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'Repudiamos a existência de Sérgio Camargo', diz presidente da Unegro

Por Jade Coelho / Gabriel Lopes

Ângela Guimarães, presidente da Unegro | Foto: Jade Coelho / Bahia Notícias

Ao som de gritos de "a carne mais barata do mercado é a carne negra", a manifestação contra o governo Bolsonaro deixou a concentração no Campo Grande, em Salvador, em direção à Praça Castro Alves, na tarde deste sábado (20). O ato ocorre na data em que se comemora a Consciência Negra e foi incorporado à Marcha da Consciência Negra Zumbi e Dandara dos Palmares. Presente no evento, a presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Ângela Guimarães, repudiou a fala de Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, sobre mudar o nome da entidade.

 

Na última segunda-feira (15), Camargo defendeu abertamente em suas redes sociais a mudança do nome da entidade federal de promoção da afro-brasilidade, para Fundação Princesa Isabel (leia mais aqui).

 

"Nós repudiamos a existência de Sérgio Camargo, repudiamos a existência dele na presidência da Fundação Palmares, repudiamos esse período nefasto e obscuro que estamos passando. Na verdade, 2021 representa 50 anos da instituição, do dia nacional da Consciência Negra, em que a gente celebra a imortalidade de Zumbi dos Palmares e Dandara", afirmou Ângela ao Bahia Notícias durante a manifestação.

 

Segundo a presidente da Unegro, a data é uma oportunidade para lembrar da "saga libertária dos quilombos, representados pelo Quilombo do Palmares que durou quase um século e foi um espaço de construção de liberdade, de emancipação, de justiça social e democracia. É inspirada nesses ideias de Palmares que a gente vem iluminando e inspirando a nossa luta, que é ancestral".

 

Ela disse, ainda, que "Sérgio Camargo não representa nada para a população negra, ele é um canalha, serviçal de um projeto racista e supremacista branco e ele vai ser varrido das páginas da história, assim como bolsonaro será sepultado. O fim deles está próximo", concluiu.

 

De acordo com a organização do ato, além das pautas antirracistas, o evento também tem como pauta principal o problema da fome, o fim do auxílio emergencial e a migração do Bolsa Família para o Auxílio Brasil.

 

SOBRE A MARCHA
Responsável pela coordenação da Marcha, Antônio Capila sinaliza a importância histórica do ato que já está em sua 42ª edição. Para ele, a busca é pela "igualdade e uma sociedade justa, igualitária e fraterna".

 

Antônio Capila, coordenador da Marcha (Foto: Jade Coelho / Bahia Notícias)

 

"A marcha é formada por uma frente da Conen (coordenação nacional de entidades negras) com a coalisão que é uma outra frente que foi criada para pensar junto com a Conen a organização da marcha. A marcha tem esses dois carro-chefe e pensa na realidade de trazer no dia 20 de novembro bandeiras de luta histórica e na centralidade do debate o herói e heroína: Zumbi e Dandara. Nós entendemos que além deles temos vários Zumbis e Dandaras, e cada ano a gente homenageia um que já se foi, nesse ano foi Luiz Carlos França. Portanto, ele também será homenageado nessa 42ª Marcha", disse.

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