'Ele ficou muito sensível', diz Maia após pedir a Bolsonaro para adiar Enem
Por Ailma Teixeira
Após participar de uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), manteve o tom ameno que tem usado para se referir ao chefe do Executivo nacional. Em coletiva de imprensa realizada em seguida, na tarde desta quinta-feira (14), Maia repetiu o discurso de que o melhor caminho para todos os governantes neste momento é o diálogo.
"Os conflitos, as brigas geram insegurança, perda da confiança da sociedade, já que aqueles que têm a responsabilidade do diálogo e de construir o caminho conjunto estão confrontando, então meu papel é (...) levar ao presidente a pauta da Câmara, fazer o que nós entendemos de forma majoritária", afirmou o deputado federal.
Na ocasião, ele disse que levou a Bolsonaro o pedido para que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) seja adiado. As provas, até o momento previstas para acontecer nos dias 1º, 8 e 22 (Enem Digital) de novembro, tiveram suas inscrições abertas nesta semana e o Ministério da Educação não se mostrou favorável ao adiamento.
Pelo contrário, a pasta divulgou uma campanha a fim de incentivar que os candidatos continuem estudando para o exame, mesmo que as aulas tenham sido paralisadas em diversas escolas públicas do país por conta das medidas de isolamento social, que visam conter a disseminação do novo coronavírus (saiba mais aqui).
"Ele ficou de avaliar", disse Maia. "Ele ficou muito sensível, ficou de dar uma resposta. Acho que está sendo muito demandado, acho que passa por uma decisão em torno do diálogo e não do Parlamento suspender [o exame] por lei ou decreto legislativo", defendeu o presidente da Câmara.
Além disso, Maia frisou a importância das reformas pautadas pelo Legislativo na fase de recuperação econômica do país. O destaque dele é a reforma tributária, já em trâmite no Congresso. "Sem dúvida, essas reformas terão um peso decisivo na retomada da economia", ressaltou. Para o deputado democrata, o Brasil deve enfrentar uma recessão "um pouco mais profunda do que aquilo que está sendo projetado". De acordo com a estimativa feita pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, há cerca de um mês, o Produto Interno Bruto (PIB) pode sofrer uma queda de 4% neste ano.
