Representação quer anular ação contra treinee para negros, explica João Jorge
Por Mari Leal
O presidente do bloco Olodum, João Jorge, em entrevista ao Bahia Notícias, comentou, na tarde desta sexta-feira (16), a representação feita em conjunto com outros blocos afro baianos e o Instituto de Advocacia Racial e Ambiental (Iara) contra o defensor público Jovino Bento Júnior (reveja).
A participação das entidades na iniciativa, que visa anular os efeitos de uma ação impetrada pelo servidor contra a Magazine Luiza por propor um processo seletivo exclusivo para candidatos negros e garantir legalidade à iniciativa (reveja), se deu por meio do método jurídico denominado “amigos da corte” – amicus curiae. Nesta proposta, instituições e pessoas que se sentem parte de determina causa podem se associar como parte do processo.
Para João Jorge, a prática da Magazine Luiza os “interessa enquanto afrobrasileiros porque é empregabilidade em um nível de gerência”.
“Reunimos Filhos de Gandhi, Olodum, Ilê Ayê, o Cortejo Afro, Male Debalê, Muzenza, Araketu e o escritório Iaras e entramos como parte do processo como amigos da corte para defender o interesse da população negra de também ser gerentes, de também ser treeines. O defensor errou. Entramos como parte em dois processos contra ele. Um é pela legalidade do tema e outro é para que o defensor evite esse abuso de autoridade. É para manter o racismo? Entra com uma ação contra e ainda bota uma multa de R$ 10 milhões? Não tem sentido”, avalia João Jorge.
A iniciativa de cunho “reparatório” da empresa brasileira ao admitir exclusivamente candidatos negros sofreu uma série de questionamentos. Nas redes sociais, a Magazine Luiza chegou a ser acusada de “racismo reverso”. O termo controverso diz respeito à ideia de que é possível às minorias produzir um processo de exclusão de grupos hegemônicos.
João Jorge, ativista histórico do combate ao racismo e as discriminações contra a população negra, avalia que “a luta contra o racismo nunca acabaria fácil”.
“Ela não ela não é só avanço. Tem recuo também. Ela é uma doença, uma pandemia. no Brasil, às vezes ela fica mais escondida e as vezes mais visível. Hoje há muita gente que fala abertamente contra negros, contra mulheres, contra homossexuais, contra índios, até porque algumas autoridades também falam isso. E nós estamos continuando. A luta contra o racismo é uma luta por igualdade”, enfatiza.
“Não imaginávamos que 50 anos depois do Teatro Experimental do Negro, 40 anos depois do Olodum, do Ilê, do MNU [Movimento Negro Unificado]. Depois de constatar que o racismo existe, é forte, é atuante, persegue pessoas, impede vidas de existirem, impede gente de trabalhar, alguém se manifeste, mesmo sendo do ambiente do Direito, e dizer que essa ação é indevida. É surpreendente. Mostra um atraso no desenvolvimento do Brasil muito grande”, conclui João Jorge.
