
Por Lula Bonfim
Os deputados estaduais Jacó (PT), Sandro Régis (DEM) e Paulo Câmara (PSDB) trocaram palavras pouco carinhosas na tarde desta terça-feira (14), em sessão da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA).
A confusão começou quando o parlamentar petista citou uma operação realizada pela Polícia Federal (PF), para investigar supostas irregularidades em contratos da Saúde na prefeitura de Salvador (relembre aqui).
“Eu denunciei aqui que os agentes comunitários de saúde em Salvador têm um piso salarial de apenas R$ 870. Nós temos mais de 3 mil pessoas com AIDS aqui em Salvador há mais de um ano sem atendimento médico. Deve ser por isso que não está sobrando dinheiro: por conta desses contratos fictícios, por causa desse desgoverno”, afirmou o deputado Jacó.
“Salvador tem a pior saúde da Bahia e do Brasil. E a Polícia Federal está provando isso para a sociedade. Porque são contratos superfaturados, serviços prestados com notas que não foram prestadas e a sociedade exige esclarecimentos”, criticou o deputado estadual petista.
Incomodado com a provocação à prefeitura de Salvador, o deputado Paulo Câmara respondeu que Jacó deveria estar preocupado com o caso de corrupção na compra de respiradores (veja aqui), que teria desviado milhões do governo estadual.
“O deputado que me antecedeu estava falando de Saúde, falando que a empresa de Gentio do Ouro. E porquê não falou da empresa HampCare, deputado, que pagou R$ 48 milhões com capital social de R$ 100 mil. Que conversa fiada é essa para boi dormir, rapaz? Está fazendo politicagem em cima da miséria dos outros”, respondeu Paulo Câmara.
“Vossa excelência deveria honrar e dignificar o seu mandato, não estar fazendo desta tribuna uma prosopopeia. Venha com autoridade para falar. Se quer falar da prefeitura de Salvador, olhe primeiro para o seu rabo, que é o governo da Bahia. Compare quanto o governo pagou e o que a prefeitura pagou”, criticou Câmara.
Exaltado, o líder da oposição na AL-BA, deputado Sandro Régis, reforçou o posicionamento de Paulo Câmara.
“Se ele quer levar para esse debate, então vamos levar para o debate. Queremos saber onde estão os R$ 50 milhões dos respiradores. Para onde foi o cheque de R$ 50 milhões? Nós estamos prontos para o debate. A oposição está ávida para fazer esse debate”, gritou Régis.
“Ele [Jacó] sofre ou de Alzheimer ou de demência de memória”, atacou Câmara, antes de ouvir a réplica do parlamentar petista.
“Eu cheguei aqui nesta casa com quase 50 mil votos, com votos dos movimentos sociais da Bahia. Não sou filhinho de papai que foi eleito às custas da máquina da prefeitura de Salvador. Eu venho aqui com a luta do povo organizado da Bahia, portanto eu não aceito nenhum tipo de agressão”, disse Jacó.
A discussão só foi apaziguada após as falas do presidente da AL-BA, Adolfo Menezes (PSD), e do líder da maioria, Rosemberg Pinto (PT), que colocaram panos quentes na confusão.
“Os dois fatos levantados aqui, pelos deputados Jacó e Paulo Câmara, merecem explicações à sociedade. Mas eu acho que não deva ser neste momento a discussão deste plenário”, disse Rosemberg.
“Esse, na minha opinião, não é o momento adequado para trazermos este debate, até porque hoje combinamos de votarmos um projeto com assinatura dos 63 deputados e deputadas preocupados com a vida de diversos baianos e baianas que tiveram bens e alguns familiares perdidos neste momento de intempérie na região Sul da Bahia”, finalizou a discussão o líder do governo.
