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Bruno Reis não descarta colapso em Salvador; Leo Prates vê sistema 'estrangulando'

Por Bruno Luiz

Foto: Igor Santos/ Secom PMS

O prefeito de Salvador, Bruno Reis, afirmou nesta quarta-feira (17) que, apesar da queda nas taxas de transmissão do coronavírus em Salvador (entenda aqui), a cidade ainda não está livre de viver um colapso no sistema de saúde. O problema para a gestão é que a diminuição não se refletiu na ocupação de leitos Covid da capital, que continua alta - a taxa geral nesta quarta é de 80% e de 86% para UTI adulto.

 

Bruno avalia que a tendência é de queda no número de internados, principalmente pela continuidade de medidas como o toque de recolher e o “lockdown” parcial, mas diz não ser possível estimar quando isso vai começar a ocorrer. 

 

“Ninguém pode dizer que não terá [colapso]. Eles [números de contaminação em queda] ainda não repercutiram na UPA, no sistema de saúde. Nossa expectativa é que vai repercutir, com menos gente infectada, isso vai demandar menos do sistema de saúde. Isso pode dar certeza que estamos livres do colapso? Não. Números [de internados] não param de crescer e estamos sobrevivendo ampliando leitos. Podemos dizer que passamos o pior momento? Ainda não”, afirmou o prefeito em entrevista coletiva durante evento oficial. 

 

O secretário municipal de Saúde, Leo Prates, explicou que preocupa o fato de crescer a quantidade de adultos que precisam de UTIs porque eles costumam passar mais tempo internados, o que reduz a quantidade de vagas para outros pacientes. Na avaliação dele, é crescente o risco de “estrangulamento” do sistema de saúde. 

 

“Os jovens têm mais tempo de internação. Ontem mesmo eu falei com o prefeito, desesperado, que tínhamos regulado, às 19h, 59 pacientes porque o sistema está estrangulando. Quando você tem menos altas, você tem menos leitos e consegue regular menos pacientes. O que eu temo é que a gente tenha um estrangulamento cada vez maior no número de regulações por conta do alto tempo de permanência que os pacientes estão tendo agora”, alertou o secretário.

 

Ainda conforme Leo, outra fonte de preocupação é a situação da rede privada. Lotados, os hospitais particulares acabam sobrecarregando a rede pública, que já está à beira do colapso. 

 

“Nunca a rede privada precisou de apoio da pública. Ontem, fizemos 5 transportes para a rede privada de Salvador porque as ambulâncias da rede privada não aguentam mais. O sistema privado é complementar e suplementar ao público. Neste momento, não temos complemento e nem suplemento à rede pública. Então, nesse momento, precisamos normalizar a rede privada.” 

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