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Médica denuncia agressão por parte de frequentadores de 'festa de corona', no RJ

Foto: Reprodução / Facebook

Uma médica da linha de frente no atendimento a pacientes com a Covid-19 em Grajaú, no Rio de Janeiro, denunciou  ter sofrido agressões de um grupo de pessoas frequentadoras de uma suposta “festa do corona”, realizada neste sábado (30).  Ticyana D'Azambuja, de 35 anos, postou uma foto nas redes sociais onde aparece com uma muleta, com a mão e perna direita enfaixadas para relatar a situação.


De acordo com o Extra, a médica contou que teve o joelho esquerdo quebrado e as mãos pisoteadas. As festas nessa casa, localizada no Grajaú, onde também reside, segundo o relato da vítima, acontecem há vários meses, mas se intensificaram justamente quando começou a quarentena com a recomendação de distanciamento social para evitar o avanço da Covid-19. Ela contou que fez diversas vezes denúncias à polícia, que só compareceu ao local no dia da agressão.


“Estava me sentindo abandonada, humilhada. Por isso fiz essa postagem. O apoio das pessoas me conforta”, disse, nesta manhã (1), Ticyana, que atua no Hospital Pedro Ernesto, numa unidade privada de Niterói e no Hospital de Campanha Lagoa-Barra.


Ela admite que, num momento de desespero, já que teria plantão naquela noite e não conseguia descansar por causa do barulho, desceu à rua e, num ato, que classifica como "impensado" quebrou o espelho retrovisor e trincou o para-brisa de um carro estacionado na calçada e isso teria sido o estopim para as agressões. Antes porém, havia pedido para que acabassem com a festa, que estava lotada, sem ter sido atendida.


"Foi errado. Foi impensado. Foi estúpido. Mas sou humana e fiz uma besteira contra um bem material de outra pessoa. Não foi um ato contra nenhum outro ser humano, isso eu sou incapaz de fazer. 5 marmanjos (me lembro de uns 5) saíram, e obviamente, bêbados e drogados, típicos 'cidadãos de bem', não estavam para conversa. Apavorada, vi o potencial da besteira que fiz e saí correndo. Me agarraram em frente ao Hospital Italiano. Me enforcaram até desmaiar. Me jogaram no chão e me chutaram. Quando retornei à consciência, gritava por Socorro! Isso aconteceu no dia 30 de Maio por volta de 17h, em plena luz do dia", relatou a médica na postagem em rede social.


Ticyana lamentou a falta de apoio das pessoas que presenciaram a agressão. Só três pessoas a apoiaram. Um deles, um vizinho saiu em sua defesa e levou um soco na boca. Um dos agressores teria mandado trazer um carro e ameaçado dar um "sumiço" na vítima que, nesse momento, chegou a ter certeza que fosse morrer. Ela disse que foi arrastada até a altura de uma unidade do Corpo de Bombeiros, aos quais implorou ajuda e que garantissem sua integridade física até a chegada da polícia, mas eles não teria sido atendida. Uma viatura da PM apareceu em seguida e depois mais duas.


"Estou muito chorosa, triste, e sem fé na Humanidade. A impunidade vai reinar mais uma vez nesse caso. Mas o que mais me doeu, foi ter clamado por ajuda, e dezenas, talvez uma centena de pessoas viram o que aconteceu e 3, somente 3 se dignificaram a socorrer uma pessoa em perigo. Sempre fui atuante na comunidade do Grajaú, e quando precisei de socorro, fui abandonada aos chutes e gritos de “Mata mesmo!”. O que me dói mais não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons. Se as festas acabarem na casa da marechal jofre, lembrem-se que custou meu trabalho de médica e meu joelho", escreveu a médica. 


Sobre o joelho, ela contou que é possível ter que operar, mas ainda depende do resultado de uma tomografia. Esses problemas vão mantê-la afastada do trabalho. Assustada e com medo de represálias deixou o seu endereço e foi buscar abrigo na casa de parentes.


“A exposição (na internet) é minha proteção. Se acontecer algo comigo ou com o meu filho (de 2 anos) todos vão saber quem foi. Creio que isso também vai ajudar no meu processo de cura (do trauma)” - contou Ticyana, que precisou ser assistida por um psicólogo.
 

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