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Maranhão traça rota pela África para garantir chegada de respiradores; veja trajeto

Foto: Arquivo Pessoal

A fim de garantir a chegada de 107 respiradores e 200 mil máscaras compradas da China, o governo do Maranhão montou todo um esquema com o envolvimento de 30 pessoas e custo de R$ 6 milhões. Uma "operação de guerra", como eles têm chamado.

 

Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, essa logística foi traçada depois que o estado perdeu reservas de respiradores por interceptações na Alemanha, nos Estados Unidos e mesmo no Brasil pelo governo federal.

 

O primeiro entrave aconteceu no mês passado, quando o governador Flávio Dino (PCdoB) reservou a compra de um lote de respiradores de uma fábrica de Santa Catarina. O material não chegou ao estado nordestino porque o governo federal bloqueou a transação e distribuiu os equipamentos de acordo com seus próprios critérios.

 

Depois disso, a gestão maranhense reservou 150 respiradores de uma empresa da China, mas a Alemanha passou na frente, pagou mais e adquiriu os produtos.

 

Pouco depois, a situação se repetiu com os Estados Unidos interferindo na negociação — situação similar à enfrentada pelo governo do Bahia, que viu uma carga com 600 respiradores para atender o Nordeste ficar retida em Miami (saiba mais aqui).

 

Diante dessas dificuldades, o Maranhão montou um plano para garantir que os equipamentos chegassem ao estado. De acordo com a publicação, com apoio de uma importadora maranhense, o governo estadual iniciou as negociações com uma empresa de Guangzhou, em Hong Kong. A empresa, por sua vez, enviou os respiradores para a Etiópia, no Chifre da África, a fim de escapar do radar da Europa e dos Estados Unidos.

 

Segundo o secretário estadual de Indústria e Comércio, Simplício Araújo, o cargueiro que saiu da China e aterrissou em São Paulo teve o frete pago pela mineradora Vale. Ao chegar em São Paulo, a mercadoria foi colocada em um avião fretado da Azul e enviada para o Maranhão.

 

A reportagem conta ainda que a liberação na Alfândega também não foi feita em São Paulo por receio de que o governo federal retivesse os respiradores, como tem acontecido.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

Finalmente, os equipamentos chegaram a São Luís na terça-feira (14), após uma operação que durou 20 dias. "Se não fizéssemos dessa forma, demoraríamos três meses para conseguir essa quantidade de respiradores. Assim que os equipamentos chegaram já os conectamos para ampliar a nossa oferta de leitos de UTI", defendeu Araújo, que coordenou a operação.

 

O secretário conta que, atualmente, 60% dos leitos de UTI do estado estão ocupados. "Se o aumento do número de casos continuar nesse ritmo, na semana que vem estaremos estrangulados", previu. O último boletim do Ministério da Saúde contabiliza 685 casos de coronavírus no estado, com 37 mortes.

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