'Expressão do que a sociedade tem de pior', diz Zulu sobre situação da Fundação Palmares
Por Francis Juliano / Rebeca Menezes
Ex-presidente da Fundação Cultural Palmares, e atual chefe da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo lamentou os rumos que a entidade do governo federal tem tomado. No último dia 13, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a nomeação de Sérgio Camargo para a presidência da Palmares - apesar das fortes críticas por ele ter declarado que não existe racismo no Brasil (saiba mais aqui).
"A sociedade brasileira está passando por um processo de conservadorismo e reacionarismo muito profundo. E evidentemente que a área negra não ficaria de fora. O que está ocorrendo com a Fundação Palmares é a expressão desse conservadorismo, daquilo que a sociedade tem de pior: a misoginia, a homofobia, e evidentemente o racismo. Eu digo sempre: não seria possível em um país como o Brasi, que teve mais de 350 anos de escravidão, passar impunemente por isso. E quem está pagando o preço é a sociedade", lamentou Araújo.
Para Zulu, esse conservadorismo trouxe a afirmação de racismo sempre presente, e a negação da humanidade e da igualdade. "Não existe nada melhor produzido pelo homem do que tratar as pessoas de modo igual. E lamentavelmente a maioria do país pensa assim. Ainda assim, ele tem esperança de que "a sociedade brasileira vai virar essa página". "A gente só vai recuperar a Palmares quando a sociedade brasileira recuperar os seus princípios democráticos, os seus princípios de humanidade, de generosidade. Porque a Palmares representa tudo isso"
Zulu Araújo esteve na noite deste sábado (22) na saída do Ilê Aiyê e comentou sobre a importância do bloco, que foi pioneiro no campo da cultura de estabelecer um diferencial no Carnaval, aliando alegria e cidadania. "É marcante o fato de, 45 anos atrás, nós termos um bloco em plena ditadura que cantava a cidadania da negritude e bradava contra o racismo", classificou, dizendo que o grupo mantém-se fiel a esse compromisso.
