Alberto Pitta critica exigências a bloco afro e diz que para artistas 'basta pegar patrocínio'
Por Bruno Leite / Jade Coelho
O presidente do Cortejo Afro, Alberto Pita, fez duras críticas a diferença de tratamento do governo do estado em relação ao patrocínio para grupos culturais e grandes artistas do Axé Music no Carnaval de Salvador. “Fazer bloco afro não é fácil, na próxima encarnação eu virei diretor de bloco de trio, porque basta pegar o patrocínio, mandar fazer os abadás em Curitiba e está tudo certo”, ironizou em entrevista ao BN nesta terça-feira (25) de carnaval.
Pita ainda destacou o trabalho social realizado pelos blocos afro e a contrapartida que os grupos precisam dar ao governo do estado. “Ele contrata na comunidade, pensa que os recursos captados tem que estar na comunidade, com a costureira, sapateiro, alegoleiro, circulando no bairro, porque acima de tudo é um trabalho social”, defendeu o presidente do Cortejo.
Alberto também explicou que quando o poder público patrocina um bloco, através de edital, “a cobrança, a contrapartida é muito grande”. “A gente tem que dar aula em escola, plantar árvores, quando eles dão esse mesmo dinheiro, na verdade muito mais, a um artista do axé music, não cobram absolutamente nada”, criticou Alberto Pita.
A sugestão do presidente do Cortejo é de que os blocos afro sejam considerados patrimônios imateriais. Na visão dele, deste modo se garantiria a tradição.
