Em busca de tranquilidade e tradição, famílias levam suas crianças ao carnaval do Pelô
Por Lula Bonfim
Ao circular na tarde deste sábado (22) no Circuito Batatinha, no Centro Histórico de Salvador, era fácil observar crianças se divertindo por todos os cantos. Muitas fantasiadas, elas brincavam ao som das bandas que se apresentavam no carnaval do Pelourinho, um dos mais tradicionais da Bahia.
Junior, de 31 anos, levou suas três filhas para conhecerem a tradição do carnaval baiano. Para ele, a menor aglomeração de pessoas foi um fator essencial para a escolha do Pelourinho. “Aqui é bom para trazer as crianças. Mais tranquilo. Na Barra e no Campo Grande, tem muita muvuca. Aqui, é sem agonia”, explicou, enquanto abraçava as mais velhas, de 6 e 10 anos, e sua esposa carregava a caçula, de apenas 10 meses.
As atrações do circuito não foram fundamentais para a escolha de Junior, que desconhecia a programação dos palcos no Pelô. “Vim aleatório”, disse, contando que era o seu primeiro dia no carnaval 2020. Ele prometeu, porém, que levará as filhas mais velhas para o Campo Grande, neste domingo (23).
Ricardo entrou no circuito carregando seu filho Breno, de 4 anos, nos braços. Fantasiado de Homem-Aranha, o menino chegava para brincar o seu segundo carnaval. O pai conta que definiu a idade de 3 anos como marco para iniciar o filho na folia momesca de Salvador.
Para Ricardo, há outro fator além da tranquilidade para levar seu filho ao Pelourinho: a tradição. “Aqui, a gente encontra mais presente a cultura, o carnaval antigo, aqueles carnavais de bandinhas, mais tranquilos do que o que a gente encontra na Avenida”, justificou Ricardo.

Foto: Jailton Suzart / Ag. Haack / Bahia Notícias
Subindo uma das ruas do Pelô, um grupo de crianças vestia a fantasia do afoxé Filhos de Gandhy. Era o bloco “Meu Gandhynho”, destinado ao público infanto-juvenil e a filhos dos associados da agremiação. Eles balançavam no ritmo do ijexá, talvez repetindo os passos de seus pais. O tradicional bloco ligado ao candomblé, que quase foi extinto nos anos 1970, parece mais vivo que nunca diante da renovação.
Chegando à Praça Tereza Batista, uma roda de crianças dançava ao som do forró e do frevo de Zelito Miranda. Fantasiadas e sorridentes, elas cantavam junto as letras tradicionais da música de carnaval da Bahia, como “Cometa Mambembe”. Edson, de 49 anos, estava com a sua sobrinha, de 12, e reafirmou a tranquilidade como principal qualidade do circuito Batatinha.
“Aqui, a gente encontra mais presente a cultura, o carnaval antigo, aqueles carnavais de bandinhas, mais tranquilos do que o que a gente encontra na Avenida”, disse.

Foto: Jailton Suzart / Ag. Haack / Bahia Notícias
BAILE DE DOMINGO
O grupo infantil Pé de Lata animará as crianças no Pelourinho neste domingo (23), a partir das 15h30. O baile infantil acontece na Largo Pedro Archanjo.
O Pé de Lata promete levar para o público infantil muita recreação, com foco no resgate das brincadeiras tradicionais, contação de histórias e muita música.
